Uma Iniciativa Febraban
Atualizado em: 11 ago 2020 às 09h e 56m

Onde buscar apoio para empreender na periferia

10 organizações e projetos que dão suporte a negócios liderados por mulheres, negros e empreendedores de comunidades periféricas


Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que as favelas e periferias são os principais centros de empreendedorismo do país. Há, segundo a pesquisa, um mundo de oportunidades geradas pelas 165 milhões de pessoas que habitam essas regiões e, até o início da pandemia do Covid-19, movimentavam uma massa de renda de R$ 1,7 trilhão. O fato é que, diante das dificuldades cotidianas, muitos brasileiros e muitas brasileiras começam pequenos negócios que, além de gerar renda, podem contribuir para a redução da pobreza e das desigualdades que marcam tão fortemente nossa sociedade.

Para incentivar esse movimento, muitas organizações dão suporte a empreendedores periféricos, contribuindo com sua formação, inserção em redes, acesso ao mercado e a recursos financeiros para potencializar os resultados dos negócios tanto para os empreendedores quanto para suas comunidades. Empreender pode, assim, se tornar um desafio menos solitário. Durante a pandemia, o direcionamento de esforços cresceu nessa área. Confira algumas das instituições atuam com esse enfoque e veja como elas podem te apoiar.





Aliança Empreendedora auxilia empresas, organizações sociais e governos no desenvolvimento de modelos de negócios inclusivos e em projetos de apoio a microempreendedores de baixa renda, contribuindo para que acessem conhecimento, mercado e crédito. Também atende diretamente empreendedores por meio de dois programas: o Tamo Junto, que oferece cursos online, conteúdos, ferramentas e autoconhecimento, e o Guru de Negócios, para quem tem interesse em fazer uma mentoria com um empreendedor mais experiente para desenvolver novas habilidades e identificar novas oportunidades de negócios.

Quem pode participar: empreendedores em geral.


Baobá – Fundo para a Equidade Racial abre editais periódicos de apoio a uma série de causas, entre elas, o empreendedorismo, com foco na promoção da equidade racial e empoderamento da população negra, combate ao racismo, ao feminicídio, à violência contra jovens negros e à mortalidade (infantil e maternal). A iniciativa atende empreendedores de todo o país, com foco maior no Nordeste.

Quem pode participar: cada edital ou projeto lançado tem um objetivo e público específicos. Portanto, é necessário que você acompanhe as divulgações nosite.





A Be.Labs é uma aceleradora de negócios liderados por mulheres e tem como objetivo combater a desigualdade de gênero por meio da conquista de poder econômico. Oferece cursos, treinamentos, palestras e mentorias em versões gratuitas e pagas, online para todo o país e presenciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Paraíba. Durante a pandemia, criou o Programa Calmaria, que oferece mentoria para qualquer pessoa interessada em desenvolver ou recuperar seu negócio ou, ainda, dar o próximo passo na carreira.

Quem pode participar: mulheres empreendedoras.





A coalizão Éditodos é formada por seis organizações que atuam no desenvolvimento do empreendedorismo negro em diferentes regiões do Brasil: AfroBusiness, Instituto Afrolatinas, Agência Solano Trindade, PretaHub, FA.VELA e Vale do Dendê. Durante a pandemia, a coalização criou um fundo emergencial que capta e direciona recursos a empreendedores que já participam das redes dessas organizações. As instituições participantes atuam nas seguintes regiões: Belo Horizonte, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Quem pode participar: empreendedores que integram algum dos projetos realizados pelas seis instituições.





FA.VELA tem como foco a formação de empreendedores e a aceleração de negócios e projetos que promovam a diversidade e a inclusão social e econômica em regiões mais vulneráveis. Um dos pilares da organização é o desenvolvimento das habilidades digitais, criatividade e formação de cultura empreendedora, por meio de aulas e encontros (online e presenciais), conteúdos e atendimentos individualizados. Uma das iniciativas é o Corre Criativo, que faz a conexão das juventudes das periferias com o universo tecnológico, estimulando o empreendedorismo criativo. O projeto atende empreendedores de todo o Brasil por meio de atividades online e, presencialmente, em Belo Horizonte (MG).

Quem pode participar: o FA.VELA ESCOLA atende qualquer pessoa que queira se desenvolver como empreendedor.





Facilita o crédito a empreendedores de regiões periféricas. Os recursos do Fundo Periferia Empreendedora (Firgun) são formados por dinheiro doado por pessoas, instituições e empresas, como numa vaquinha virtual. No projeto da Chef Debinha, 30 “heróis” fizeram doação financeira, num total de R$ 15 mil para que a chefe de cozinha Débora Fidelis acelerasse seu negócio. O empréstimo é parcelado em 20 vezes e funciona com uma política de juro zero. Diante do pagamento dos beneficiários, os doadores são reembolsados. 

Quem pode participar: microempreendedores que atuam nas periferias.  Para ter acesso ao empréstimo, é necessário fazer um cadastro e aguardar a análise.





Criado no contexto do Covid-19, o  Fundo Volta por Cima concede empréstimos, a juros zero, para empreendedores das periferias ou que atuem no atendimento a populações vulneráveis, com o intuito de manter emprego e renda. Os empréstimos são no valor de até R$ 15 mil, e os empreendedores selecionados pelo projeto ainda contam com conteúdos e acompanhamento de seus negócios. O dinheiro do fundo vem de doações de pessoas e empresas.  

Quem pode participar: empreendedores e negócios periféricos que já tenham passado por atividades na Artemísia e ANIP (Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia).





Com a missão de aumentar a representatividade dessa população no mercado empreendedor e na sociedade, a PretHub identifica, capacita tecnicamente e acelera projetos e negócios do empreendedorismo negro. É mantida pelo Instituto Feira Preta, que desde 2020 realiza o maior festival de cultura negra da América Latina. Entre seus programas, estão o Afrolab, que capacita negócios desde sua concepção até a distribuição dos produtos, e o Afrohub, que tem um foco no uso da tecnologia como estratégia de aceleração de negócios.

Quem pode participar: pequenos e médios empreendedores negros brasileiros.





Atualmente a maior plataforma de empreendedorismo feminino no Brasil, a Rede Mulher Empreendedora desenvolve ações que buscam o empoderamento, a capacitação e a independência financeira das mulheres em situações de vulnerabilidade, de forma a combater a desigualdade de gênero. Na área de capacitação, a mantém a Trilha Empreendedora, com conteúdos gratuitos, um grupo de discussão no Linkedin e outro no Facebook, onde realizam uma série de eventos. Outros cursos da Rede, gratuitos, são disponibilizados no Sympla. O programa Ela Pode, também gratuito, ajuda mulheres que querem crescer pessoal e profissionalmente e conquistar independência financeira. Já o Quero Empreender, que atende mulheres e também homens interessados em abrir um negócio, é pago e realizado presencialmente, em São Paulo.

Quem pode participar: mulheres empreendedoras.





Aceleradora de negócios sediada em Salvador (BA), a Vale do Dendê promove atividades de formação, como cursos, workshops, encontros de networking e treinamentos para jovens talentos. Trabalha com conceitos adotados no Vale do Silício, região da Califórnia, no Estados Unidos, conhecida com o maior centro de tecnologia e inovação do mundo. Seu objetivo é democratizar o pensamento em inovação, a tecnologia e a economia criativa, como foco na diversidade e na promoção do acesso desse conhecimento por públicos de menor poder aquisitivo.

Quem pode participar: empreendedores em geral.





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