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Atualizado em: 27 mar 2020 às 17h e 29m

Coronavírus: o que fazer com os pagamentos do próximo mês?

Veja como manter suas finanças saudáveis enquanto fica em casa e protege sua saúde.


Desde o início do ano, o mundo enfrenta um de seus maiores desafios: o coronavírus. A doença se espalhou rapidamente para quase todos os países, com consequências graves, principalmente para idosos e pessoas com certos problemas de saúde. Uma das medidas mais eficazes para conter sua transmissão e impedir que o sistema de saúde entre em colapso, é o distanciamento social.

Escolas, empresas, lojas do comércio e prestadores de serviço tiveram que fechar as portas para desacelerar a disseminação da doença e proteger a saúde de todos. Sem ter como trabalhar, muitas pessoas, especialmente autônomos e quem não tem uma reserva de emergência, estão sentindo os impactos diretamente no bolso. Um novo mês se aproxima e as contas começam a chegar. Veja o que fazer com algumas delas para manter suas finanças saudáveis enquanto fica em casa e protege sua saúde.


Priorize serviços essenciais

Neste momento, é fundamental priorizar as contas que mantenham o funcionamento da casa. Água, energia, gás, alimentação e internet são essenciais e devem ser honradas. Prevendo a falta de recursos para pagar algumas contas, algumas iniciativas têm sido tomadas para isentar ou postergar algumas contas e assim, ajudar as pessoas a ficarem em casa até que a situação volte ao normal.

Luz: a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) suspendeu cortes no fornecimento de energia elétrica por falta de pagamento para residências urbanas ou rurais durante 90 dias, podendo prorrogar o prazo se necessário. Embora seja proibido cortar a energia, se for possível, mantenha o pagamento em dia, pois as contas atrasadas serão cobradas e, caso não sejam quitadas, os clientes podem entrar para a lista de inadimplentes.

Água: em São Paulo, estado mais populoso do país e o mais atingido pelo coronavírus, a Sabesp anunciou a isenção da cobrança da conta de água de mais de 500 mil famílias de baixa renda enquadradas na Tarifa Social. A cobrança será suspensa por 90 dias a partir de 1º de abril, até o fim de junho. Outros estados, como Ceará, Pernambuco, Espírito Santo e Rio Grande do Sul seguiram o exemplo e adotaram a mesma medida.

Gás: o gás também foi incluído como serviço essencial pelo governo do Rio de Janeiro, que além de proibir o corte, permitirá o pagamento parcelado das contas atrasadas após o período de distanciamento social. Acompanhe os novos regulamentos sobre o tema em seu estado.

Alimentação e higiene: outras medidas têm sido tomadas por alguns estados para garantir a alimentação e os itens de necessidade básica para pessoas mais necessitadas, como bolsas de auxílio para garantir a merenda a famílias de alunos da rede pública que estão com as aulas suspensas, distribuição de cestas básicas com álcool gel e lenços umedecidos em álcool 70. Procure o site oficial do governo do seu estado e informe-se sobre quais dessas medidas podem beneficiar a sua família.

Internet e telefone: neste momento, os serviços de internet e telecomunicações se tornaram ainda mais essenciais, não só para entreter crianças, jovens e adultos em casa, como também para garantir que informações sobre prevenção e dados necessários para o tratamento da doença cheguem a todos. Por enquanto, não há previsão para que sejam isentas ou adiadas as contas ligadas a telecomunicações, portanto a recomendação é pagar para manter o serviço. A dica para aliviar o bolso é entrar em contato com a sua operadora e negociar individualmente o valor do pacote ou a prorrogação do vencimento.

Plano de saúde: outra conta que não se deve atrasar é a do plano de saúde. Neste momento, é preciso fazer todo o esforço possível para garantir os recursos necessários para que hospitais, profissionais e serviços de saúde continuem trabalhando em prol da contenção da epidemia e do tratamento dos doentes. Não é hora de barganhar este serviço, procure mantê-lo em dia na medida do possível.

 

Consulte sobre impostos na sua região

IPTU: o imposto, que incide sobre a moradia, está sendo adiado por 90 dias por muitas prefeituras, principalmente de regiões turísticas e diretamente afetadas pela pandemia. Para saber se o seu município tomou essa medida, procure o site da prefeitura de sua cidade.

IPVA: a suspensão da cobrança do IPVA não é consenso entre os Estados. No Mato Grosso, por exemplo, o imposto dos veículos com placas finais 4, 5, 6 e 7 foi suspenso por 60 dias. Com isso, o imposto que deveria ser pago em março (4 e 5) foi transferido para o mês de maio e o valor referente aos finais 6 e 7, que venceria em abril, foi prorrogado para o mês de junho. Já o Governo do Estado de São Paulo vai ampliar o prazo para protestar dívidas de impostos em atraso por 90 dias para pessoas físicas e jurídicas, mas não pretende isentar ou adiar a cobrança do IPVA de abril. Na prática, a pessoa deve pagar, mas se precisar atrasar, terá um fôlego para quitar a dívida antes de ser protestada. A recomendação é consultar o site oficial do governo de seu estado antes de decidir sobre o pagamento de seus tributos.


Negocie as demais contas

Como a epidemia atinge a todos, os contratos particulares como aluguéis, mensalidades escolares, academias, serviços de beleza, entre outros, podem e devem ser negociados. A recomendação do PROCON-SP é usar o bom senso e a responsabilidade de ambas as partes, para buscar uma relação de ganhos para os envolvidos.

O foco agora é segurar o caixa pelo maior tempo possível, por isso, não tenha medo de pedir um fôlego financeiro neste momento, parcelar os pagamentos e alongar ao máximo seus compromissos, até que tudo volte ao normal. Você pode combinar de seguir pagando uma taxa mínima para garantir o funcionamento do serviço e acertar os débitos ou acessar outros serviços depois que a epidemia passar.

Quem costuma pagar em dia terá mais facilidade e contará com maior confiança dos fornecedores para negociar suas pendências. A dica é não esperar a conta atrasar para ver o que fazer depois. Antecipe-se, procure o proprietário do imóvel ou prestador de serviço para dialogar, colocar as cartas na mesa e buscarem, juntos, uma solução que caiba no seu bolso e não prejudique tanto o bolso do outro.

 

Ajude a manter a economia girando

Neste momento delicado, não se deve tomar decisões radicais como deixar de pagar todas as contas e esperar a onda passar para ver o que fazer. Esta decisão, além de gerar impactos para seu bolso no futuro, certamente irá causar graves consequências na economia. Portanto, se você tem uma reserva para imprevistos ou possui renda para cobrir suas contas durante esta fase, o momento pede consciência, solidariedade e responsabilidade para continuar pagando seus compromissos para manter a economia girando e garantir as condições para que o País possa superar esse momento com sua saúde financeira preservada. Se você pode, fique em casa e pague suas contas.