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Tesouro direto e poupança: onde é mais seguro investir hoje?

Mitos e fatos sobre as duas opções para você decidir com tranquilidade

 

O Brasil tem um dos menores índices de poupança do mundo. São poucos os cidadãos que possuem economias próprias para situações de emergência, como você pode conferir na matéria “Você tem dificuldade para poupar? Freud explica”.

Uma pesquisa feita pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro em parceria com o Instituto Ipsos revelou um dado ainda mais surpreendente: 15% dos brasileiros que poupam costumam guardar seu dinheiro em casa. A maioria dos entrevistados afirma que prefere ter o dinheiro à mão quando precisar, outros acham que não vale a pena deixar quantias pequenas no banco.

Os riscos de ter dinheiro guardado em casa são numerosos. Além de roubos e furtos, um simples curto circuito pode provocar um incêndio e literalmente queimar todas as suas economias. Isso sem contar com a inflação, que pode desvalorizar o dinheiro em um curto espaço de tempo e reduzir a pó o seu poder de compra.

Muitos ainda se sentem inseguros, por desconfiar das instituições financeiras ou por terem medo de um novo confisco da poupança ou do dinheiro investido no Tesouro Direto. Para ajudar a dissolver essa insegurança, veja alguns mitos e fatos sobre os dois produtos e tenha tranquilidade para investir seu dinheiro.

 

1 – É preciso ter muito dinheiro para investir

MITO: Tanto a poupança quanto o Tesouro Direto são ótimas opções de investimento para pequenas quantias. Os bancos não exigem valores mínimos nem cobram taxas para abrir uma conta poupança. Já o Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 30,00. Leia a matéria Hora de investir? Conheça o Tesouro Direto e saiba mais.

 

2 – A poupança pode ser confiscada novamente, como aconteceu no Plano Collor

MITO: Em tempos de crise política, surgem boatos de que os investimentos em poupança poderiam ser confiscados novamente, como ocorreu em 1990, durante o governo de Fernando Collor de Mello. A emenda constitucional no 32/2001 modificou o artigo 62 da Constituição Federal, proibindo qualquer medida para bloquear bens, poupança popular ou qualquer ativo financeiro dos brasileiros.

Caso o governo tenha a intenção de confiscar a poupança ou outro investimento, teria que propor uma nova lei, que precisaria ser votada no Congresso Nacional, dando tempo suficiente aos poupadores para sacarem o dinheiro de suas aplicações e se movimentarem contra a medida.

Além disso, o cenário econômico de hoje é completamente diferente daquela época: o Brasil possui R$ 370 bilhões de reais em reservas internacionais que ajudam o país a se proteger das crises, não vivemos mais a hiperinflação daquele período e dependemos de investidores externos. Um confisco nas poupanças geraria muita insegurança nos investidores, que fugiriam levando seu dinheiro embora. Isso seria um “tiro no pé” para nossa economia.

 

3 – Com a crise na política, o governo pode dar calote no Tesouro Direto

MITO: Quando você aplica em Tesouro Direto, na prática está emprestando dinheiro para o governo. Com tantas denúncias de corrupção, é natural ficar desconfiado de que o governo não irá honrar seus compromissos com o pequeno investidor, ou seja, o cidadão comum.

Porém, o risco é remoto, pois os títulos públicos oferecidos por meio do Tesouro Direto fazem parte da parcela da dívida do governo emitida em reais – outra parcela é a dívida externa, emitida em moeda estrangeira. Como o governo também é o dono da impressora de dinheiro do país, se faltar recursos ele imprime mais papel moeda, causando outros desequilíbrios econômicos, mas provavelmente não deixará de pagar a dívida. Por isso, títulos públicos emitidos em moeda local são considerados livres de risco de calote.

 

4 – No Tesouro Direto, há o risco de sacar menos do que apliquei

DEPENDE: De acordo com o título escolhido e o momento em que você decidir vendê-lo, esse risco existe. No caso dos títulos prefixados, você define a rentabilidade no momento da aplicação. Isso significa que precisa deixar seu dinheiro aplicado até a data de vencimento para obter o rendimento combinado.

Caso precise retirar antes do vencimento, irá vendê-lo pelo valor de mercado. Se ele estiver desvalorizado, há o risco de sacar menos do que aplicou. Por outro lado, se houver uma valorização, você também pode obter uma rentabilidade maior do que contratou. Por isso, é importante se planejar antes de fazer sua aplicação, além de fazer um acompanhamento constante do dinheiro investido por meio do site do Tesouro Direto.

 

5 – Com a queda da taxa Selic, o Tesouro Direto ganha da poupança

FATO: Sempre que a Selic (taxa de juros básicos da economia) ficar abaixo dos 8,5% ao ano, a remuneração da poupança cai e passa a ser de 70% da Selic mais TR (taxa referencial). Na prática, com a Selic atual de 8,25%, a expectativa de rentabilidade da poupança é de 6,15% ao ano. 

E no caso do Tesouro Direto Selic? Considerando um investimento de dois anos, com imposto de renda de 15%, taxa de custódia de 0,3% e zero de taxa de administração, a rentabilidade líquida (descontados impostos e taxas) seria de 6,71%. Nessas condições, o Tesouro Selic ganha da poupança enquanto a taxa básica estiver acima de 4,53% ao ano.

Veja uma comparação de R$ 10 mil investidos na poupança e no Tesouro Direto Selic com taxa Selic de 8,25% e investimento inicial de R$ 10 mil:


6 – A poupança rende mais porque não desconta imposto de renda

DEPENDE: A vantagem da poupança é que não há desconto da taxa de corretagem e custódia nem incidência de imposto de renda. No caso do Tesouro Direto, é preciso ficar atento a três custos

# Taxa de custódia, cobrada pela Bolsa de Valores de 0,30% sobre o valor dos títulos.

# Taxa de administração da corretora que intermedia a operação. Veja a lista de instituições habilitadas. Muitas cobram taxa zero para atrair investidores.

# Alíquota de imposto de renda: é a taxa a ser aplicada em cada compra, cobrada sobre a rentabilidade. O imposto de renda possui cobrança regressiva, conforme a Lei nº 11.033, de 21/12/2004:

1) 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias

2) 20% em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias

3) 17,5% em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias

4) 15% em aplicações com prazo acima de 720 dias

Mesmo com os custos, pode ser vantajoso trocar a poupança pelo Tesouro Direto, principalmente para quem pretende deixar o dinheiro aplicado por um período maior do que dois anos, já que o rendimento da poupança chega a perder até mesmo para a inflação. Quanto mais tempo você mantiver o dinheiro aplicado, mais o Tesouro Direto será vantajoso em relação à poupança. Para fazer uma simulação e comparar os dois produtos, acesse o Simulador do Tesouro Direto.




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