Uma Iniciativa Febraban
Atualizado em: 18 jun 2020 às 07h e 57m

A pandemia e nosso comportamento de consumo

Rotina e aprendizados que podem ser mantidos no cotidiano após a quarentena


Ninguém imaginaria que um pequeno vírus mudaria tanto as nossas vidas nesse primeiro semestre de 2020. Foi um período de restrições e adaptações, em que tivemos que descobrir novos jeitos de fazer as coisas. Passado algum tempo, a vida começa a ser retomada em algumas cidades. Lojas, restaurantes, academias e salões de beleza vão aos poucos reabrindo as portas e já se vê mais pessoas circulando pelas ruas.

Mas, será que aprendemos algo durante o período em que ficamos isolados em nossas casas? A seguir, listamos alguns hábitos adquiridos durante a quarentena que podemos levar adiante para manter o bolso em dia, melhorar a qualidade de vida e ainda cuidar do planeta.


Mais planejamento, menos desperdício

No cenário atual, fazer compras no mercado se tornou uma verdadeira façanha. Ao sair de casa, máscara, álcool gel, cumprimentar vizinhos de longe e manter a distância mínima nas lojas. Ao voltar, tirar sapatos, lavar as mãos, higienizar alimentos e, em alguns casos, tirar a roupa e ir direto para o banho. Quem não ficou com preguiça dessa nova rotina? Para evitar sair a toda hora, tivemos que planejar melhor as compras, com aquela famosa listinha, organizar o espaço da casa para fazer tudo caber nos armários e aproveitar cada restinho de comida na panela com criatividade para não jogar nada fora.

Essas são medidas que diminuem o desperdício de alimentos que, antes da pandemia, chegava a custar 1 trilhão de dólares ao ano no mundo, de acordo com a ONU, a Organização das Nações Unidas. Com mais planejamento, é possível reduzir os gastos de supermercado e aproveitar melhor esse recurso tão essencial, além de aprender a fazer pratos saborosos com o que se tem em casa.


Esporte a qualquer hora e em qualquer lugar

Os médicos recomendam fazer atividades físicas para manter o corpo saudável, reduzir o peso e aumentar a imunidade. Com as academias fechadas, muita gente trocou aparelhos de ginástica, piscinas e quadras pelas ruas, praças e quintais para se exercitar. Outros aproveitaram a faxina da casa para queimar boas calorias. Brincar com os filhos e com os animais de estimação também virou um jeito divertido de se movimentar. E o melhor, tudo de graça!

Com tantas oportunidades para mexer o corpo sem gastar, a falta de dinheiro deixou de ser uma desculpa para deixar de praticar esportes e se proteger de doenças crônicas não transmissíveis, que são a principal causa de mortalidade e de incapacitação de pessoas no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde.


Presença na vida das crianças

Sem shoppings, parques ou escolas, adultos tiveram que se reinventar para manter os pequenos entretidos e ocupados. Corridas de obstáculos no corredor de casa, receitas de guloseimas divertidas na cozinha, aulas online na sala, oficina de artesanato no quintal, acampamento familiar no quarto e outras ideias criativas aproximaram as famílias, resgatando a ideia de que o melhor presente é a presença.

Além de pesar no bolso da família, a substituição do convívio pelo uso exagerado de brinquedos e eletrônicos alimenta o consumismo, o estresse e a depressão de crianças e adolescentes. No mundo todo, a depressão afeta cerca de 300 milhões de pessoas e infelizmente, os mais jovens estão cada vez mais presentes nessa estatística. Passar mais tempo com eles é um santo remédio para essa triste realidade.


Menos fumaça no ar e nos pulmões

Com os escritórios fechados, o home office se tornou uma realidade. Empresas e instituições públicas tiveram que se adaptar para manter suas equipes produzindo durante o distanciamento social. E não é que deu certo? Muita gente descobriu que é possível seguir trabalhando em casa, e assim evitar deslocamentos e viagens desnecessárias. E o planeta agradeceu. O ar ficou mais limpo e o céu mais claro. Isso porque o setor de transportes é responsável por um quarto da emissão de gases que contaminam o ar, aumentam a temperatura global e geram mudanças climáticas que causam chuvas torrenciais, furacões, incêndios e outras catástrofes.

Além disso, 1 a cada 5 reais do bolso das famílias é gasto com transporte, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos familiares. Mesmo quando tudo estiver aberto e funcionando, vale a pena avaliar se o deslocamento é realmente necessário para fazer seu trabalho e ver com seu empregador a possibilidade de flexibilizar o tempo no escritório e em casa.


Mais higiene, menos doenças

Novos hábitos, como lavar as mãos, higienizar compras, usar máscara, deixar os sapatos fora de casa e ampliar os cuidados com a limpeza da casa foram integrados à rotina das famílias. No Japão, esses hábitos já são parte do dia a dia, e eles ajudam não apenas a evitar o contágio pelo coronavírus, mas contribuem para reduzir a incidência de outros vírus e bactérias, reduzindo gastos com remédios e tratamentos, que respondem por aproximadamente 8% das despesas das famílias brasileiras, ainda segundo a Pesquisa de Orçamentos familiares. Com ou sem pandemia, cuidar melhor da higiene é um hábito que veio para ficar.


Faça você mesmo

Com restaurantes, ateliês de costura e salões de beleza fechados, a cultura do “faça você mesmo” ganhou outra dimensão na vida. Aprendemos a assar pão, cortar cabelos, costurar máscaras, preparar produtos de beleza caseiros, consertar roupas e até reparar computadores. Hoje em dia, tem tanto conteúdo disponível na internet, que muita gente está “se virando” para resolver os problemas, e, de quebra, descobrimos talentos ocultos ou adormecidos. Todo esse aprendizado novo pode ter uma grande serventia quando tudo isso passar. Podemos economizar com serviços que antes eram terceirizados e até mesmo descobrir novas profissões para gerar uma renda extra.




Matérias Relacionadas

Lazer sem sair de casa

Consumo consciente: todo mundo sai ganhando

Vai às compras para aliviar o estresse?

O que suas escolhas de consumo dizem sobre você?

>

Carro: você precisa mesmo ter um?