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Mulheres de fibra

5 histórias de superação para inspirar você a dar a volta por cima


Mônica, Ana Paula, Maria Elita, Jamile e Maria do Socorro passaram por perrengues e transformações incríveis. Em suas histórias se entrelaçam desafios presentes na vida de qualquer mulher, como a maternidade, separação, mudança de carreira, busca de propósito, realização, autonomia financeira e felicidade. Elas enfrentaram todo tipo de dificuldade e, com muito empenho e determinação, deram a volta por cima e conseguiram se colocar no controle de suas vidas. Leia e inspire-se nas histórias de superação dessas cinco mulheres.


Mônica começou a trabalhar aos 15 e enfrentou uma batalha danada para conseguir fazer a faculdade que sonhava: educação física. Chegou a iniciar outro curso, mais acessível, mas desistiu. Quando finalmente entrou em educação física, dificuldades financeiras a fizeram tomar a decisão de interromper os estudos. No ano em que ia retomar, o dinheiro curto a colocou diante de uma escolha: o casamento ou os estudos. Casou-se aos 26 anos e só um tempo depois conseguiu voltar à faculdade e se formar. Já no último ano, foi trabalhar como estagiária no SESC. Um tempo depois, prestou concurso e foi efetivada como professora da instituição.

Ela e o marido seguiram juntos por alguns anos e, nesse período, Mônica se acomodou a um estilo de vida mais pacato. Para manter a dinâmica da relação, acabou abrindo mão de coisas que gostava de fazer, como dançar, conhecer pessoas e sair com amigos. “Num determinado momento, eu comecei a me dar conta de um vazio existencial que estava escondido atrás do casamento”, conta.

Nesse turbilhão, Mônica conheceu a dança circular, um movimento que possibilita vivenciar, de mãos dadas em um círculo, a cooperação, a meditação e o autoconhecimento, ao som de músicas tradicionais e contemporâneas de diferentes culturas. “As danças me ajudaram a entrar em contato com esse vazio e iniciei um processo de resgate de mim mesma. Comecei a entender que não fazia sentido estar casada e infeliz”. Aprofundando esse movimento, ela decidiu fazer alguns tratamentos terapêuticos na Comunidade Inkiri Piracanga, na Bahia.

Ali, além de encontrar a força que precisava para se separar, ela tomou conhecimento de uma comunidade que estava se formando em São Paulo. Na volta, foi conhecer o projeto e decidiu participar da Comunidade Dedo Verde, com outras pessoas que faziam parte do universo da dança circular. Durante algum tempo, ela e os demais integrantes da comunidade trabalhavam fora e, pouco a pouco, foram elaborando atividades – cursos de dança, imersões terapêuticas e outras – que começaram a propiciar geração de renda.

Em 2015, Mônica tomou outra decisão difícil: abandonou o emprego estável e bem remunerado para se dedicar às danças e às atividades da comunidade. Tornou-se uma microempreendedora individual e passou a trabalhar como personal trainer e a dar aulas de dança e pilates e treinamentos a pessoas que querem se tornar focalizadores de danças circulares, junto com outros integrantes da comunidade.

“Tenho aprendido a seguir meu coração e a buscar as coisas que fazem sentido para mim, me trazem realização e estão alinhadas ao meu propósito de vida. Para fazer a diferença no mundo, preciso cuidar da minha felicidade.” Quando concedeu esta entrevista ao Meu Bolso em Dia, Mônica estava passando uma temporada em Rishikesh, na Índia, acompanhando o trabalho do mestre espiritual Sri Prem Baba (na foto acima, ela está às margens do rio Ganges).


Ana Paula foi mãe aos 41 anos. A maternidade tardia foi uma escolha consciente, porque ela não conseguia se ver como mãe e achava difícil “encaixar” uma criança em sua corrida rotina. Quando se casou, aos 32 anos, já era executiva em uma empresa multinacional, tinha uma pós-graduação, um apartamento próprio, enfim, uma vida estabelecida. Aos 38 anos, teve um problema de saúde e acabou perdendo um dos ovários.

Foi então que sentiu o tic-tac do relógio biológico se acelerar e decidiu rever suas prioridades. Era a hora de ser mãe. Fez alguns tratamentos para engravidar e, em agosto de 2014, nasceu a Maitê (com ela na foto acima). “A partir do nascimento da Maitê, reconheci em mim novas forças, fragilidades e, acima de tudo, descobri e acolhi minha feminilidade”, conta. Passou, então, a olhar para algumas questões.

A primeira delas foi a obesidade. Contando com acompanhamento especializado durante sete meses, conseguiu emagrecer 27 quilos. Outro aspecto ao qual deu atenção foi a organização financeira. Apesar de ter um ótimo salário e gratificações, muitas vezes gastava mais do que ganhava e poupava menos do que poderia. Procurou uma consultoria financeira especializada e, com orientação, foi conseguindo se planejar para fazer um melhor uso do dinheiro.

Em janeiro de 2017 ela e o marido decidiram se separar e no mês seguinte Ana Paula foi desligada da empresa. Foi então que veio outra grande mudança: ela decidiu abandonar a carreira consolidada e, em vez de correr ao mercado de trabalho, tornou-se empreendedora. Criou a plataforma digital TrustMe, uma rede de acolhimento e apoio à mulher no dia a dia. “Eu trabalhava sem propósito, em um mundo masculino, em que as mulheres ainda precisam conquistar espaço, e ainda assim, fui muito bem-sucedida. Com a maternidade, comecei a fazer uma nova construção do meu eu”, afirma.

A TrustMe será lançada em abril de 2018 como um espaço democrático, voltado a mulheres de todas as classes sociais. As ferramentas incluem um espaço em que as mulheres poderão indicar e descobrir fornecedores de produtos e serviços, a TrustMe Abraça, que irá mobilizar a rede para apoiar instituições beneficentes, e a TrustMe Conte Conosco, que dará suporte a mulheres empreendedoras. No futuro, a plataforma terá também um brechó online para a venda, compra e troca de objetos, incentivando a economia colaborativa. “Nem sempre é um caminho calmo, tranquilo, são vários os altos e baixos, mas o importante é saber que eu posso seguir aprendendo e me transformando. E isso é libertador!”.


Desde criança, Maria Elita é conhecida pelo nome de Branca. Ela estudou até a 5ª série do ensino fundamental, quando saiu da cidade de Fortim, no Ceará, e se mudou para São Paulo para trabalhar em uma casa de família. Casou-se aos 18 anos e, depois que sua primeira filha nasceu, foi morar com a família em Franco da Rocha (SP). Ela teve outros dois filhos e, entre uma maternidade e outra, trabalhou no comércio e atuou em frentes de trabalho do governo, na área de limpeza de escolas públicas.

Não teve a oportunidade de retomar os estudos, mas sempre batalhou para que as crianças tivessem uma história diferente. Na casa da Branca, a escola sempre foi a prioridade número 1. “Queria ver meus filhos estudando para terem uma vida melhor. Esse sempre foi meu sonho”, diz. Para aumentar a renda da família e garantir que os filhos seguissem a vida escolar, Branca começou a fazer bolos, que eram vendidos, aos pedaços, em empresas da vizinhança e no centro de Franco da Rocha.

Para incrementar os negócios, passou a oferecer também lanches e, um pouco mais tarde, marmitas. Preparava em casa, colocava tudo em uma sacola e saia para vender na região. Hoje ela tem 49 anos e continua atuando no ramo. Só que, agora, produz alimentos sob encomenda, o que facilita bastante porque não precisa ir de porta em porta atrás de compradores. Os clientes vêm até ela. Diariamente, acorda bem cedo e vai direto para a cozinha preparar refeições para entregar.

Com esse trabalho, Branca tem visto o seu sonho se realizar. Sua filha mais velha, Suelen, de 26 anos, é formada em educação física. A filha do meio, Amanda, cursa Engenharia de Produção e Robinho, o caçula de 14 anos, está no 9º ano do ensino fundamental. “Batalhei muito e nunca baixei a cabeça. Eu sempre disse para mim mesma – eu vou conseguir.”


Jamile Coelho é educadora há quase cinco décadas, tendo passado por todas as áreas, desde a educação infantil até o ensino universitário. Num determinado momento da vida, decidiu abandonar a carreira acadêmica para seguir o caminho que acreditava: o da educação focada nas pessoas, não em conteúdo, onde os indivíduos possam aprender de maneira produtiva e prazerosa.

Fundou, em meados dos anos de 1990, o Espaço Educacional, com uma proposta pedagógica apoiada no tripé comportamental, cognitivo e emocional. Enfrentou, nesse processo, a resistência do marido, que considerava “absurdo” trocar o emprego pela carreira de empreendedora, e o câncer. Teve quatro vezes a doença e, em todas elas, se curou. “A doença te obriga a olhar para dentro e observar onde, na vida, você está distante de quem você é”, diz Jamile.

Em 2007, ela criou o Perfil Cognitivo, uma ferramenta gratuita de autoconhecimento que ajuda as pessoas a entenderem como elas aprendem, como pensam e se sentem para agir e resolver problemas e quais são as suas áreas de interesse e habilidades. Depois de quase quarenta anos de casamento e já com os filhos adultos tomou, em 2014, a decisão de se separar e viveu vários perrengues até conquistar sua independência financeira e emocional.

Jamile também criou e mantém o projeto Chama Acesa, que apoia pessoas com câncer. Além dessas iniciativas, ela atua como consultora de projetos e instituições na área de educação, é palestrante internacional e costuma ser convidada a falar sobre a importância do autoconhecimento em todas as esferas da vida. Para a mulher, segundo ela, ele é ainda mais importante. “O autoconhecimento empodera as mulheres para desconstruir medos e condicionamentos e a tomar decisões que as ajudem a construir uma jornada de realização”. Para saber mais sobre sua história e seu trabalho, acesse o site https://www.jamilecoelho.com.br/


Maria do Socorro trabalha há 14 anos na área de alimentação de uma rede de supermercados e, hoje, se sente realizada por sua maior conquista: a casa própria. Mas, até conseguir adquirir o imóvel, passou por grandes dificuldades. Ela tinha poucos anos de empresa quando seu marido perdeu o emprego na metalúrgica em que trabalhava. A fábrica foi à falência e não pagou salários e benefícios legais dos funcionários.

Juntando o pouco dinheiro que tinha, conseguiu abrir um pequeno ponto de venda de água, que era tocado pelo marido. Ela terminava o turno no supermercado e corria para a loja para ajudar no trabalho. O negócio, contudo, não deu certo. Para complicar as coisas, logo no início de sua segunda gravidez, seu filho mais velho, então com dez anos, sofreu um grave acidente.

Decidiu vender a loja e, com o dinheiro, deu a entrada em uma casa “caindo aos pedaços”, como ela diz. Dividiu o restante do valor em parcelas e, para conseguir pagar, pediu empréstimo a um irmão. “Durante vinte meses, todo o salário que eu recebia ia direto para as parcelas. Quando terminei de pagar a proprietária, comecei a quitar a dívida com meu irmão. Foram mais 48 meses do mesmo jeito, sem ter um centavo para gastar com outras coisas”, conta. O marido fazia bicos para pôr comida em casa. “Foi um período de aperto e, muitas vezes, achei que não fosse dar conta”.

Quando terminou de pagar começou, aos poucos, a reformar a casa e, durante anos, viveu em função disso. “Devagar, fui conseguindo transformar o imóvel, que estava detonado, em um lugar habitável. Hoje, posso dizer que vivemos em uma mansão”, diverte-se Maria do Socorro. “Parecia impossível, mas batalhando eu cheguei. Ter meu próprio canto foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”.



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