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Capitalização: entenda o que é e para quê serve

Antes de contratar, avalie se este produto é adequado para você

 

Você já deve ter ouvido falar ou recebido uma oferta para aderir a um plano de capitalização. E, se não o contratou, ficou tentado pela ideia de deixar um dinheiro guardado e ainda concorrer a prêmios. Se você é uma pessoa que gosta de participar de loterias e concursos, essa pode ser mesmo uma proposta tentadora. A questão é que o dinheiro colocado no plano de capitalização, em vez de render, perderá valor.

Isso porque a capitalização é um tipo de produto que não tem como atrativo a rentabilidade, apenas a sorte. Você compra o título e recebe um ou mais números para concorrer a prêmios em dinheiro sorteados pela loteria federal. Ao final de determinado período, recebe uma parte ou o valor total corrigido pela TR (Taxa Referencial), a mesma que corrige a poupança, porém, sem a rentabilidade dos juros aplicados na poupança. E, se você precisar resgatar antes, poderá perder uma parte considerável do montante pago.

Mesmo assim, muitas pessoas são adeptas dessa modalidade. Segundo dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão que regula o setor, as 17 instituições autorizadas a comercializar o produto no Brasil somavam em maio de 2017 quase 4,7 bilhões de títulos de capitalização. Se considerarmos que o Brasil tem uma população de 206 milhões de habitantes, são 22 títulos por cidadão.

Além do atrativo do sorteio, outro fator que pode explicar o grande número de títulos vendidos no Brasil é a dificuldade que as pessoas têm de poupar. Construir uma reserva financeira exige disciplina e determinação e, muitas vezes, essa ideia é abandonada no meio do caminho. Guarda-se dinheiro por certo período e, quando surge qualquer imprevisto, a poupança é a primeira a ser riscada do orçamento.

As pessoas buscam, na capitalização, um mecanismo para juntar dinheiro. Ter um boleto mensal para pagar parece ser mais fácil do que separar o mesmo valor e colocá-lo para render na poupança ou outra aplicação, como o Tesouro Direto, que aceita valores acima de R$ 30,00. Leia a matéria Prepare-se para tirar seus sonhos do papel para saber como planejar e realizar investimentos.

Mas será que quando as pessoas fazem essa opção elas sabem exatamente como o produto funciona? Veja as questões abaixo e descubra se o produto é adequado para você.

 

Capitalização e poupança são a mesma coisa?

Não. Atualmente, o dinheiro depositado em poupança recebe uma correção monetária pela TR mais uma taxa de rentabilidade de 0,5% ao mês, sem cobrança de taxa de administração. Já na capitalização, os juros não incidem sobre o total pago e parte dos pagamentos efetuados é usada para custear despesas administrativas. Quando há sorteios, outra parte é destinada para as premiações. Ou seja, o valor a ser resgatado será inferior ao da poupança. Veja o exemplo:

Em um título de capitalização de R$ 30,00 mensais a ser pago durante 30 meses e que tenha como regra a devolução de 80% do valor caso você pague todas as parcelas. Você terá acumulado: R$ 900,00. Valor a ser recebido após 30 meses: R$ 720,00 (sem considerar a TR).

Na poupança, depositando R$ 30,00 por mês durante 30 meses você terá R$ 900,00 mais o rendimento do período. Valor disponível para saque após 30 meses: R$ 973,24 (considerando a atual rentabilidade, de 0,5%).

No caso acima, quem comprou o título perdeu R$ 253,24 em comparação a quem investiu na poupança.

 

Quais são os tipos de planos de capitalização existentes?

Há planos mensais, com pagamento em parcelas por um período pré-determinado, planos periódicos, com pagamentos eventuais, e planos de parcela única. Veja os tipos de planos permitidos pela Susep:

Tradicional: restitui ao titular, ao final do prazo, no mínimo o valor total dos pagamentos efetuados, desde que todos os pagamentos tenham sido realizados nas datas programadas.

# Popular: propicia a participação em sorteios, porém, não há a devolução integral do valor pago.

Compra-Programada: ao preencher a ficha de cadastro você já escolhe como quer receber o valor pago de volta – em dinheiro ou na forma de um produto ou serviço.

Incentivo: vinculado a um sorteio ou evento promocional. Para concorrer, você precisa estar com os pagamentos em dia.

 

Posso resgatar o que paguei a qualquer momento?

Não, alguns títulos têm um prazo de carência, ou seja, um período mínimo para resgate. Se pedir o resgate ou cancelar o título antes, você só receberá o dinheiro após o fim do prazo de carência. E ainda poderá perder até 10% do valor que já pagou, já que as instituições têm autorização para fazer esse desconto.

Por isso, é importante conhecer as condições do plano antes de assinar o contrato. A instituição que vende o título é obrigada a informar claramente, na forma de tabela, os percentuais a que você terá direito em função do número de pagamentos realizados. Na matéria Perguntar não ofende listamos algumas perguntas que você deve fazer antes de contratar qualquer produto financeiro. No Canal Você e o Banco você confere tudo sobre produtos e serviços bancários.

 

Quando é vantajoso contratar um título de capitalização?

Pode ser uma alternativa válida para substituir apostas em loterias, pois você consegue ter parte do dinheiro de volta, depois de um determinado período. Porém, o produto não é válido como investimento, pois não conta com rentabilidade, nem fica disponível para saques, ao contrário, você terá penalidades se resgatar antes do prazo.

Se quiser criar o hábito de poupança, opte pela poupança programada, um produto que permite que você defina uma data e um valor a ser retirado automaticamente da sua conta corrente e direcionado a uma conta poupança. Fale com seu gerente sobre esta opção. Saiba mais sobre Investimento Programado.




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