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Atualizado em: 12 mai 2020 às 17h e 36m

Trabalhando com vendas online

Como aproveitar a onda de transformação digital para consolidar e expandir seus negócios


A forma de comprar e vender produtos vem mudando no Brasil nos últimos anos, com um crescimento consistente do comércio eletrônico. A pandemia do coronavírus representou um divisor de águas nesse movimento. O fechamento de parte do varejo e o isolamento social para conter a expansão do vírus levaram muitas pessoas a começarem a fazer compras pela internet.

Como consequência, no mês de abril de 2020, o crescimento acumulado das vendas online chegou a 47%, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. Com base na análise de mais de 45 milhões de pedidos feitos em 4 mil lojas virtuais, a entidade identificou os setores cujas vendas foram mais expressivas. Entre eles, estão eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e decoração, artigos esportivos, bebidas, bijuterias, cosméticos, moda e supermercado.

O que se viu nesse cenário foi que, diante do inesperado, muitos empreendedores reinventaram seus negócios para atender seus clientes e continuarem vendendo, mesmo com as portas fechadas. Essa capacidade de se adaptar a cada momento é, justamente, um dos principais fatores de sucesso de quem se lança no desafio de empreender.

Se você ainda não se adaptou, é hora de começar! Veja as dicas para trabalhar com vendas online e aproveitar a onda de transformação digital para consolidar e expandir seus negócios, acessando consumidores em qualquer parte do país.


Conheça seu público

Não importa se você é um prestador de serviços que vai vender horas pelas internet – dando aulas, por exemplo –, o dono de uma borracharia ou faz marmitas para vender. É fundamental descobrir quem é o seu público para direcionar seus esforços de divulgação e escolher os melhores canais de vendas.

Uma pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que quase 75% dos brasileiros estão conectados à internet e, desse total, 97% acessam a web pelo celular. Boa parte para buscar produtos ou lojas.

Outro estudo, o relatório Digital in 2019, da consultoria We Are Social, revela que 66% dos brasileiros (mais de 140 milhões de pessoas) usam ativamente as redes sociais. Entre eles, 96% acessam regularmente o YouTube, 90% o Facebook, 88% o WhatsApp, 79% o Instagram e 66% o aplicativo de mensagens do Facebook.

Ou seja, a população está conectada e, para chegar a ela, você precisa estar bem posicionado no mundo virtual. Mas, afinal, onde vender e de que maneira? A seguir você confere alguns caminhos para fazer isso.


Descubra o melhor lugar para vender

Há basicamente três maneiras de vender online. Você pode escolher um marketplace, montar sua própria loja de e-commerce ou fazer vendas pelas redes sociais. Se você está começando a entrar nesse universo, o marketplace, um tipo de shopping center digital que cede espaço para diversas marcas e lojas, pode ser uma boa opção.

Os marketplaces exigem menos investimentos iniciais e esforços para desenvolver e gerenciar um site próprio, montar um sistema de entregas e preparar os meios que você irá usar para receber pelo seu produto ou serviço. Eles estão lá prontos para você expor o que vende, oferecem aplicativos para a criação de anúncios e possuem sistemas próprios de entregas. Em troca, cobram uma comissão sobre as vendas.


Pesquise marketplaces

Há um grande número de markeplaces, alguns focados em determinados produtos e outros que vendem de tudo. O desafio é descobrir aquele que pode ajudar você a chegar mais facilmente ao seu cliente. Confira alguns deles:

B2W: congrega o marketplace de três grandes lojas: Americanas, Shoptime e Submarino. Juntas, elas recebem mais de 635 milhões de visualizações e 155 milhões de visitas únicas de consumidores a cada mês.

Mercado Livre: possui mais de 320 milhões de usuários cadastrados e soma quase 840 mil transações ao ano. Para atender aos empreendedores, oferece soluções de pagamentos (Mercado Pago), de entregas (Mercado Envios). Você pode anunciar seu produto no varejo ou criar uma loja própria dentro do marketplace para facilitar a divulgação de sua marca.

Magazine Luiza: possui uma plataforma chamada Parceiro Magalu, que oferece um processo de gestão simplificada para que pequenos empreendedores levem sua loja física para o mundo digital. Também facilita o marketing, com um app para criar anúncios e vender para os 24 milhões de clientes do Magalu.

Via Varejo: administra os sites de e-commerce Casas Bahia, Ponto Frio e Extra. Um diferencial é a diversidade de ofertas, que inclui listas de casamento, para atender as 80 milhões de pessoas que visitam suas páginas todos os meses. Além de entregar em casa, possui mais de 9 mil pontos para retirada de produtos, caso o consumidor prefira esta opção.

Vale fazer uma boa busca na internet para conhecer outros grandes marketplaces, como Carrefour e Amazon, e lojas especializadas, como a Centauro (artigos esportivos), Netshoes (calçados), Elo 7 (artesanato e objetos de decoração), GFG (moda, para bebês e artigos esportivos) e MadeiraMadeira (móveis e decoração), entre muitos outros.


Pesquise plataformas para montar sua própria loja virtual

Se você já tem experiência em vendas pela internet e tem um portfólio de produtos bem consolidado, esta pode ser uma opção para você. É importante, primeiro, entender que uma loja virtual, também chamada de e-commerce, não é um simples site para mostrar o que você faz. Ela possui uma série de processos conectados: o cliente vê o produto, escolhe, põe no carrinho de compras, fornece o local de entrega, fecha o pagamento e recebe o produto em casa na data prometida.

Por trás desses processos, há toda uma gestão que precisa ser bem organizada: produção, controle de estoques, entrega (quanto menor o tempo, maior a satisfação do consumidor e maior a chance dele voltar a comprar em sua loja), diferentes opções de meios de pagamentos (boleto e cartões de crédito) e atendimento ao cliente prestado 24 horas por dia 365 dias por ano. Adicionalmente, o empreendedor precisa planejar o marketing, cuidar da segurança dos dados dos clientes, ter sistemas contábeis e financeiros eficazes e uma boa gestão de pessoas.

Hoje, existem muitas plataformas que ajudam o pequeno negócio a montar toda a estrutura de vendas online de forma rápida e eficiente. Algumas delas têm um pacote básico que é gratuito, como Wix, Google Meu Negócio, Loja Integrada, Ebanx Beep, Vhsys e Olist Shops. Elas oferecem templates prontos para criar o site (incluindo imagens), sistemas de otimização de buscas para facilitar que o consumidor encontre o seu produto no Google e demais ferramentas necessárias para o bom funcionamento do e-commerce.


Descubra qual é a melhor rede social para você

A primeira dica é conhecer as diferentes redes sociais e o público que elas alcançam. Feito isso, defina com qual (ou quais) você irá trabalhar, pensando nas pessoas que você pretende atender. Elas estão em qual cidade ou região? Têm quantos anos? Quanto elas têm de renda? Essas são algumas das perguntas que ajudarão você a direcionar seus esforços para a rede social que melhor chegue ao seu público.

Facebook: é a maior rede social do mundo. No Brasil, são mais de 130 milhões de usuários, a metade com idade entre 18 e 34 anos, sendo que 95% acessam o Facebook pelo celular. Possui um marketplace com produtos segmentados por tema, além de grupos de vendas. Você pode usar o sistema de mensagens (Messenger) para se comunicar rapidamente com os compradores. Também pode criar grupos de discussões, fazer lives e enquetes com os usuários.

Instagram: vem registrando um crescimento exponencial e já chega a quase 70 milhões de usuários no Brasil. Apresenta um alto nível de engajamento, ou seja, além de likes, o que você publica pode gerar envolvimento e relacionamento com seus clientes. Segundo a pesquisa Social Media Trends 2020, da SocialBakers, no último trimestre de 2019 o Instagram teve um volume de interações entre usuários vinte vezes maior do que o Facebook. É ideal para mostrar produtos, o cotidiano do negócio, oferecer conteúdo e fazer posts que mostrem o jeito de sua marca.

YouTube: ideal para quem quer ganhar popularidade por meio de vídeos. Você não precisa de equipamentos profissionais para gravar, mas é importante cuidar da qualidade da imagem e do som.

Linkedin: rede voltada ao mercado de trabalho. É um canal interessante para divulgar serviços e consultoria para empresas. É adequada, também, para falar sobre a cultura de sua empresa, projetos, mostrar realizações de seu time e marcos da história de seu negócio.

Twitter: é um tipo de microblog, onde você publica textos curtos, imagens e vídeos com informações sobre o que está acontecendo no momento com você, com seu entorno e com o mundo. É uma rede interessante para acessar pessoas mais ligadas à tecnologia.

Pinterest: é uma espécie de vitrine de ideias sobre diferentes assuntos, de decoração a moda, saúde, bem-estar e artesanato. Além de ser um provedor de referências e ideias, pode ajudar a posicionar o seu produto com destaque nos sites de buscas.


Capriche na comunicação

As redes sociais são ótimas aliadas para fortalecer a sua marca e divulgar produtos e serviços. Conte histórias (de clientes, do uso de seus produtos, da maneira como eles são feitos e assim por diante) e publique conteúdos úteis para as pessoas. Se você vende pijamas, por exemplo, pode fazer um post sobre a importância do sono para a memória e a produtividade. Se vende doces, pode compartilhar receitas. Se vende plantas, oferecer dicas de cultivo para as diferentes estações do ano.

Capriche também na criação dos anúncios que fará no marketplace ou em seu site de e-commerce. Dê atenção especial aos textos e às imagens. Nem pensar em usar fotos com luz estourada, escura ou sem boa resolução. Afinal, a imagem é o principal atrativo na internet.

Além de cuidar do visual, apresente o produto de forma bem clara no título e coloque uma descrição bem detalhada e precisa do que irá entregar: o que é, para que serve, matéria-prima, acabamento, medidas, prazos de validade (se for o caso) e de entrega. Seja franco em relação à entrega e procure fazer o produto chegar ao comprador antes do prazo. Se puder, mande junto um bilhetinho de agradecimento e se coloque à disposição para esclarecer dúvidas.


Divulgue o que você faz em sua região

Durante o período de isolamento social, consumidores conscientes aderiram à compra do comércio local. A ideia desse movimento é fortalecer pequenos empreendimentos do bairro onde as pessoas moram, evitando deslocamentos e facilitando a entrega em domicílio. A tendência é que essa disposição se mantenha após a pandemia.

Um bom jeito de participar desse esforço é divulgando o que você faz em sites que incentivam o comércio local. O Compre do Bairro, lançado no início de abril de 2020 por um grupo de empresários que lideram as empresas Grupo Malwee, Ambev, Magazine Luiza, Grupo Boticário, Embelleze e Stone, oferece capacitação técnica ao pequeno empreendedor e incentiva o comércio local.

Além de cursos em parceria com o Sebrae e a Endeavor, a plataforma oferece aplicativos como o Compre Local, que conecta negócios e consumidores, permitindo fazer pedidos pelo Instagram ou WhatsApp. Ali você cadastra seu negócio para que ele seja identificado por seus vizinhos na hora em que eles forem buscar produtos próximos de casa.




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