Uma Iniciativa Febraban

Editorial

O mercado de capitais está se tornando mais sofisticado com a oferta de produtos que possuem riscos e retornos, muitas vezes, de conhecimento precário para seus usuários. A variedade de instrumentos de crédito, poupança, inves­timentos, seguros e previdência também dificultam a sua escolha e o uso correto, para que haja uma sintonia entre as diversas necessidades do consumidor e a aplicação de cada produto, levando-se em consideração o seu risco, rentabilidade, custos, prazos, aspectos legais e tributários.

O acesso aos produtos financeiros também ficou mais fácil para a população, em função da expansão da rede de agências das instituições financeiras e do uso do desenvolvimento tecnológico, que possibilita a facilidade de acessar os produtos via Internet, o que reduz distâncias e custos. A variedade e a facilidade do uso dos produtos financeiros aumentam a inclusão financeira da sociedade, o que gera demanda adicional em educação sobre o assunto.

A educação financeira começa a se disseminar a partir de meados dos anos 2000, como resposta às inquietações dos mercados, dos órgãos reguladores do mercado finan­ceiro e da população, levando para as escolas a preocu­pação em inserir nos currículos temas como o uso do din­heiro e do crédito. Apesar do seu caráter microeconômico, a educação financeira pretende levar os países a um ciclo de crescimento sustentável, em relação, principalmente, à capacidade da população em poupar e se endividar.

A educação financeira pretende também ajudar a equili­brar as necessidades humanas e a capacidade das pessoas em atendê-las, criando uma visão de longo prazo, o que viabiliza a poupança e a noção da necessidade de acumu­lação de riquezas pelas famílias.

Pensando-se em aspec­tos sociais, a educação financeira pode contribuir para a redução de padrões de vida incompatíveis com a renda das pessoas, contribuindo para o bem-estar coletivo e para a solidez do sistema financeiro dos países.


Murilo Portugal
Presidente da FEBRABAN

 

Em dez anos, os bancos dobraram o número de contas-correntes, que, hoje, passa de 120 milhões. A quantidade de cartões de crédito foi multiplicada por quatro e supera os 130 milhões. Os bancos também aumentaram sete vezes a oferta de empréstimos e financiamentos, que totalizam R$ 1,5 trilhão de reais – quase a metade de tudo o que o Brasil produz.

A inclusão de novos consumidores de serviços bancários apresenta aos bancos o desafio de orientar essas pessoas que estão chegando agora ao mercado bancário, seja para apenas guardar seu dinheiro ou para financiar a casa própria, o primeiro carro, a TV de LCD. Esta é nossa proposta: orientar o consumidor a ter uma relação melhor com seu dinheiro.

Quanto mais claro for esse relacionamento com o dinheiro, melhor para os clientes, para os bancos e para nosso país. Todos ganham.

Fábio Barbosa
Presidente da FEBRABAN quando o projeto Meu Bolso em Dia foi lançado.