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Vale a pena pagar antes?

Saiba tudo sobre a quitação antecipada de dívidas


Antecipação de 13º salário, férias, comissões adicionais por vendas de fim de ano, caixinhas de natal e benefícios adicionais, como o PPR (Programa de Participação nos Resultados) são bastante esperados por quem está aposentado, é assalariado ou recebe comissões.

Essas entradas de dinheiro, típicas desta época do ano, são sempre uma oportunidade de reservar dinheiro para o início do ano, período em que várias contas se acumulam e ultrapassam a média mensal de gastos.  Quem já conseguiu guardar pelo menos três meses de salário em uma reserva de emergência está mais tranquilo, pode usar o dinheiro extra para realizar planos como reformar a casa, planejar uma viagem de férias ou trocar o carro.

Já quem tem contas atrasadas precisa urgentemente regularizar a situação, procurar os credores e negociar o pagamento das dívidas, de acordo com suas possibilidades (veja as dicas para renegociar dívidas e limpar o nome. A maior dúvida surge para quem tem um financiamento ou crédito, mas está pagando em dia, sem atrasos. O que fazer? Poupar o dinheiro extra ou usar para quitar parcelas e se livrar ou reduzir a dívida? Vale a pena fazer a quitação antecipada

Primeiramente, é importante entender que a quitação ou liquidação antecipada é o pagamento parcial ou total de uma dívida antes do vencimento. Ela serve para qualquer operação de crédito ou financiamento e pode ser feita com dinheiro do próprio devedor ou por meio de outro empréstimo.

A seguir, veja algumas reflexões que podem ajudar você a decidir se vale a pena antecipar sua dívida.


De onde vem o dinheiro?

Esta é a primeira informação que você precisa analisar. Usar crédito de um banco para quitar dívidas em outra instituição é vantajoso se você tiver acesso a um tipo de financiamento que traga uma economia significativa.

Vejamos um caso para ilustrar essa situação: imagine que você tenha contratado um crédito pessoal de R$ 2.000,00 com taxa de 8,62% ao mês e prazo de 24 meses, resultando em uma prestação mensal de R$ 200,00. Ao final do período contratado, você terá desembolsado R$ 4.800,00 para quitar esse empréstimo.

Faltando 12 meses para o término do contrato, você já pagou metade do valor financiado (R$ 2.400,00) e consegue um emprego fixo que lhe dá direito a um crédito consignado com Custo Efetivo Total (saiba o que é o Custo Efetivo Total e como ele funciona) de 3,5%. Vale a pena adquirir um novo empréstimo para pagar o anterior?

De acordo com lei, ao antecipar o pagamento de uma dívida, o banco deve dar um desconto equivalente aos juros das parcelas futuras. Nesse caso, ao invés de pagar R$ 2.400,00, você poderia quitar a dívida com 12 meses de antecedência por R$ 1.478,07.  Para chegar a esse valor, foi usada a calculadora de antecipação de parcelas do site do Ministério público de Santa Catarina.

Então, bastaria contratar um crédito consignado de R$ 1.500,00, mantendo o mesmo prazo de 12 meses para baixar sua parcela de R$ 200,00 para R$ 155,23. Ou seja, em vez de pagar R$ 2.400,00, o valor final a ser pago já com juros e encargos seria de R$ 1.862,76, uma economia de R$ 537,24 no total e de R$ 44,77 em cada parcela.

Se, ao invés de reduzir o valor da parcela, você quisesse continuar pagando R$ 200, poderia terminar de pagar tudo em 9 meses, ao invés de 12, o que seria mais uma vantagem. Ou seja, sempre que tiver acesso a um empréstimo com custo efetivo total mais baixo, vale a pena pedir ao credor para fazer o cálculo da quitação antecipada e comparar a economia que terá pagando antes.


Poupar o dinheiro ou quitar antes?

Quando a dúvida recai sobre o dilema entre poupar o dinheiro e se livrar da dívida de uma vez por todas, é importante analisar outros aspectos:

# Juros da aplicação x juros do empréstimo

Vamos analisar o mesmo caso citado anteriormente, no qual há uma dívida de R$ 2.400,00 a ser paga, mas agora, ao invés de ter que pedir empréstimo, você recebeu uma bonificação ou 13º salário e tem que decidir se usa o dinheiro para quitar a dívida ou investe em uma aplicação. A lógica é a mesma, comparar a economia de quitar e o ganho que terá se aplicar o dinheiro.

Já vimos que, com a liquidação antecipada, essa dívida de R$ 2.400,00 sairia por aproximadamente R$ 1.500,00, ou seja, uma economia de R$ 900,00 em 12 meses. Para obter os mesmos R$ 900,00 de retorno, investindo na poupança, teria que manter pelo menos R$ 14.600,00 aplicados por um ano, sem movimentações.

Portanto, financeiramente, vale mais a pena usar o dinheiro extra para quitar a dívida, sempre que o retorno da aplicação no mesmo período for menor do que o desconto recebido pelo pagamento antecipado.

# Para onde vai o dinheiro das parcelas depois de quitar a dívida?

Outra reflexão que vale a pena fazer antes de tomar sua decisão sobre antecipar o pagamento de qualquer dívida é o que você fará com o dinheiro que irá “sobrar” após a quitação. Se no seu orçamento, essa parcela já estava considerada e paga em dia, é sinal de que você teria condições viver sem ela, poupando esse valor, se não tivesse esse compromisso.

Por isso, assim que quitar a dívida, seja antecipadamente ou ao final do período contratado, que tal direcionar o valor da prestação a você mesmo, em uma aplicação mensal programada em vez de gastar o dinheiro? Veja como funciona o investimento programado.

Se você economizar R$ 200,00 de parcela por ter feito uma quitação antecipada, em 12 meses, terá na poupança, no mínimo, R$ 2.479,45. Quem sabe, no ano que vem, ao invés de decidir sobre o destino do seu dinheiro extra, a única decisão que precise tomar seja o destino das suas férias?



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