Como enxugar a fatura em 2025

Veja dicas de como reduzir gastos, inclusive no cartão de crédito, e mude alguns hábitos para manter o bolso em dia, poupar e não entrar em dívidas

Organizar as finanças

/ 10 Fev 2025 / 6 min. leitura
Organizar os gastos em família é um excelente caminho para enxugar despesas

Já parou para pensar que você pode estar desperdiçando dinheiro sem perceber? Ou vivendo de uma maneira que não se encaixa em sua renda mensal, o que dificulta guardar dinheiro para realizar seus projetos? Pois é. Para complicar, em tempos de alta da inflação é ainda mais desafiador manter as finanças em dia.

Mas, com planejamento e algumas mudanças de hábitos, é possível reduzir os gastos para chegar ao final do ano com mais tranquilidade. Aqui vão algumas dicas práticas para enxugar ou até eliminar despesas, controlar melhor o cartão de crédito e praticar o consumo consciente em 2025. 

Avalie seu local de moradia

Os custos de morar em uma região específica podem impactar significativamente o orçamento. Trocar um bairro caro por outro mais acessível ou mudar para uma cidade com custo de vida menor pode trazer economia. 

Denize, uma profissional autônoma de São Paulo, economizou R$1.500 por mês ao trocar um apartamento em uma região central por outro em um bairro um pouco mais afastado, sem abrir mão da qualidade de vida. “Economizei em vários itens do dia a dia, desde o pãozinho até a escola do meu filho, só por mudar para um local que fica a três estações do metrô mais distante do centro do que o bairro anterior. Vivo um pouco mais longe do trabalho, mas como o metrô fica perto, a rotina não mudou muito.”

Planeje um padrão de vida que caiba no bolso

Viver além das possibilidades é uma armadilha que drena nossos recursos muito rapidamente. Analise suas contas e veja se seu padrão de vida cabe no seu bolso, antes de se comprometer com gastos que não poderá honrar.

Ter um padrão de vida sustentável não significa apenas evitar dívidas, mas também garantir um orçamento equilibrado, com espaço para imprevistos e para planejar as próximas conquistas.

Por isso, é preciso ficar atento a alguns sinais que podem representar risco de endividamento: o salário se esgota antes do próximo pagamento, você precisa recorrer ao crédito atrelado à conta corrente (antigo “cheque especial”) ou parcelar a fatura com frequência, não tem uma reserva ou margem para emergências. 

Pequenos ajustes nos hábitos de consumo podem fazer diferença, como reavaliar assinaturas e serviços, repensar a frequência no uso de aplicativos de entrega de refeições e buscar alternativas mais econômicas para despesas essenciais.

Um bom ponto de partida é colocar todas as contas na ponta do lápis e identificar onde há espaço para cortes ou otimizações. Dessa forma, você garante um padrão de vida mais confortável e alinhado às suas reais condições financeiras, sem abrir mão da tranquilidade e da segurança.

Controle-se para comprar apenas o necessário

Aprenda a perceber os gatilhos e parar de comprar por impulso

Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 60% dos consumidores admitem comprar por impulso pela internet. O comportamento consumista, muitas vezes, está ligado a fatores emocionais, como estresse, ansiedade ou euforia.

Ofertas-relâmpago, descontos exclusivos, notificações incessantes e e-mails promocionais são algumas das estratégias utilizadas pelo varejo para estimular o consumo imediato. Moda e vestuário estão entre os campeões das compras por impulso, mas eletrônicos, utensílios domésticos e até serviços por assinatura entram nessa lista.

O desafio de resistir a esses estímulos fica ainda maior em períodos sazonais, como datas comemorativas e liquidações, quando a sensação de urgência pode levar a decisões precipitadas. Para se proteger, uma boa estratégia é colocar o produto no “carrinho de compras” e tomar um tempo para pensar antes de finalizar o pagamento. Pergunte-se: eu realmente preciso disso? A compra cabe no meu orçamento? Esse tempo para reflexão pode ser suficiente para evitar gastos desnecessários.

Outra dica é mapear os principais gatilhos de consumo e criar mecanismos para contorná-los. Se as notificações frequentes de promoções são um problema, desativá-las pode ajudar a reduzir o impulso. Criar um planejamento financeiro detalhado, definir limites de gastos e evitar compras em momentos de instabilidade emocional também são hábitos eficazes para recuperar o controle e fazer escolhas mais conscientes. 

Fuja de parcelamentos que não caibam no orçamento

Parcelar compras pode ser tentador, mas comprometer uma parte significativa da renda com parcelas é perigoso. O grande problema está na ilusão de que o valor da parcela cabe no bolso, sem considerar o impacto do acúmulo de várias prestações ao longo dos meses. Quando se percebe, boa parte da renda já está comprometida, e o orçamento fica engessado. 

Outro risco é o parcelamento da própria fatura do cartão de crédito. O crédito rotativo do cartão costuma ter uma das taxas de juros mais altas do mercado. No fim das contas, o segredo é usar o crédito de forma consciente e lembrar que limite disponível na conta corrente não significa dinheiro extra. O parcelamento deve ser um recurso estratégico, não um hábito. Afinal, ter liberdade financeira significa não depender do próximo pagamento para manter as contas em dia.

Cuidado com as armadilhas dos jogos de azar

Apostar pode comprometer as finanças e o emocional 

Você sabia que mais de 85% das pessoas que fazem apostas online estão endividadas? Jogos de azar podem parecer uma forma rápida de ganhar dinheiro, mas na maioria das vezes, os apostadores saem perdendo. 

Um estudo feito por economistas de um banco e divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo, estima que os brasileiros tiveram um saldo negativo de R$23,9 bilhões em apostas online entre junho de 2023 e junho de 2024. No total, foram gastos R$68,2 bilhões, mas apenas R$44,3 bilhões retornaram como prêmios — um desequilíbrio que evidencia o risco financeiro desse tipo de atividade. 

Além do impacto no bolso, as apostas podem afetar diretamente a saúde emocional. Muitos jogadores apresentam aumento da ansiedade, estresse e até mudanças de humor repentinas. O problema se agrava quando a necessidade de recuperar o dinheiro perdido leva a novas apostas, criando um ciclo difícil de quebrar. O resultado? Dívidas crescentes, restrição de crédito e um orçamento cada vez mais comprometido.

Antes de apostar, tente enxergar a situação de outra forma: se um desconhecido lhe pedisse dinheiro prometendo que devolveria uma quantia maior, mas sem nenhuma garantia, você aceitaria? No fundo, é exatamente isso que acontece com as apostas: você entrega um valor certo em troca de uma possibilidade incerta. 

Em vez de arriscar, um caminho mais seguro e vantajoso é direcionar esse dinheiro para uma reserva de emergência ou para um investimento que, ainda que modesto, traga ganhos reais e previsíveis. Se as apostas já fazem parte da sua vida, defina  um limite rígido para evitar prejuízos maiores. Mas se o jogo deixou de ser apenas entretenimento e passou a comprometer seu emocional e financeiro, é importante buscar ajuda. 

Pague as contas em dia

A inadimplência leva a juros altos e transforma pequenas dívidas em grandes problemas. Os impactos do atraso vão além das multas e juros. Dívidas acumuladas podem levar à negativação do nome, dificultando o acesso a crédito no futuro. Além disso, viver constantemente no vermelho gera um peso emocional considerável, trazendo estresse e ansiedade. 

Para evitar esse cenário, o ideal é adotar estratégias que facilitem o cumprimento dos prazos. Encontre maneiras de se lembrar dos vencimentos, como o débito automático que pode ser um grande aliado para contas fixas, como água, luz e internet; outra opção é configurar alertas e lembretes no celular ou utilizar aplicativos de organização financeira para acompanhar cada vencimento. 

Criar um calendário financeiro para 2025, listando todas as obrigações mensais, também pode ajudar a visualizar melhor os compromissos e manter o controle.

Saiba como renegociar dívidas rapidamente

Não espere o tempo passar. Se estiver com dificuldades financeiras, busque renegociar suas dívidas o quanto antes, para evitar que elas se transformem em uma bola de neve.  Uma boa dica é aproveitar o Mutirão de Renegociação de Dívidas realizado pelos bancos e financeiras duas vezes ao ano, nos meses de março e novembro.

Antes de abrir a negociação, o primeiro passo é entender exatamente a situação: você está apenas endividado (tem compromissos financeiros pendentes), inadimplente (com pagamentos atrasados) ou superendividado (quando a renda já não cobre as despesas básicas)? Esse diagnóstico ajuda a definir a melhor estratégia para sair do vermelho.

Em seguida, faça seu orçamento: note as entradas de saída de dinheiro para entender sua real capacidade de pagamento e defina um valor que será reservado todo mês para quitar as parcelas da negociação. Com essas informações em mãos, entre em contato com os credores.

Evite desperdício de alimentos

Economize ao cozinhar mais para você e sua familia

Para a maioria das famílias brasileiras, os gastos com alimentação pesam bastante no orçamento. Segundo o IBGE, cerca de 17,5% da renda mensal é destinada à alimentação – o que, em um lar com renda média de R$5.400, pode significar quase R$1.000 todo mês só com comida.

Com os preços cada vez mais altos, desperdiçar comida é o mesmo que jogar dinheiro no lixo. Para evitar prejuízos e ainda aproveitar melhor os alimentos, algumas atitudes simples fazem toda a diferença:

  • Planeje suas compras: Faça uma lista antes de ir ao mercado e compre apenas o necessário, evitando exageros e desperdícios.
  • Armazene corretamente os alimentos: Frutas, verduras e grãos podem durar muito mais tempo se armazenados corretamente.
  • Aproveite integralmente os ingredientes: Cascas, talos e sobras podem ser reaproveitados em novas receitas nutritivas e saborosas.
  • Cozinhe porções adequadas: Preparar apenas o necessário reduz o descarte de comida e evita gastos desnecessários.
  • Compare preços e busque alternativas econômicas: Alimentos da estação e compras em feiras ou mercados atacadistas podem representar uma grande economia.

Com pequenos ajustes no dia a dia, é possível garantir refeições saudáveis, reduzir desperdícios e economizar uma boa quantia ao final do mês.

Planeje-se para presentear sem sustos

Celebrar datas especiais é um momento de afeto com quem amamos, mas sem planejamento, os gastos com presentes podem se transformar em um grande peso no bolso. 

Com tantas ocasiões ao longo do ano – como aniversários, Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais e até pequenas lembranças em datas como Páscoa e Dia das Crianças– o risco de extrapolar os gastos é alto. Para evitar surpresas desagradáveis nas contas, a chave é se organizar com antecedência.

Uma estratégia eficiente é criar uma “caixinha dos presentes”, reservando mensalmente um pequeno valor específico para essas ocasiões. Assim, você distribui os gastos de forma equilibrada e evita parcelamentos que comprometam o orçamento. Definir um limite para cada presente também é essencial: estipule valores realistas e adequados à sua situação financeira.

Se a criatividade permitir, presentes caseiros podem ser uma alternativa carinhosa e econômica. Outra possibilidade é investir em experiências: um passeio no parque, uma ida ao cinema ou uma atividade em família pode ter um impacto muito mais especial do que um presente material.

Além disso, escolher itens úteis e duradouros pode agregar valor ao presente. Jogos educativos, livros e brinquedos que estimulem a criatividade são opções que, além de entreter, podem ensinar sobre consumo consciente e educação financeira.

Como reduzir gastos no cartão de crédito

Saiba como reduzir os gastos do cartão de crédito

O cartão de crédito pode ser um grande aliado, mas é preciso usá-lo com sabedoria. Além de manter o olho na fatura, atentar-se a custos adicionais com anuidades, tarifas e outros encargos mensais pode fazer toda a diferença. Veja outras dicas.

Pague a fatura sempre em dia

É interessante alinhar o pagamento da fatura do cartão com a data de recebimento do seu salário. Assim, quando o salário cair na conta, o pagamento já estará garantido e você não correrá o risco de utilizar o dinheiro de outra maneira. Além disso, os bancos oferecem a opção de débito automático, o que garante que a fatura será paga sem que você precise se preocupar. 

Controle os gastos no cartão

Entenda seu padrão de gastos e use o cartão apenas para o que é realmente necessário, e sempre dentro do seu limite de orçamento. Se você perceber que está gastando demais em compras desnecessárias, é hora de reavaliar e ajustar. Além disso, aplicativos como o Minhas Economias e o Mobills podem ajudar a manter o controle e a visualizar todos os gastos em tempo real. Assim, você poderá tomar decisões mais conscientes e evitar surpresas no fim do mês.

Limite do cartão não é dinheiro na mão

Mesmo que seu limite tenha sido aumentado, o ideal é que os gastos do cartão de crédito fiquem abaixo de 30% de sua renda líquida (o valor que você efetivamente recebe todo mês). Só vale ultrapassar esse limite em situações excepcionais, como a compra de um item urgente ou essencial. 

Revise a fatura do cartão de crédito

Revisar a fatura do cartão de crédito com frequência é um passo simples, mas que ajuda a evitar surpresas e a manter sua saúde financeira. Ao fazer isso, você consegue identificar gastos inesperados, cobranças indevidas ou até mesmo serviços que você não usa mais, mas ainda está pagando.

Identifique e reduza gastos invisíveis 

Como identificar gastos invisíveis e economizar no dia a dia

Pequenos gastos diários podem parecer inofensivos, mas, quando somados ao longo do mês, representam um impacto significativo no orçamento. O primeiro passo para evitar que essas despesas comprometam suas finanças é mapear onde o dinheiro está indo. Planilhas, aplicativos de organização financeira ou até uma simples anotação no celular ajudam a visualizar padrões de consumo.

Impactos do delivery e dos aplicativos de transporte

A conveniência de pedir comida em minutos ou chamar um carro com um toque na tela é tentadora, mas pode sair caro se não houver controle. Por isso,  ao invés de eliminar esses serviços por completo, o ideal é definir um valor máximo para esse tipo de gasto. Por exemplo, se seu orçamento permite um limite diário para transporte, você pode equilibrar o uso de aplicativos com outras alternativas, como transporte público ou caronas.

No caso da alimentação, a solução pode estar na cozinha de casa. Preparar suas próprias refeições não apenas reduz os custos, como também possibilita uma alimentação mais saudável. Pequenas mudanças de hábito, como levar um lanche caseiro para o trabalho ou cozinhar em maior quantidade para congelar porções, ajudam a diminuir a frequência dos pedidos por delivery.

Aproveite o cashback, mas nada de exagerar

Cashback pode ser uma forma de fazer economia, mas é preciso fazer um uso inteligente desse recurso. O sistema devolve parte do valor gasto em compras, como crédito, dinheiro na conta ou bônus para compras futuras. No entanto, o risco está em gastar mais do que o necessário apenas para "ganhar" o benefício.

Por isso, a dica é fazer apenas compras planejadas e comparar preços antes de fechar qualquer negócio — nem sempre a loja com cashback oferece a melhor oferta. Além disso, fique atento às regras de cada programa, pois valores mínimos para resgate e prazos de expiração podem limitar o uso do dinheiro de volta. O segredo é encarar o cashback como um extra, e não como um motivo para consumir mais.

Organize suas finanças semanalmente

Reserve alguns minutos da semana para revisar seu orçamento, acompanhar despesas e ajustar metas financeiras. Esse hábito simples evita surpresas e ajuda a manter o controle. Baixe a planilha de orçamento pessoal e familiar e comece o ano controlando seus gastos.

Com essas dicas, você pode ajustar suas finanças de forma eficiente, reduzir gastos e construir uma reserva para imprevistos. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença!