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Falar sobre dinheiro é o melhor remédio

6 dicas de como abordar o assunto em casa para superar dívidas e realizar sonhos, sem destruir a relação


Maria fez um empréstimo para auxiliar os pais em um problema de saúde, mas não contou ao marido, com medo que ele não aprovasse a decisão. Agora seu salário está comprometido até o próximo ano e toda vez que ele propõe uma viagem ou a troca de um eletrodoméstico, ela desconversa.

Depois de muita insistência, Carlos emprestou dinheiro de suas reservas para o filho mais novo investir em seu negócio próprio. Agora está enrolado em dívidas, mas não pode revelar o segredo ao outro filho, pois isso seria motivo de briga entre os irmãos.

Essas são duas situações reais – os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos – que ilustram o quanto esse tema ainda é considerado um tabu em nossa sociedade, não só entre casais, mas nas famílias de modo geral. Dinheiro é um assunto quase proibido que paira no ar. Ninguém comenta sobre quanto ganha, como gasta ou para quê pretende poupar.

Só que, mesmo escondido, o tema provoca um impacto relevante na vida das pessoas: uma pesquisa recente feita no Reino Unido revelou que 56% dos casos de divórcio são causados por questões financeiras. Aqui no Brasil, apenas 3 entre 100 pessoas afirmam ser totalmente honestas com seus parceiros quando o assunto é dinheiro, segundo a Serasa Experian.

Com diálogo e acordo adequado, dívidas poderiam ser solucionadas, sonhos realizados e metas alcançadas. Mas nesse pacto de silêncio, os problemas se acumulam, as mágoas crescem, as pessoas se afastam e o resultado, quase sempre, é que quando o assunto vem à tona já é tarde para superar os desafios financeiros da família com calma e equilíbrio. Na hora do desespero, decisões são tomadas às pressas, brigas acontecem e todos saem perdendo.

Para evitar desfechos assim, vale a pena investir alguns minutos para conversar sobre dinheiro em família. Veja algumas dicas para tocar no assunto e manter a harmonia no lar:


  Escolha bem a hora


Não é boa ideia aproveitar o intervalo da novela, final do campeonato ou passeio no shopping para abrir o jogo sobre uma decisão que tomou, perguntar sobre os gastos do parceiro ou planejar a realização do próximo sonho em família. O assunto é sério e pede tranquilidade, por isso, escolha um momento em que todos os envolvidos estejam presentes, sem distrações ou preocupações extras. Se tiver filhos pequenos, peça a algum parente ou amigo para cuidar deles enquanto conversam.


  Crie uma rotina


Uma boa maneira de evitar que os problemas se acumulem é agendar um horário semanalmente para mostrar as contas, relembrar as prioridades, planejar os sonhos e corrigir as rotas quando necessário. Que tal uma reunião toda segunda-feira à noite? Reúna documentos, planilhas, aplicativos e chame todos para acompanhar, juntos, o controle financeiro da família. Use o Jimbo e as tabelas mês a mês para ajudar.


  Sonhe junto


Convide a família para sonhar. Separe uma cartolina e uma caneta piloto para essa conversa. Pergunte a cada um o que gostaria de realizar dentro de certo período (seis meses, um ano, cinco anos, etc.) e anote os sonhos na cartolina. Faça um esforço para encontrar sonhos, metas e interesses comuns. Depois, procure criar um consenso para colocar os sonhos em ordem de prioridade, definindo o que terá foco primeiro, o que virá depois e assim por diante. Calcule quanto cada sonho custará na ferramenta Simulador de Sonhos e monte um plano com a ajuda de todos. Quando a família toda se compromete, a realização ganha velocidade.


  Escute com atenção


Não adianta propor um diálogo se você não estiver aberto a ouvir as opiniões dos outros. Antes de criticar ou reprovar, faça um breve silêncio. Conte até três para processar o ponto de vista da outra pessoa, sem julgar. Depois, tente entender porque ela pensa diferente de você, como ela acha que tal ideia poderá contribuir com a família e quais são os motivos dela. Pergunte “Por que pensa assim? Como se sente sobre isso?” e ouça com atenção.


  Fale a partir de você


Não acuse, culpe ou responsabilize o outro. Apresente suas preocupações, receios e propostas a partir de você. Em vez de dizer “você não liga para nossas prioridades”, experimente “eu não entendo quando você age desta forma”. Evite apontar o dedo para a outra pessoa e abuse das expressões “eu sinto”, “eu me preocupo” ou “eu tenho receio”. Quando você fala a partir dos seus sentimentos, o outro não se sentirá acuado ou agredido e tentará se aproximar de você.


  Surgiu um imprevisto? Reunião de emergência!


Uma pessoa da família precisa de ajuda, o carro quebrou, alguém perdeu o emprego? No desespero, tomamos decisões sem pensar e, às vezes, bastaria compartilhar o problema com a pessoa mais próxima para evitar uma situação mais grave ainda. Por isso, antes de sair tomando decisões sozinho, reúna a família (pode ser até por Whattsapp), comunique o fato e peça a todos para dar ideias de como solucionar a situação. Depois, com calma, pesquise as alternativas, justifique a decisão escolhida e veja se há acordo sobre ela. Só então, parta para a ação, contando com o apoio de todos.



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