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Carne no prato todo dia?

Veja os impactos do consumo de carnes no bolso e na saúde e as dicas para equilibrar o cardápio

 

A rotina frenética de estudos e trabalho levou o designer Diego Moraes a manter, durante sete anos, uma alimentação baseada em congelados e embutidos. Nessa toada, desenvolveu uma série de doenças gástricas e, de olho na saúde, resolveu mudar. Com o apoio de uma nutricionista, decidiu rever sua dieta: reduziu drasticamente o consumo de carne vermelha e aumentou a ingestão de frutas, legumes e hortaliças.

Diego segue uma tendência que vem sendo observada no mundo inteiro: a diminuição do consumo de carnes pelas novas gerações. Um estudo feito pela GlobalData e publicado pela revista americana Forbes revela que 70% das pessoas ao redor do globo têm procurado reduzir e até excluir a carne do cardápio, dando preferência ao consumo de alimentos produzidos pelo solo.

No bojo desse movimento estão iniciativas como a Meat Free Monday (Segunda Sem Carne), lançada em 2009 por Paul McCartney e difundida em muitos países. O convite é substituir o consumo de carnes por vegetais em um dia da semana. No Brasil, a iniciativa foi abraçada pela Sociedade Vegetariana Brasileira e registrou, em 2018, cerca de 67 milhões de refeições livres de carnes nos restaurantes populares Bom Prato, em empresas e escolas públicas que aderiram ao programa. 


Mais saúde e economia

Os objetivos de quem adere à onda e corta o consumo de proteína animal são variados. Como Diego, que perdeu 15 quilos em poucos meses, muitas pessoas fazem essa opção para colocar o corpo e a saúde em dia.

Os benefícios, de fato, são expressivos, segundo Érica de Oliveira da Silva, nutricionista do Hospital 9 de Julho e integrante da equipe permanente do boxe olímpico brasileiro. “Uma dieta com menos carnes e mais vegetais, frutas e grãos integrais, combinada com atividades físicas, pode reduzir em 70% as chances de se desenvolver doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, enfarto e derrame”, diz ela.

Além de prevenir despesas com exames, consultas, medicamentos e hospitais, esse tipo de dieta também influencia os gastos com alimentação. A carne é um dos itens mais caros da cesta básica do brasileiro. Com base em sua experiência clínica, Erica conta que uma simples redução no consumo deste item pode significar uma economia de 20% nas despesas mensais com alimentos. 


Vegetarismo e veganismo

A compaixão e o desejo de não contribuir para maus tratos de animais também são motivações importantes para a turma que decide tirar a carne do prato. O vegetariano, em geral, admite apenas alimentos do solo, mas há adeptos dessa corrente que aceitam ovos, leite e derivados e peixes.

É o caso da fotógrafa Rachel Guedes que, devido à sua paixão pelos bichos, deixou de comer carne vermelha e frango há três anos. “Costumo dizer que sou 'peixetariana'”, conta. Já o veganismo é uma versão mais radical, que vai muito além da exclusão dos produtos de origem animal do cardápio. Esse grupo não costuma inclusive usar produtos que envolvem a exploração animal, como o mel e a seda. 


A carne e o meio ambiente

Outro fator que tem influenciado o comportamento em relação ao consumo de carne é a preocupação com o impacto negativo da produção da carne no meio ambiente. Isso porque a atividade pecuária, em muitos casos, gera desmatamento, mau uso e degradação de pastagens, manejo inadequado do solo, queima de vegetação e outros fatores que influenciam o aquecimento global e as mudanças climáticas. Saiba mais nesta matéria da Embrapa. 


Dicas e cuidados

Se você pretende mudar seus hábitos alimentares, independente de quais são suas motivações, é importante se preparar. Veja 7 dicas e orientações elaboradas com o com o apoio da  nutricionista Érica de Oliveira da Silva.

 

O abandono da proteína animal é um dos maiores motivos de insegurança de quem busca uma transição alimentar. Segundo Erica, a carne vermelha tem funções muito importantes no corpo humano, como a construção de músculos, ossos, tecidos e sistema imunológico. “É um alimento rico em proteínas, ferro, zinco e vitamina B12 e promove a absorção eficiente desses nutrientes pelo organismo”, pondera.

Mas, para atender nossas demandas nutricionais, nós não precisamos comer carne todos os dias. “O recomendado é que as mulheres consumam duas vezes por semana e os homens, apenas uma. Assim já conseguirão alcançar as taxas esperadas de nutrientes”, explica a nutricionista.

Já para quem pretende excluir totalmente a carne da alimentação, a recomendação é que o alimento seja gradativamente substituído por preparos à base de ovos e leite, por exemplo. Segunda Erica, quem quer se tornar vegano precisa, antes, buscar o acompanhamento de um profissional especializado em nutrição.

 

Ao diminuir o consumo de carne vermelha é preciso adicionar alimentos ricos em proteína e demais nutrientes.

Veja os principais substitutos:  

 


Qualquer tipo de transformação alimentar passa pela predisposição em montar um cardápio, o que inclui uma rotina semanal de idas a feiras, hortifrutis e mercados. Isso porque essa transição só funciona bem se os alimentos estiverem à mão quando chegar a hora de comê-los, evitando, assim, possíveis deslizes.

O ideal é que você tire um período para decidir e anotar tudo o que irá comer em cada refeição ao longo da semana. Em seguida, faça a lista dos itens e procure comprá-los com antecedência. Para facilitar, use nossa lista de compras e reserve um tempo para preparar as refeições.

Para economizar na compra de grãos, sementes e cereais, prefira as opções a granel, que podem ser encontradas em alguns mercados e zonas cerealistas. Descubra aqueles da sua região. Frutas e legumes da estação também são mais frescos e mais baratos. Quando possível, prefira alimentos orgânicos.

 

Quebrar paradigmas nem sempre é um processo simples: ele requer que você tenha força de vontade para colocar em xeque crenças e ideias preconcebidas, como “não consigo”, “isso não é para mim”, “não vou ter tempo”. Há ainda aqueles hábitos recebidos como herança cultural: para muitas famílias, arroz, feijão e bife continuam sendo a única opção.  

Quando percebeu que seus hábitos poderiam levá-lo para uma situação mais grave de saúde, Diego resolveu encarar a situação. “Num dia, eu tomei meu café da manhã normal, com café com leite, pão, presunto e queijo. No outro dia, eu já estava tomando vitamina verde com couve, banana, maçã, gengibre, limão, hortelã. E comendo torrada com abacate e limão”, conta.

 

Essa é a dica da Dra. Erica para aqueles que querem fazer uma transição alimentar mas não gostam de cozinhar. Isso porque qualquer dieta balanceada demanda não só o planejamento, mas também o preparo adequado e constante das refeições. Para quem está preocupado em manter o bolso em dia, nem sempre é viável comprar 100% das refeições prontas.

Você não precisa ter em casa ingredientes caros, usados em programas de culinária da televisão e que nem sempre são fáceis de achar. Dá para começar com o que se tem na geladeira ou é facilmente encontrado na feira. Para fazer um espaguete de abobrinha, você só precisa da abobrinha, molho de tomate, sal e salsinha, por exemplo.

Reconsiderar a resistência em se aproximar da cozinha, buscando entender como os pratos são feitos, pode ser saudável, econômico e divertido. Dê o primeiro passo. Você pode se surpreender.

 

É importante fazer uma visita aos restaurantes próximos de sua casa ou trabalho para descobrir quais deles oferecem os alimentos da sua dieta. Esse mapeamento permite que você crie o hábito de ir apenas aos lugares alinhados a seus objetivos, fazendo com que você não caia em tentação naqueles dias de correria. Dê preferência aos “self services”, que têm mais variedades e você pode controlar a quantidade. Diminuindo a carne, você já sentirá a economia na balança.  

 

Alimentação saudável não é sinônimo de falta de sabor. Muito pelo contrário. Justamente por ser um assunto da moda, não faltam sites e canais no YouTube onde você pode encontrar receitas vegetarianas ou veganas de dar água na boca.

O Comida Saudável Pra Todos, por exemplo, coloca os ingredientes na ponta do lápis e ensina seus seguidores a fazerem preparos muitos gostosos que custam até R$ 10. Outras receitas bem interessantes, que vão além do arroz com feijão, podem ser encontradas no Tastemade, EscolhaVeg, PapaCapim, Presunto Vegetariano e Laboratório dos Sentidos





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