Uma Iniciativa Febraban

Empreendendo na maturidade

Inspiração e dicas para você ajudar seu pai a começar um negócio

 

No Brasil, a população com 60 anos de idade ou mais cresceu 18,8% entre 2012 e 2017, de acordo com a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada em abril de 2018. São mais de 30 milhões de pessoas nessa faixa etária atualmente no país.

Muitos desses cidadãos são saudáveis, ativos e podem continuar a ter uma vida profissional produtiva por muitos anos. A realidade, contudo, é que é difícil manter-se no mercado de trabalho. A pesquisa Envelhecimento da Força de Trabalho no Brasil, feita pela consultoria PWC em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, revela que apenas 1% dos cargos em mais de uma centena de empresas no Brasil são ocupados por pessoas acima de 65 anos.

Isso acontece porque as organizações não se prepararam, ainda, para a realidade do envelhecimento populacional, criando condições para integrar diferentes gerações no ambiente profissional. Mesmo assim, um grande número de pessoas tem contornado essa realidade com atitude empreendedora, enxergando nessa etapa da vida um novo ciclo de oportunidades.

Seja pela necessidade de completar a renda ou pelo desejo de manter uma ocupação, profissionais seniores se tornam prestadores de serviços na área em que têm conhecimento e experiência. Outros fazem uma guinada de carreira na maturidade, buscando conciliar renda e realização pessoal. E isso significa, muitas vezes, abrir o próprio negócio.

 

Negócio de filho para pai

Em muitos casos, são os filhos quem dão o empurrão para que os pais façam esse movimento. Rubens Augusto Júnior abriu a Patroni Pizza, no bairro do Paraíso, em São Paulo (SP), em 1984, para criar uma ocupação para seu pai que havia entrado em depressão após perder o emprego, aos 50 anos de idade. O ramo de delivery de pizzas ainda era novo no Brasil, mas Rubens apostou nessa ideia.

Juntou suas economias e chamou dois sócios para ter o capital necessário e viabilizar a primeira loja. Seu pai assumiu a frente do negócio e, nos anos seguintes, duas outras lojas foram abertas. Quando seu pai faleceu, aos 70 anos, Rubens decidiu largar a carreira no mundo corporativo para se dedicar à Patroni, que se se tornou uma das maiores redes de franquias de alimentação do país, com mais de 200 lojas espalhadas por 20 estados.

Outro exemplo é o de Ricardo Oliveira, fundador da Like a Boss Barbearia. Ele chamou seu pai aposentado, João Oliveira, para ser o operador de caixa da loja que abriu com um sócio em Goiânia (GO), em 2014. Ricardo trabalhava com o pai desde a adolescência, em uma produtora de vídeos. Quando o negócio fechou, ele planejou ocupar o espaço com um novo empreendimento. E trouxe o pai para trabalhar com ele.

Hoje, a barbearia possui cinco unidades em Goiânia, Belém (PA), Anápolis (Goiás) e Palmas (Tocantins), realizando mais de 10 mil atendimentos ao mês. E já planeja diversificar os negócios com uma linha de artigos masculinos de marca própria, que inclui camisetas, relógios, pulseiras, óculos de sol, carteiras e produtos de beleza.

 

Empreendedorismo na maturidade

Segundo o Sebrae, pessoas acima de 60 anos reúnem características ideais para o empreendedorismo. “Elas têm menos medo dos riscos e apostam na realização pessoal ao abrir um negócio”, afirma o texto da página dedicada ao empreendedorismo sênior no portal do Sebrae.

Para conhecer melhor esse universo, o Sebrae realizou a pesquisa Perfil do Potencial Empreendedor Aposentado, cujos resultados foram divulgados no início de 2018. O estudo revelou que uma em cada dez pessoas que estão próximas à aposentadoria pretende empreender nos próximos dois anos. Desse universo, 50% querem abrir um negócio no setor do comércio e 30% disseram que irão atuar no ramo de serviços.

O motivo alegado pela metade dos entrevistados para empreender foi a necessidade de complementar a renda. Para 21%, a vontade de começar um negócio está relacionada ao desejo de se manterem ocupados após a aposentadoria. Outros 21% afirmaram que a motivação para abrir uma empresa é a necessidade de contribuir com o sustento da família.

A partir dos resultados da pesquisa, o Sebrae lançou a cartilha Empreender na Aposentadoria, que traz dicas de testes que ajudam o interessado em empreender a identificar o seu perfil, ideias de negócios e os primeiros passos para colocar um projeto em prática. Para conhecer outras oportunidades, leia também o relatório Os negócios promissores em 2018, editado pelo Sebrae.

 

Planejamento e organização

Começar um negócio, em qualquer idade, passa por uma reflexão sobre a vocação para se tornar empreendedor e pela descoberta de habilidades e limitações individuais, ou seja, pelo autoconhecimento. Na matéria Quer começar um negócio e não sabe qual?, preparamos um roteiro que ajuda a escolher caminhos para empreender.

Se você vai iniciar essa jornada, ou ajudar alguém próximo, dê uma olhada nos demais conteúdos do Canal do Empreendedor, que traz informações e dicas para ser bem-sucedido no planejamento e na organização de negócios. Conte, também, com o aplicativo Meu Negócio em Dia, uma ferramenta que apoia a gestão financeira de pequenas empresas.




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