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Atualizado em: 01 abr 2020 às 10h e 49m

Coronavírus: é hora de investir ou trocar de aplicação?

Veja o que fazer com seu dinheiro nesse momento de incertezas


Em meio aos cuidados com a saúde, a descoberta de novos hábitos para lidar com a quarentena e a preocupação com as contas do próximo mês, surgem as dúvidas sobre o que fazer com o dinheiro que já está investido ou com a quantia que vai entrar e que pode ir para alguma aplicação.  Tomar decisões sobre investimento nesse momento gera uma série de preocupações. Confira algumas orientações que podem ajudar você a fazer suas escolhas nesse momento.


Para quem já tem dinheiro aplicado

Antes da pandemia, vivíamos uma fase de queda de juros, que estava levando as pessoas a trocarem aplicações mais conservadoras, como poupança, tesouro Selic e fundos DI por outras mais arriscadas, como fundos imobiliários e ações, com a promessa de receber retornos melhores.

Aí está o maior equívoco na hora de selecionar investimentos: escolher apenas pela rentabilidade. O ideal é diversificar, mantendo sempre uma reserva de dinheiro guardado em aplicações que você pode sacar para uso imediato, mesmo que elas tenham uma rentabilidade menor. São elas que irão socorrer o investidor nas incertezas e imprevistos. E investir apenas uma parte dos recursos em aplicações de maior risco.

Ações: se você não tomou esse cuidado e acabou trocando investimentos conservadores por outros mais arriscados, como ações, por exemplo, esse momento pede muita cautela. Isso porque o Ibovespa, índice que mostra a cotação média de preços das ações negociadas na bolsa de valores, que já esteve em 120 mil pontos, chegou a cair aos 55 mil pontos. O Ibovespa oscila diariamente e pode ter quedas significativas de uma hora para outra. Por isso, se você não precisa do dinheiro que está investido em ações, o ideal é não vender papéis nesse momento, porque você pode perder dinheiro.

Fundos de alto risco: o mesmo ocorre com fundos imobiliários, fundos multimercados e outras aplicações de alto risco. A probabilidade de terem resultado negativo nesse momento é muito alta. Por isso, a recomendação é não mexer no dinheiro aplicado e aguardar a “onda” passar, quando provavelmente a economia voltará a reagir e a rentabilidade dessas aplicações voltará a subir.

Aplicações conservadoras: caso sua renda tenha caído e você precisa de dinheiro para pagar as contas do dia a dia, deve sacar de aplicações como a poupança, o Tesouro Selic, os CDBs de liquidez diária ou os fundos DI. Se não tiver aplicações desse tipo e todo seu dinheiro estiver em aplicações mais arriscadas, se precisar utilizá-lo, infelizmente terá algum prejuízo. Caso você tenha comprado dólares, talvez seja o momento de aproveitar a alta para vender e realizar algum lucro.


Para quem está planejando investir

Para quem recebeu algum recurso extra, como participação nos lucros ou saque de contas inativas do FGTS, por exemplo, a recomendação é primeiro olhar sua reserva de emergência, ou seja, o dinheiro que você tem aplicado em poupança, tesouro Selic, fundo DI ou CDB com liquidez diária. Se o montante for menor do que o suficiente para bancar suas despesas por seis meses, o ideal é investir em aplicações conservadoras, para reforçar sua retaguarda nos próximos meses.

Mesmo que sua reserva de emergências seja suficiente para cobrir seus gastos por pelo menos seis meses, vale a pena separar uma parte do dinheiro para essa finalidade. A outra parte pode ser usada para aproveitar possíveis oportunidades, como a compra de ações e títulos de fundos imobiliários que agora estão mais baratos. Relembrando: é fundamental usar aquele dinheiro que você não irá necessitar nos próximos meses, pois esses investimentos ainda podem oscilar muito. Uma forma de evitar assumir tanto risco pode ser a compra de cotas de fundos de ações, pois as decisões são tomadas por gestores experientes.

Outra opção interessante pode ser a compra de bens móveis (carros, máquinas e equipamentos, por exemplo). Nesse momento, as pessoas que não têm reservas podem querer se livrar de bens para pagar suas contas e isso pode trazer oportunidades para quem tem dinheiro na mão de adquirir bens por preços mais em conta e depois vendê-los. Lembre-se que essa fase pode durar um longo tempo, e você terá que esperar se quiser ter lucro.

Se você tem uma cota de consórcio ativa, um dinheiro extra pode ser bem-vindo para ofertar lances mais baixos, já que a maioria das pessoas irá segurar seu dinheiro e as ofertas de lance tendem a cair. Se for contemplado, poderá liberar a carta de crédito e comprar automóveis ou imóveis com valores mais acessíveis, em um momento de baixa.


Cuidados e precauções

Independente do que você decidir sobre seus investimentos, leve em conta alguns cuidados que são importantes em qualquer momento, em especial neste cenário de incertezas.

Tome suas decisões com base em seus objetivos de curto, médio e longo prazo: independentemente do que acontece no mundo, suas decisões de investimento devem refletir seus sonhos e metas. Avalie a finalidade de cada aplicação para garantir que seus objetivos sejam atingidos.

Observe a liquidez dos investimentos que você escolher: alguns fundos de ações e multimercado exigem de 30 a 60 dias para o resgate. Nesse momento, é fundamental garantir que você possa transformar suas aplicações em dinheiro vivo, para pagar as contas básicas nos próximos meses. Só faça esse tipo de aplicação se sua reserva de emergências estiver garantida.

Diversifique: mais do que nunca, é perigoso apostar todas as fichas em um único produto, pois todos os mercados estão oscilando bastante. Procure separar o dinheiro em diferentes aplicações, uma parte em renda fixa, outra em fundos e outra em renda variável, como ações, ouro, dólar e outros ativos de risco. Não coloque todos os ovos na mesma cesta.

Compre aos poucos: se você pretende comprar ações, não corra para comprar tudo de uma única tacada. Distribua suas compras nos próximos meses, para aproveitar os momentos de baixa, pois o mesmo preço que parece barato hoje pode ser caro amanhã. As oscilações são diárias, então movimente-se devagar e escolha empresas sólidas, com marcas fortes e estrutura para suportar a crise e voltar a crescer nos próximos anos.

Cuidado com soluções mágicas: nestes momentos, é muito comum aparecerem oportunistas querendo oferecer ‘lucro certo’, dinheiro rápido e alto retorno. Desconfie de receitas de bolo e soluções milagrosas, pois todos estamos vivendo incertezas, não há como prometer nada a ninguém.

Não tenha medo do mercado financeiro: muitas pessoas tendem a ficar desconfiadas do sistema e retirar suas economias dos bancos para guardar em casa, com medo de que o pânico possa afetar seus investimentos. O sistema financeiro brasileiro é sólido, o governo está tomando medidas para que os bancos possam liberar recursos para o mercado e a economia brasileira tem reservas suficientes para socorrer empresas e pessoas físicas nesta crise, portanto não há motivo para desespero ou ações irracionais.

Fique em casa e preocupe-se apenas em cuidar de sua saúde e de sua família.




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