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Atualizado em: 12 dez 2019 às 08h e 57m

Quando menos é mais

O que podemos aprender como o minimalismo, movimento que vem ganhando força em diversas partes do mundo


Vivemos em uma sociedade que nos convoca a consumir. O estímulo está em toda parte. Somos expostos a anúncios enquanto fazemos um joguinho no celular, buscas na internet ou acessamos as redes sociais, sem contar as vitrines e outros meios pelos quais as maravilhas do varejo chegam até nós. Como consequências, vêm as compras por impulso, a desorganização financeira e o acúmulo de coisas.

Opondo-se a essa realidade, o minimalismo vem ganhando força em todo o mundo ao propor um estilo de vida em que as pessoas se livram de tudo o que é supérfluo e mantêm apenas o que é essencial para ter uma vida mais leve e feliz. Os minimalistas entraram em cena com uma forte provocação: será mesmo que a gente precisa de tanta coisa? Muitos trocaram seus armários gigantes por um número reduzido de peças, doaram móveis e objetos que não usavam e foram morar nas chamadas tiny houses, pequenas casas, de 20, 30 metros quadrados (ou até menos).

Viver com menos e possuir apenas coisas que façam realmente sentido é uma maneira que essas pessoas encontraram de fugir da lógica do sistema de produção e consumo. Os benefícios mais comuns que elas costumam relatar são ter menos preocupações e não precisar fazer tanto esforço para ganhar dinheiro, podendo dedicar-se mais aos relacionamentos e às causas em que acreditam.


Cuidando do planeta

Existe também uma justificativa ambiental para essa prática. Todos os anos a Global Footprint Network calcula o Dia de Sobrecarga da Terra, data em que o planeta começa a consumir mais recursos do que consegue regenerar em um ano. Em 2019, esse dia caiu em 29 de julho, a data mais antecipada desde que o registro começou a ser realizado.

O movimento minimalista, que surgiu no século XX com iniciativas de arte e cultura, foi impulsionado na digital. Hoje há um grande número de influenciadores minimalistas compartilhando seus hábitos e o que fazem para viver com pouco. Entre os personagens, estão mochileiros e blogueiras de moda que passam meses sem comprar roupas novas, apenas reinventando o que já têm no guarda-roupa. Basta fazer uma pesquisa na internet para encontrá-los.

Fora das redes, pessoas comuns, como nós, também estão aderindo a esse movimento. É o caso de Cecília Diniz, uma educadora de 37 anos, que tem praticado o minimalismo há cerca de dois e já enxerga mudanças significativas em sua vida. “Eu tenho tentado fazer escolhas mais voltadas ao que eu realmente preciso no meu dia a dia. Antes, eu era muito impulsiva, comprava coisas só porque estavam baratas ou em promoção. Comprava um monte de coisas para preencher um vazio, porque eu estava num dia ruim, por exemplo. Era uma fuga ou uma felicidade fugaz”, conta.

Hoje, Cecilia é bem mais seletiva nas compras e reflete muito antes de decidir adquirir alguma coisa nova. “Eu fui criada numa filosofia em que ser bem-sucedida é poder comprar coisas. A parte difícil é mudar um pouco esse pensamento”, reflete. Uma das práticas que a educadora trouxe para a sua vida foi a realização periódica de grupos de trocas de roupas com amigas.

“Já estamos na sétima edição. Fazemos uma limpa no guarda-roupa e nos reunimos na casa de alguém para levar tudo o que não queremos mais usar. A ideia é desapegar. Uma coisa parada no meu armário vai ganhar vida no armário de outra pessoa. Também temos um grupo de WhatsApp e mandamos fotos da bolsa de uma, da saia de outra. As peças que estão paradas voltam a ser usadas, sem precisarmos ir à loja para ter uma coisa nova”, explica.

Cecília não é a única. O documentário Minimalism: A Documentary About the Important Things, disponível no Netflix, reuniu uma série de pessoas com diferentes perfis, que foram entrevistadas sobre como a vida pode ser melhor com menor consumo e menos coisas materiais. A resposta passa por descobrir o que é essencial e realmente importante para cada um.


3 dicas para praticar o minimalismo

  1. 1. Faça uma limpa no guarda-roupa a cada troca de estação

Tire tudo de dentro do armário para ter uma ideia geral do que possui e avalie todas as peças, uma a uma, para decidir o que ainda faz sentido ser guardado e o que vale a pena ser vendido ou doado. Que tal criar um grupo de troca de roupas com as amigas, assim como a Cecília faz?

  1. 2. Planeje suas compras

Se você não saiu de casa para comprar uma coisa, não compre só porque está de passagem. Promoções vão e vêm. Se você realmente precisa de alguma coisa, já faz algum tempo que está pensando nela. Que tal fazer uma lista de necessidades e ficar firme nela?

  1. 3. Pegue mais coisas emprestadas

Um vestido de festa, uma furadeira ou um aspirador de pó. Quantas vezes no ano você usa cada uma dessas coisas? Será mesmo necessário comprar um desses itens exclusivamente para você? Que tal emprestar de algum amigo ou de alguém da família? Ou mesmo criar um grupo para comprar o produto juntos e compartilhar o uso ao longo do ano?




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