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Ao conversar com a Palmirinha, é impossível não se lembrar de uma avó querida, que fazia bolos, café e comidinhas com todo o carinho. Com fala mansa e simples, Palmira Onofre tem o mesmo jeitinho cativante que vemos na tevê. Ela nasceu em Bauru (interior de São Paulo), completou 80 anos em junho e, apesar da longa estrada, ainda tem muita receita para ensinar.

Entrevista exclusiva com Palmirinha
Receitas e emoções de uma vida
Ao conversar com a Palmirinha, é impossível não se lembrar de uma avó querida, que fazia bolos, café e comidinhas com todo o carinho. Com fala mansa e simples, Palmira Onofre tem o mesmo jeitinho cativante que vemos na tevê. Ela nasceu em Bauru (interior de São Paulo), completou 80 anos em junho e, apesar da longa estrada, ainda tem muita receita para ensinar.

Você imaginou que um dia seria uma cozinheira famosa?
Conheça a história de superação e conquistas da Palmirinha. Como você começou sua carreira?
Nasci em um sítio em Bauru, no interior de São Paulo (cerca de 330 km da capital), em 1931. Meu pai foi um dos fundadores da cidade. Minha mãe era italiana e chegou ao Brasil com 14 anos. Ela fazia pães e doces usando os ingredientes que tinha em casa, na horta, como erva-doce e figo. No Natal, o nosso panetone era o pão doce que ela fazia.

Vim morar em São Paulo com aproximadamente seis ou sete anos e terminei de ser criada por uma senhora francesa que me ensinou culinária. Com ela, aprendi a cozinhar de forma mais sofisticada e comecei a inventar pratos diferentes.
Imagina, nunca pensei em chegar aqui. Eu vendia coisas na rua para poder chegar em casa e fazer janta para as minhas três filhas (Tânia, Sandra e Nancy), para no futuro poder dar uma faculdade para elas. Na rua sempre levava um pano de prato limpinho, cadeira e cesta de vime.
"A primeira coisa que fiz quando tive mais dinheiro foi pagar as contas atrasadas [risos]" Como repercutiu sua primeira receita?
Fiz a massa do pão doce da minha mãe e o recheio foi um pacotinho de pudim de baunilha. Naquela época eu não sabia fazer a receita do creme, fui aprender depois, com o Benjamin Abrahão (fundador da famosa rede de padarias com o mesmo nome em São Paulo). A receita deu 30 sonhos. Vendi tudo em uma semana e paguei a minha comadre antes do que imaginava.
Quando você pôde se dedicar somente à culinária?
Foi pouco antes de começar a fazer o programa da Ana Maria (Note & Anote, na TV Record). Eu já tinha 60 anos e fazia coquetéis, congelados, jantares, festas e bicos na tevê, além de preparar lanches e outras coisas para empresas grandes. Teve uma época em que tive cinco empregos. Encaixotava peças de automóvel em uma metalúrgica, limpava muitos escritórios de prefeitura, advocacia etc. Quando eu chegava em casa já era mais de meia-noite, todos os dias.
E como começou a cozinhar profissionalmente?
Comecei a cozinhar para vender com cerca de 30 anos. Na época, as minhas filhas estudavam no mesmo colégio e em horários diferentes. Eu não tinha dinheiro para comprar uniforme para todas, então elas revezavam o mesmo blusão. Um dia, elas ficaram no mesmo horário e uma delas teve de ir sem blusão. A diretora me chamou e disse que eu teria de comprar outro, senão ela seria expulsa. Tentei conversar, mas não adiantou.

Peguei dinheiro emprestado com uma comadre, que disse que cobraria os juros, pois tinha retirado o dinheiro de uma aplicação do banco. Fiquei pensando no que faria, e tive a ideia de fazer uma receita de sonho.
"Teve uma época em que tive cinco empregos. Encaixotava peças de automóvel em uma metalúrgica, limpava muitos escritórios de prefeitura, advocacia etc."
"Oportunidade tem para todos, é só procurar. Qualquer um consegue o que já consegui, não tem idade para começar" Tem alguma história legal com seu público de tevê?
Enquanto estava fazendo uma receita de pão de mel, uma menina mandou uma carta falando que teria que trancar o curso na faculdade porque a mãe não podia pagar. Para ajudar na renda, ela começou a fazer pão de mel em casa e vender para os colegas de classe. Acabou não precisando trancar a faculdade, muito pelo contrário – pagou tudo, se formou e ainda pagou a formatura.
Vovó antenada
No momento, Palmirinha não está fazendo programas de culinária na tevê. Mas quem disse que ela para?

  • Em maio deste ano, ela lançou sua biografia, onde conta os momentos marcantes da sua vida, intercalados com suas 20 receitas mais importantes, que fizeram sua fama de grande cozinheira.

Palmirinha Onofre – A Receita da Minha Vida
Editora Saraiva – Selo Benvirá | 176 páginas

  • Ela também tem um site pessoal, onde posta receitas novas e fotos de participações em programas.
    Vovó Palmirinha: www.vovopalmirinha.com.br
  • Você também pode acompanhar as novidades do dia a dia dela no Twitter: @vovopalmirinha
  • Mensagem especial para os jovens:
    “Procurem aproveitar a oportunidade de estudo que a família dá, porque eles lutaram para dar isso para vocês”.
Como foi a sua época de apresentadora na tevê?
Eu me sinto realizada pela oportunidade de mostrar o meu trabalho e ajudar as pessoas a fazer comida aproveitando o que tem no armário de casa. Hoje, por exemplo, aproveitei uma cenoura que estava envelhecendo na geladeira para fazer um bolo, e todo mundo adorou!

É muito bom inspirar as pessoas, esse público maravilhoso que não me abandona. No meu programa (TV Culinária, da TV Gazeta de São Paulo, que fez até agosto de 2010) tinha choro, história, música. A maneira simples de explicar que cativou o público e o tornou conhecido. Quem produzia era eu, a minha filha e o Huguinho (o ator e assessor de imprensa Anderson Clayton). Eu inventava a receita, a gente montava a mesa, escolhia as músicas e fazia as compras.
Como a sua vida ficou depois da fama?
A primeira coisa que fiz quando tive mais dinheiro foi pagar as contas atrasadas [risos]. Guardei um pouco e ajudei conforme podia os familiares que mais precisavam.

Tirando isso, não mudou muita coisa. Continuo trabalhando e me dedicando, com a diferença de que hoje posso me dedicar mais à família, posso jantar e almoçar fora de casa.
Qual é a sua dica sobre buscas pessoais e profissionais na vida?
Que é preciso ir à luta para conseguir algo e não ter vergonha de bater na porta de outra pessoa para aprender. Ser honesto, não passar por cima de ninguém, ter fé naquilo que quer e mostrar para as pessoas o melhor que tem.

Oportunidade tem para todos, é só procurar. Qualquer um consegue o que já consegui, não tem idade para começar. Só precisa ter carinho e respeito com as pessoas à volta.

Se tiver dificuldades financeiras, nada de desistir: vá fazer o que sabe fazer. Seja limpar uma casa, engraxar sapato ou inventar comidas para vender, como eu fazia. Ainda mais na área de culinária. Esse setor não tem crise, é só correr atrás!
Receitas da Palmirinha para um Natal gostoso e com o bolso em dia. Confira »

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