Uma Iniciativa Febraban
Atualizado em: 03 jul 2020 às 09h e 20m

Solidariedade em tempos em crise

Conheça as iniciativas de pessoas e empresas que têm feito a diferença na pandemia e saiba como você também pode ajudar


O brasileiro tem fama de ser solidário nas situações mais extremas, mas não cultiva tradicionalmente o hábito de doar tempo, dinheiro e objetos para causas importantes. No relatório World Giving Index 2019, estudo internacional que mede o nível de solidariedade das nações, o Brasil aparece em 74º lugar entre 126 países. O ranking é  feito  pela Charities Aid Foundation e é representado, no Brasil, pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social).

Em tempos de Covid-19, contudo, a solidariedade se manifestou no cotidiano de pessoas, empresas e outras organizações da sociedade, criando uma rede de apoio para muitos trabalhadores informais, pequenos empreendedores, profissionais autônomos e trabalhadores que perderam a fonte de renda. Até o final de junho de 2020, 425 mil pessoas e instituições haviam doado quase R$ 6 bilhões para o combate aos efeitos da pandemia, segundo o Monitor de Doações Covid-19, que registra, em tempo real, o volume em dinheiro doado para essa causa.

A solidariedade é uma maneira da sociedade participar das mudanças que precisam ser feitas no mundo. A ideia é que, se cada um fizer a sua parte, por menor que ela seja, podemos juntos ajudar a reduzir as vulnerabilidades às quais estão sujeitos brasileiros e brasileiras que vivem na pobreza, com fome, sem teto e sem alguém com quem possam contar. Fazendo isso, ajudamos a criar uma sociedade mais justa e mais segura para todos nós.

Ser solidário não exige, necessariamente, um grande esforço. Ao contrário, qualquer ato conta, e muito. A seguir, você conhece algumas histórias de pessoas e organizações que se mobilizaram e fizeram a diferença para muitos durante a pandemia. Inspire-se e veja algumas maneiras de participar você também. 


Mobilização das grandes empresas

Assim que a quarentena começou, acompanhamos notícias de grandes organizações que rapidamente se movimentaram e começaram a destinar produtos, dinheiro e trabalho para combater o Covid-19. Natura, Univeler, Marfrig, Petrobrás, Vale, Lojas Renner, Ambev e Whirlpool (Brastemp e Consul) e as redes de farmácias Drogasil e Droga Raia, por exemplo, apoiaram hospitais, a produção e a distribuição de máscaras e álcool gel e a compra de respiradores, entre outros. Você pode conferir a lista completa de doadores no Monitor de Doações Covid-19.

O setor financeiro teve um papel relevante nesse movimento. Segundo o Monitor de Doações, o segmento foi responsável por 30% do volume de recursos destinados até o momento para conter os efeitos do Covid-19. Banco do Brasil, ABC Brasil, Bradesco, BV, Citi, Daycoval, Itaú, Safra e Santander formaram um consórcio para dar garantias para a aquisição de 4,8 mil respiradores pelo Ministério da Saúde. Junto com outra transação liderada pelo banco BTG Pactual, o setor financeiro ofereceu quase R$ 284 milhões em garantias para aquisição de 11,3 mil respiradores pelo Ministério da Saúde.

Em outra iniciativa de peso, Itaú, Bradesco e Santander se uniram  para destinar, juntos, R$ 50 milhões para a compra de máscaras de tecido, doadas para a rede de saúde e comunidades mais vulneráveis. Também apoiaram a importação de 5 milhões de kits para testes para a COVID-19, além da compra de respiradores, tomógrafos e máscaras.

Além da ação conjunta, as instituições realizaram iniciativas individuais de impacto. A BB Seguros doou R$ 40 milhões para a compra de alimentos e itens de higiene e limpeza para a população em situação de vulnerabilidade. O Itaú Unibanco destinou R$ 1 bilhão ao Fundo Todos pela Saúde, cujos recursos foram destinados a infraestrutura hospitalar, equipamentos médicos, material de higiene e cestas de alimentos.


Ação efetiva das pequenas e médias

Se as grandes empresas puderam desembolsar volumes significativos de dinheiro, as pequenas e médias também perceberam que tinham muito a fazer. Não apenas financeiramente, mas com dedicação do tempo, talento e capacidade de mobilização, com forte participação de pequenos empreendimentos da área de alimentação. Como o fantasma da fome se apresentou rapidamente no início da pandemia, muitos restaurantes se organizaram para cuidar da sua comunidade.

Foi o caso do Buffet Vila Glam, de Carlos Kaufmann, que fica no bairro de Moema, em São Paulo. Logo no início da quarentena, junto com sua mulher, Denise Largman, ele começou a fazer marmitas para moradores de rua, usando mantimentos do estoque e doações. Com a ajuda de voluntários, atualmente eles conseguem produzir e entregar três mil marmitas por dia para pessoas em vulnerabilidade social.

Chefs renomados também têm mostrado a força do coletivo. É o caso de Rodrigo Oliveira, do balado Restaurante Mocotó, que fica na Vila Medeiros, Zona Norte de São Paulo. Ele criou o Quebrada Alimentada para preparar marmitas para a vizinhança com recursos de doações e de uma vaquinha virtual, usando a estrutura de produção que já possui e a força do trabalho dos próprios funcionários, que fazem os pratos equipados com máscaras, luvas e álcool gel.


O que você pode fazer

É comum as pessoas pensarem que doações só podem ser feitas por empresários ou por quem tem muito dinheiro. Mas a verdade é que qualquer pessoa, independente de sua ocupação ou condição social, pode fazer algo pelo outro. Doar não significa apenas destinar recursos materiais, mas também tempo, cuidado e atenção para quem precisa.

Quem quer doar, muitas vezes, tem dúvida sobre como dar o primeiro passo. A recomendação é começar pelo que for mais fácil e acessível para você. Olhe para as pessoas ao seu redor – amigos, vizinhos, parentes, fornecedores, prestadores de serviços – para identificar necessidades e pergunte-se: como eu posso ajudar?

Você pode se prontificar a preparar uma comida e deixar na porta de um vizinho idoso ou ficar responsável pelas compras semanais daquele outro que passa pela recuperação de uma cirurgia. Ou, ainda, dar uma palavra de carinho para alguém que vive uma crise ou depressão. Se preferir, pode se comprometer em fazer doação de sangue, já que os hemocentros precisam constantemente repor seus bancos.


Encontro sua causa e lute por ela

Se você pretende dar um passo no sentido de ajudar pessoas que você não conhece, agora ou depois de depois da pandemia, comece refletindo: por qual causa quero batalhar? Quais temas são importantes para mim? O que gostaria de poder transformar?

Você pode, por exemplo, ser mais sensível à causa da criança e do adolescente ou, ainda, à proteção das pessoas idosas. Se a sua causa for o fim da fome, procure na internet organizações que trabalham com o tema e faça uma pesquisa para conhecer sua idoneidade. Se tiver interesse na área da saúde, procure uma instituição que leve orientação e atendimento a comunidades vulneráveis. Se preferir, existem, ainda, muitos grupos que cuidam da causa animal ou ambiental.

Alguns exemplos que instituições que vale a pena conhecer melhor: Mães da Favela, que atende mães solo que residem em favelas em 17 estados e no Distrito Federal e que foram atingidas pelos efeitos do coronavírus; Apoie Paraisópolis, ação realizada pelo G10 Favelas para identificar casos da doença e apoiar moradores carentes da comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo; Ação Cidadania, que distribui alimentos a populações em risco. Pesquise outras na internet.

Assim que encontrar um projeto que goste, você pode se voluntariar, reservando parte do seu tempo para se dedicar a alguma atividade, ou fazer doação em dinheiro. Ainda que este seja um momento de crise, é importante saber que qualquer valor representa uma enorme diferença para projetos sociais que tentam se manter e cuidar de seus beneficiários.

Diferente de outros povos, para nós, brasileiros, ainda não sentimos que os problemas sociais são de todos. Países como os Estados Unidos, primeiro colocado no raking do World Giving Index (2019), têm forte cultura de doação, permitindo que os projetos mantenham atividades permanentes e sigam protegendo a população. Se também queremos chegar lá, precisamos fazer nossa parte, seja doando dinheiro, fazendo trabalho voluntário ou educando nossos filhos para a cidadania e solidariedade.


Como doar dinheiro para o combate ao Covid-19

Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil: iniciativa do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), Movimento Bem Maior e BSocial, beneficia hospitais e entidades que estão na linha de frente do combate ao coronavírus, incluindo a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Rio Contra o Corona: iniciativa do Banco da Providência, Instituto Ekloos e Instituto Phi que trabalha para levantamento de insumos básicos para as comunidades do Rio de Janeiro.

Unicef: trabalha na proteção de famílias com crianças e na mitigação do impacto da pandemia nas comunidades, garantindo a continuidade do acesso da população à saúde, educação, assistência social e proteção contra a violência.



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