Férias solo: como planejar uma viagem sem companhia

Viajar sozinho exige planejamento, mas também permite experimentar o mundo com muita liberdade. Inspire-se com histórias de viajantes!

Organizar as finanças

/ 09 Jul 2026 / 6 min. leitura
Do orçamento à escolha do destino, veja como organizar uma viagem solo com mais tranquilidade

Nem sempre amigos, familiares ou parceiros conseguem tirar férias no mesmo período. Mas, para muitas pessoas, isso já não é motivo para adiar planos. Cada vez mais viajantes têm decidido embarcar sozinhos para estudar, trabalhar, fazer intercâmbio ou simplesmente conhecer novos destinos. 

As razões para viajar sozinho são variadas. Para alguns, a viagem representa uma oportunidade de descanso ou autoconhecimento; para outros, a principal motivação é a liberdade de definir o próprio roteiro, no seu ritmo e sem depender da agenda ou dos interesses de outras pessoas.

Essa tendência acompanha o crescimento do interesse dos brasileiros por viagens. Uma pesquisa da Booking.com mostra que 29% dos brasileiros pretendem viajar para o exterior em 2026. O turismo nacional desperta ainda mais interesse: 62% planejam fazer mais viagens de fim de semana, 49% querem aumentar as escapadas curtas pelo país e 41% pretendem realizar viagens de até uma semana. Para transformar esses planos em realidade, os brasileiros também estão dispostos a investir mais. Segundo o levantamento, 70% pretendem aumentar os gastos com viagens em 2026, sendo que 29% afirmam que esse aumento será significativo, em busca de experiências cada vez mais marcantes.

Foi justamente essa vontade de aproveitar experiências em novos lugares que levou Vinícius Quintal Dalter, de 32 anos, analista de dados que atualmente mora em Hamburgo, na Alemanha, a fazer sua primeira viagem solo. Aos 26 anos, pouco depois de se mudar para o país, ele decidiu passar quatro dias em Milão, na Itália. "Eu havia acabado de me mudar, queria viajar e não conhecia muitas pessoas naquele momento. Mesmo assim, eu queria explorar", conta.

Apesar das boas experiências, ele divide que viajar sozinho requer uma dose de coragem. O medo de ficar isolado, por exemplo, costuma estar entre as principais preocupações de quem considera viajar sem companhia. A líder de produtos Rayanna Ruani, de 28 anos, sentiu essa insegurança durante os intercâmbios realizados no Canadá e nos Estados Unidos e, mais tarde, durante os estudos na Alemanha. No entanto, a experiência teve o efeito oposto. "Ter ido para essas viagens sozinha me forçou a desenvolver o meu lado social e a me aproximar das pessoas em vez de esperar que elas se aproximassem de mim", diz.

Para a social media Májory Marcelino, de 40 anos, moradora de São Paulo e que viaja sozinha há mais de uma década, a autonomia também vem acompanhada de planejamento. Sem a divisão dos custos e das decisões, a viagem solo exige atenção ao orçamento, à segurança e aos imprevistos. "Como o dinheiro, o recurso e o investimento são seus, ninguém vai fazer esse esforço por você", afirma.

Se a liberdade é um dos maiores atrativos das viagens solo, o planejamento é o que torna a experiência mais tranquila. Antes de comprar as passagens, vale entender por que cada vez mais pessoas escolhem viajar sozinhas e quais cuidados ajudam a aproveitar melhor esse tipo de aventura. Inspire-se!

O que leva as pessoas a viajarem sozinhas?

Descubra como montar um planejamento para viajar sozinho, economizar durante a viagem e conhecer destinos que oferecem boa infraestrutura para turistas. 

Muitas viagens acabam sendo adiadas pela dificuldade de encontrar alguém disponível para compartilhar o roteiro — algo que Vinícius não estava disposto a deixar acontecer. “Eu não queria esperar ou deixar de viajar por conta disso, e usei essa minha primeira viagem desacompanhado para entender se eu seria uma boa companhia para mim mesmo”, divide. Os quatro dias que ele passou explorando sozinho deixaram a certeza de que a experiência valeu a pena. Hoje, o conselho dele é simples: "Se você tem a oportunidade, vá. Não precisa necessariamente esperar alguém."

A busca por liberdade e flexibilidade também aparecem entre os principais motivos que levam pessoas a viajar sozinhas. Segundo o relatório State of Solo Travel, da Hostelworld, 64% dos viajantes apontam a liberdade para definir o próprio roteiro como uma das principais vantagens da experiência, enquanto 58% afirmam que a possibilidade de conhecer novas pessoas influencia a decisão.

No caso da Májory, o principal incentivo sempre foi o desejo de mergulhar em outras culturas e conhecer diferentes formas de viver. Depois do primeiro intercâmbio em Londres, ela passou a viajar sozinha por diferentes países e afirma que a experiência vai muito além do turismo tradicional. Para ela, estar desacompanhada facilita a interação com moradores e outros viajantes, além de permitir mais liberdade para adaptar o roteiro de acordo com os próprios interesses, sem precisar negociar cada escolha.

Embora seja natural imaginar imprevistos ou sentir insegurança antes de embarcar, Rayanna acredita que esse medo não deve impedir quem deseja viver essa experiência. "Você vai sempre pensar em tudo o que pode dar errado, mas, no final, se algum imprevisto realmente acontece, você vai dar conta. O importante é se preparar, planejar e se permitir", diz.

Como se preparar para fazer uma viagem sozinho 

Aprenda como pesquisar o destino, organizar os gastos, escolher a hospedagem e montar um roteiro de acordo com seus objetivos. 

O planejamento de uma viagem solo começa antes mesmo da compra das passagens. Mais do que definir o orçamento, essa etapa envolve pesquisar o destino, entender a logística local e identificar quais cuidados serão necessários durante a jornada. O objetivo da viagem também influencia diretamente essas decisões: uma viagem de lazer curta, por exemplo, exige preparativos diferentes de um intercâmbio ou de uma estadia mais longa.

Depois de organizar sozinha o intercâmbio para aprender alemão em Munique e o mestrado em Hamburgo, Rayanna passou a dedicar mais tempo à etapa de pesquisa. Antes de embarcar, ela reúne informações sobre instituições de ensino, bairros, custo de vida, transporte público e relatos de quem já viveu no destino. "Pesquisar muito, ler blogs e buscar relatos online de outras pessoas ajuda bastante", conta.

A líder de produtos também destaca o uso de mapas digitais como um recurso essencial. Visualizar distâncias entre moradia, locais de estudo e pontos de interesse ajuda a comparar regiões, estimar deslocamentos e escolher melhor a hospedagem. "Marcar no mapa ajuda a entender, visualmente, onde tudo está distribuído. Isso faz muita diferença na hora de planejar onde você vai ficar", explica.

A escolha do tipo da hospedagem, por sua vez, varia conforme o perfil do viajante. Hostels, que costumam oferecer quartos compartilhados e áreas comuns, podem facilitar a socialização, principalmente para quem está fazendo a primeira viagem sozinho. Foi o que aconteceu com Vinícius durante a estadia em Milão. "As pessoas se aproximavam, conversavam e perguntavam de onde eu era. Foi bem legal poder ter essa conexão tão fácil", lembra.

Já quem busca mais privacidade pode optar por hotéis, pousadas e apartamentos temporários. Em qualquer caso, avaliar comentários de outros hóspedes é uma etapa importante para entender aspectos como segurança, limpeza, localização e facilidade de deslocamento.

Além da hospedagem, é fundamental planejar a logística da chegada e da estadia: deslocamento entre aeroporto e acomodação, oferta de transporte público, necessidade de chip internacional ou uso de roaming e eventuais exigências sanitárias do destino. “Procurar informações médicas antes da viagem, principalmente em destinos internacionais que exigem vacinas específicas ou apresentam doenças pouco conhecidas pelos brasileiros, também é muito importante”, recomenda Májory.

Veja outros cuidados para se tomar antes de embarcar:

  • Escolha um destino compatível com o objetivo da viagem: quem faz a primeira viagem sozinho pode priorizar destinos com boa infraestrutura turística, transporte acessível e opções de hospedagem bem avaliadas. Viagens de intercâmbio, aventura ou ecoturismo podem considerar outros critérios, como a oferta de cursos, atividades ou a facilidade de deslocamento.
  • Verifique a documentação exigida: alguns países exigem visto, seguro-viagem, comprovantes de hospedagem, passagem de retorno, certificado internacional de vacinação ou autorizações específicas para a entrada de turistas. Consultar essas exigências antes de comprar as passagens evita gastos extras e reduz o risco de problemas no embarque.
  • Defina o estilo do roteiro: antes da viagem, decida se prefere organizar todo o itinerário por conta própria ou contratar passeios e pacotes prontos. A escolha depende do perfil do viajante, do tempo disponível para planejar e do tipo de experiência desejada. Em cidades muito procuradas por turistas, visitas guiadas e excursões também podem facilitar a locomoção e ajudar quem deseja conhecer outras pessoas durante a viagem.
  • Compartilhe o roteiro com alguém de confiança: enviar o itinerário para familiares ou amigos aumenta a segurança, especialmente em viagens internacionais ou mais longas.
  • Faça cópias dos documentos: mantenha versões digitais e, se possível, impressas do passaporte ou RG, seguro-viagem, passagens e comprovantes de reserva. Caso algum documento seja perdido ou roubado, essas cópias podem agilizar o atendimento pelas autoridades locais, pelo consulado ou pela companhia aérea.
  • Pesquise sobre o destino: procure informações sobre costumes locais, meios de transporte, formas de pagamento, clima, idioma, horários de funcionamento do comércio e orientações de segurança para turistas. Verifique também se cartões brasileiros são amplamente aceitos, se o destino utiliza dinheiro em espécie com frequência e quais aplicativos de transporte ou mapas funcionam na região. 

Apesar de todo o planejamento, imprevistos podem acontecer. "Eu não tinha hotel e estava sem acesso à internet", lembra Vinícius, ao relatar uma situação em Portugal em que sua reserva não foi registrada e ele precisou encontrar uma hospedagem de última hora. A experiência o levou a passar a reservar parte do orçamento da viagem para emergências.

Májory também enfrentou situações inesperadas, como um problema de saúde durante uma viagem à África do Sul e atrasos aéreos que alteraram seu retorno ao Brasil. Em ambos os casos, a experiência reforçou a importância de manter contatos de emergência, ter pessoas que estavam acompanhando seu roteiro à distância e ter acesso à internet durante toda a viagem. “Nós nunca sabemos quando algum imprevisto vai acontecer. Por isso, recomendo economizar um pouco no começo da viagem, para chegar ao final dela com um valor que permita lidar com qualquer tipo de situação. Até porque, no final da viagem, nosso corpo já está cansado. É importante ter esse cuidado”, opina.

Nesses casos, o seguro-viagem funciona como uma camada adicional de proteção. Além de cobrir despesas médicas, algumas apólices incluem extravio de bagagem e atrasos de voo. 

Viajar sozinho costuma ser mais caro?

Viajar sem companhia pode oferecer mais autonomia, mas também exige atenção ao planejamento financeiro, à segurança e à organização da viagem. 

Uma das dúvidas mais comuns entre quem pretende fazer uma viagem solo é se ela custa mais caro do que viajar acompanhado. A resposta depende do tipo de despesa. Enquanto alguns custos permanecem praticamente os mesmos, outros deixam de ser compartilhados e acabam aumentando o orçamento individual.

É o caso da hospedagem. Um quarto de hotel que custa R$ 500 por noite pode ser dividido entre duas pessoas em uma viagem em casal. Quem viaja sozinho, no entanto, arca com o valor integral da diária. O mesmo pode acontecer com corridas de táxi, aluguel de carro e alguns passeios privados. Por outro lado, despesas individuais, como alimentação, ingressos para atrações e passagens aéreas, costumam ter o mesmo valor, independentemente de a pessoa viajar sozinha ou acompanhada.

Para as mulheres, o planejamento financeiro pode incluir ainda despesas relacionadas à segurança. "Quando você viaja sozinha, muitas decisões envolvem equilibrar custo e proteção”, explica Májory, que por vezes preferiu optar por um quarto privativo, escolher uma hospedagem em um bairro mais central ou utilizar táxi e transporte por aplicativo em determinados horários, gastando um pouco mais para ter mais tranquilidade.

Isso não significa, porém, que viajar sozinho seja sempre mais caro. Sem precisar negociar escolhas com outras pessoas, o viajante ganha liberdade para adaptar o roteiro ao próprio orçamento, optar por restaurantes mais econômicos, alterar datas ou decidir quanto investir em cada atividade.

Na hora de avaliar um destino, Májory ressalta que vale pesquisar o custo de vida local. "Não basta olhar apenas o câmbio. Às vezes a moeda parece favorável, mas isso não significa que a viagem será barata", afirma. Avaliar o custo médio da hospedagem, da alimentação, do transporte e das principais atrações também ajuda a construir um orçamento mais próximo da realidade e evita surpresas ao longo da viagem.

Outra forma de economizar é planejar a viagem com antecedência. Reservar passagens e hospedagens antes da alta temporada, comparar diferentes tipos de acomodação e pesquisar alternativas de transporte podem ajudar a reduzir os custos. Para quem fará a primeira viagem sozinho, também pode ser mais simples começar por roteiros curtos e destinos com boa infraestrutura turística.

Vinícius, por sua vez, prefere adotar um planejamento mais flexível. Em vez de definir cada atividade antes do embarque, ele organiza apenas os pontos essenciais da viagem."Hoje eu planejo muito mais onde vou ficar e quantos dias vou passar em cada lugar do que exatamente o que vou fazer em cada dia", conta. Para ele, essa estratégia permite adaptar o roteiro de acordo com o orçamento, o clima e as oportunidades que surgem pelo caminho.

Como montar o orçamento da viagem em 4 passos

"Viajar sozinho faz você pensar em educação financeira, porque ninguém vai fazer esse planejamento por você", afirma Májory.  Ela resume essa responsabilidade de forma simples: "Você pode até aprender com outras pessoas, mas não pode delegar a tarefa. É você por você”.

O primeiro passo é mapear todos os gastos previstos. Vale usar planilhas, aplicativos de notas ou até papel e caneta — o formato não importa tanto quanto a organização. O essencial é listar todas as despesas antes de definir quanto será necessário economizar para a viagem. Veja um passo a passo simples para ajudar você a começar:

#1. Liste os gastos antes do embarque: anote tudo o que será pago antes de sair de casa, dividido por categorias como deslocamento, hospedagem, alimentação, saúde, lazer. Entram aqui os gastos com comida no aeroporto, passagens, seguro-viagem, documentação, vacinas, chip de internet e ingressos comprados antecipadamente, por exemplo.

#2. Estime os gastos durante a viagem: agora, faça uma previsão das despesas do dia a dia. Inclua alimentação, transporte público, aplicativos de mobilidade, passeios, compras pessoais e uma estimativa para pequenos gastos que podem surgir, como farmácia, lavanderia ou deslocamentos extras. Mesmo que os valores sejam aproximados, eles ajudam a entender quanto será necessário levar para a viagem.

#3. Reserve uma margem para imprevistos: nem tudo sai exatamente como foi planejado. Mudanças de roteiro, atraso de voos, oscilações do câmbio ou uma despesa médica podem aumentar o custo da viagem. Por isso, o ideal é não viajar com o dinheiro contado. Sempre que possível, acrescente uma reserva de aproximadamente 15% a 20% sobre o valor total estimado para lidar com situações inesperadas. 

#4. Descubra quanto precisa economizar: some todos os gastos para entender quanto a sua viagem irá custar. Compare esse valor com o tempo que falta até o embarque para descobrir quanto será necessário guardar por mês. Se preferir, você pode utilizar o Simulador de Sonhos para fazer esse cálculo. A ferramenta mostra quanto precisa economizar mensalmente para atingir a meta dentro do prazo desejado e permite ajustar o valor ou a data da viagem caso o planejamento não caiba no orçamento.

Assim, o orçamento funciona como uma ferramenta para viajar com mais tranquilidade e ter liberdade para adaptar o roteiro quando necessário — uma flexibilidade que só é possível quando há um bom planejamento prévio. Foi exatamente esse preparo que marcou uma viagem de Vinícius por Portugal. Com as hospedagens dos primeiros dias reservadas e um carro alugado, ele percorreu diferentes cidades durante quase duas semanas, ajustando o roteiro conforme a experiência em cada destino. "Se eu gostasse de uma cidade, eu ficava mais tempo. Se quisesse ir embora, eu simplesmente ia", conta. Para ele, essa autonomia resume a experiência de viajar sozinho. "A maior sensação é a liberdade de poder decidir tudo no momento em que você quer."

Destinos amigáveis para quem viaja sozinho

Veja dicas para escolher o destino, controlar os custos e planejar uma viagem segura e organizada. 

Ficou inspirado? Na hora de escolher um destino para viajar sozinho, leve em conta alguns critérios. De acordo com o relatório The Best Cities for Solo Female Travelers, publicado pela seguradora InsureMyTrip, os principais fatores para serem considerados são a segurança, a facilidade de deslocamento, a qualidade da infraestrutura turística e a oferta de serviços para visitantes. Eles ajudam a reduzir imprevistos e podem tornar a experiência mais prática, especialmente para quem fará a primeira viagem sem companhia.

Também é importante conhecer o seu perfil de viajante. Enquanto algumas pessoas preferem cidades com boa mobilidade e programação urbana, outras procuram destinos voltados ao ecoturismo, à gastronomia ou ao contato com a natureza. Se você ainda tem dúvidas por onde começar, Vinícius deixa uma dica de ouro: "Começar fazendo uma viagem curta pode ser uma boa forma de entender o que você gosta e como se sente viajando sozinho". 

Com base nesses critérios, reunimos destinos que costumam oferecer boa estrutura para receber turistas e que podem facilitar a experiência de quem viaja solo.

Destinos nacionais para conhecer sozinho

  • Bento Gonçalves (RS): indicada para quem gosta de enoturismo e gastronomia, a cidade reúne vinícolas, restaurantes e atrações concentradas em uma mesma região. A boa infraestrutura turística facilita os deslocamentos e a organização do roteiro.
  • Alter do Chão (PA): conhecida pelas praias de água doce, a vila recebe visitantes de diferentes regiões do país. Passeios compartilhados de barco são comuns e podem facilitar tanto a logística quanto a interação entre turistas.
  • Jalapão (TO): grande parte das atrações é visitada por meio de expedições organizadas por agências locais. Para quem viaja sozinho, isso reduz a necessidade de planejar deslocamentos em estradas de difícil acesso.
  • Lençóis (BA): principal porta de entrada da Chapada Diamantina, a cidade concentra hospedagens, restaurantes e agências que organizam trilhas em grupo. Essa estrutura costuma facilitar a viagem para quem visita a região pela primeira vez.
  • Bonito (MS): os passeios seguem um sistema de agendamento e são realizados com acompanhamento de guias credenciados. Isso simplifica a logística e permite que viajantes sozinhos participem de grupos já formados.
  • Cidades Históricas de Minas (Ouro Preto e Tiradentes): as cidades históricas oferecem atrações concentradas nos centros urbanos, que podem ser percorridos a pé em boa parte do roteiro. Além do patrimônio histórico, contam com ampla oferta de hospedagem e serviços turísticos.
  • Curitiba (PR): a capital paranaense se destaca pela facilidade de deslocamento. A Linha Turismo conecta os principais pontos turísticos, reduzindo a necessidade de se utilizar carro durante a viagem.
  • Pipa (RN): o centro concentra hospedagens, restaurantes e comércio em uma área que pode ser percorrida a pé, o que facilita a locomoção de quem viaja sozinho. Além disso, o destino oferece atividades como surfe, passeios de barco e observação de golfinhos.

Destinos internacionais amigáveis

Para quem vai carimbar o passaporte pela primeira vez sem companhia, a América do Sul oferece proximidade cultural. Além da menor duração dos voos, muitos destinos contam com boa estrutura turística e grande circulação de brasileiros.

  • Uruguai (Montevidéu e litoral): o país é uma referência global em segurança para viajantes LGBTQIA+. A capital plana e arborizada é perfeita para caminhadas costeiras nas famosas Ramblas.
  • Buenos Aires (Argentina): ideal para o primeiro roteiro solo. Além do câmbio favorável aos brasileiros, a capital portenha tem um bom sistema de metrô e bairros bastante iluminados, garantindo segurança para curtir a gastronomia até mais tarde.
  • Cusco (Peru): uma das cidades mais procuradas por mochileiros no mundo. A antiga capital inca tem uma comunidade internacional gigantesca e hostels para todos os bolsos.
  • San Pedro de Atacama (Chile): a base do deserto mais árido do mundo é um vilarejo rústico, porém estruturado. O equilíbrio perfeito entre aventura e segurança: os passeios são sempre em grupos guiados, e à noite o centrinho é seguro para pedestres.
  • Santiago (Chile): considerada uma das capitais mais organizadas da América do Sul. O trunfo para quem viaja sozinho é o metrô limpo e eficiente, que permite cruzar a cidade para visitar cerros, museus e vinícolas de forma barata e segura.
  • Medellín (Colômbia): nos bairros voltados ao turismo, a cidade reúne hotéis, restaurantes e boa oferta de transporte público.
  • Lima (Peru): focando a hospedagem nos distritos turísticos de Miraflores e Barranco, a experiência é segura. Esses bairros contam com forte policiamento, parques bem cuidados à beira das falésias e um ótimo cenário gastronômico.
  • Mendoza (Argentina): aos pés da Cordilheira dos Andes, a cidade convida a alugar uma bicicleta e pedalar sozinho pelas vinícolas. Pacífica e muito recomendada para quem quer uma viagem no seu próprio ritmo.
  • Bariloche (Argentina): seja na temporada de neve ou no verão, tem passeios para diferentes perfis de visitantes, além de segurança e conforto.

Se o orçamento permitir cruzar o oceano, estes destinos lideram os rankings globais de segurança e infraestrutura turística.

  • Tóquio (Japão): a capital japonesa é conhecida pela ampla rede de transporte público, pela sinalização que facilita a locomoção e pelos elevados índices de segurança. Para atender diferentes perfis de passageiros, algumas linhas de trem contam com vagões exclusivos para mulheres em determinados horários. A cidade também oferece opções de hospedagem, como hotéis-cápsula voltados ao público feminino.
  • Reykjavik (Islândia): a capital da Islândia está em um dos países mais bem colocados no Global Peace Index. Além dos baixos índices de violência, a cidade reúne uma boa estrutura de hostels, transporte acessível e é ponto de partida para passeios em áreas naturais e fontes termais.
  • Singapura: combina transporte público integrado, baixa criminalidade e ampla sinalização em inglês. Essas características facilitam a locomoção de turistas, especialmente para quem visita o país pela primeira vez. 
  • Munique (Alemanha): reúne parques, museus, áreas históricas e uma rede eficiente de transporte público. A cidade costuma aparecer em levantamentos internacionais relacionados à qualidade de vida e segurança urbana, fatores que favorecem deslocamentos a pé e de transporte coletivo.
  • Viena (Áustria): a capital austríaca conta com transporte público bem distribuído, iluminação em áreas centrais e grande concentração de museus, cafés e edifícios históricos. Também está localizada em um dos países mais bem posicionados no Global Peace Index.
  • Guimarães (Portugal): localizada a cerca de 60 quilômetros do Porto, Guimarães preserva um centro histórico que pode ser percorrido a pé e concentra atrações culturais, restaurantes e hospedagens em uma área compacta. Em 2026, a cidade recebeu o título de Capital Verde Europeia.
  • Copenhague (Dinamarca): conhecida pela infraestrutura para ciclistas, Copenhague também conta com transporte público integrado e áreas adaptadas para deslocamentos a pé. A Dinamarca figura entre os países com melhores indicadores de igualdade de gênero em diversos rankings internacionais.
  • Madri (Espanha): reúne ampla oferta de museus, parques, restaurantes e atrações culturais conectadas por uma extensa rede de metrô. Bares e cafés costumam receber moradores e turistas desacompanhados, o que facilita a experiência de quem viaja sozinho.
  • Montreal (Canadá): combina transporte público, ciclovias e áreas voltadas para pedestres. A cidade recebe estudantes e turistas de diferentes países ao longo do ano, o que contribui para uma oferta variada de hospedagens, eventos culturais e atividades em grupo.
  • Montenegro (Bálcãs): reúne cidades históricas, parques nacionais e praias ao longo da costa do Adriático. Destinos como a Baía de Kotor oferecem passeios de barco, trilhas e centros históricos compactos, que podem ser explorados sem grandes deslocamentos.

Planejamento financeiro, pesquisa e organização ajudam a reduzir imprevistos, mas não determinam como será a experiência. Cada viagem solo é diferente e depende dos objetivos, do perfil do viajante e das escolhas feitas ao longo do caminho. 

Para Májory, as viagens têm um papel de autoconhecimento. "Viajar sozinho faz você entender quem você é, que tipo de experiência procura e quais escolhas fazem sentido para a sua realidade. Nessa troca, eu gosto de pensar que sou um puxadinho de todos os lugares que já passei." E não é porque a viagem começa desacompanhada que ela será solitária. Para Rayanna, estar aberta para explorar, socializar e conhecer o novo trouxe surpresas para além da viagem. “Nelas, conheci pessoas e fiz amizades que mantenho até hoje”, sorri.