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Atualizado em: 25 mar 2020 às 11h e 14m

Você tem medo de lidar com dinheiro?

Como encarar a fobia financeira e construir uma vida mais próspera

 

Você sente calafrios quando recebe a fatura do cartão de crédito? Evita consultar seu extrato bancário diariamente? Tem receio de procurar seu gerente do banco para tirar dúvidas? Fica paralisado diante da necessidade de buscar alternativas para investir seu dinheiro? Esses são alguns dos sinais da fobia financeira, conceito criado por pesquisadores da Universidade de Cambridge a partir do estudo "Investment Phobia" (Fobia de Investimentos), realizado em 2003.

Segundo o estudo, uma em cada cinco pessoas no mundo tem medo de lidar questões relacionadas a dinheiro. Elas evitam conversar – ou até mesmo pensar – em assuntos que envolvem contas a pagar, planejamento financeiro, dívida ou investimentos.

A pesquisa foi realizada em 43 países, incluindo o Brasil e, de acordo com seus dados, o receio de não ter recursos para se sustentar financeiramente atinge 23% das mulheres e 18% dos homens, em níveis diferentes de intensidade. O problema pode trazer graves consequências para a saúde financeira. Com medo de olhar para as finanças, as pessoas podem acabar adiando decisões importantes para suas vidas e para suas famílias.

 

Sintomas da fobia financeira

Veja alguns sinais que podem estar relacionados à fobia financeira.

1 - Quando pensa nas contas e na situação financeira, a pessoa sente que o coração acelera e transpira de pânico;

2 - Recebe extratos, faturas e boletos e prefere não abrir por medo de ver que o saldo está negativo ou que não terá condições de pagar. A pessoa se apavora diante da ideia de encarar a realidade;

3 - Não consegue conversar sobre dinheiro sem ficar nervoso e estressado e, por isso, não fala sobre o assunto com ninguém, nem com familiares;

4 - Sente-se ansioso e apreensivo ao lidar com dinheiro;

5 - Tem insônia porque fica pensando em dinheiro, dívidas e no futuro;

6 - Evita ler ou assistir notícias e comentários sobre finanças. Não tem nenhum interesse pelo assunto e acha que isso é um tédio;

7 - Sente dores crônicas nas costas, pescoço, ombros ou parte do corpo sem explicação razoável.

 

Causas da fobia financeira

O medo excessivo de lidar com dinheiro pode ter diferentes origens, segundo o estudo da Universidade de Cambridge.

A procrastinação, ou seja, o hábito de adiar algo que precisaria fazer neste momento é uma delas. Entrevistados que evitavam tarefas relacionadas ao próprio dinheiro, por inércia, disseram que se sentiram culpados depois que a situação saiu de controle e virou uma fobia.

Outro motivo é a frustração, que ocorre com pessoas que andavam na linha e tinham controle da situação financeira, mas que sofreram perdas por causa de eventos inesperados. Depois de passar por um trauma, a pessoa pode não querer mais se relacionar com as próprias finanças.

A terceira principal causa é a falta de confiança em compreender dados, planilhas, números, gráficos, além de siglas usadas em larga escala quando se fala em finanças. Achar de antemão que não vai entender, acaba levando à dificuldade em lidar com informações recebidas de bancos e prestadores de serviços financeiros. Este tipo de fobia vem da falta de conhecimento e educação financeira, levando pessoas a terem medo de perder dinheiro ao tomar uma decisão errada. Preferem, então, deixar o assunto de lado e se conformam com investimentos mais populares, por exemplo, a poupança.

 

Como encarar o dinheiro sem medo

A capacidade de lidar com a fobia financeira vai depender da gravidade do caso. Existem situações em que a ansiedade causada pelo medo pode gerar males físicos, como gastrite, insônia e transtornos emocionais.

Para avaliar se o problema é grave, especialistas recomendam como primeiro passo, tentar conversar sobre dinheiro com alguém de confiança, como um familiar ou amigo, antes de buscar ajuda do gerente do banco ou de um consultor financeiro. Essa etapa é importante, pois quem sofre de fobia financeira dificilmente consegue tomar sozinho as decisões necessárias para superar suas dívidas ou reduzir seu descontrole.

Se não conseguir ao menos falar sobre o assunto, ficará muito difícil obter o auxílio que precisa. Se essa primeira barreira não for superada, será necessário procurar tratamento psiquiátrico ou terapêutico. Veja mais sobre isso na matéria Falar sobre dinheiro é o melhor remédio.

Quando a pessoa se sentir confortável para conversar sobre o assunto, a dica é pedir ajuda para colocar as contas no papel e encarar o problema de frente. Existem situações em que o medo é tão grande que acaba gerando a percepção de que o problema é maior do que realmente é. Contar com o apoio de alguém para fazer as contas e conhecer a própria fotografia financeira vai permitir dimensionar o tamanho da dificuldade e elaborar um plano de ação para superar cada dívida ou decidir o que fazer com o dinheiro parado. Conheça algumas dicas para fazer seu orçamento doméstico.

Estudar e aprender sobre finanças também pode ajudar a desmitificar o assunto e torná-lo menos assustador. Aproveite os artigos, tabelas e planilhas disponíveis aqui no site do Meu Bolso em Dia e encare suas contas sem medo. Veja mais dicas e fontes de pesquisa na matéria O controle de suas finanças na palma da mão.

 

Dívidas e investimentos

Superar a dificuldade de lidar com dinheiro exige esforço para sair do imobilismo. No caso das dívidas, isso significa pôr todas as contas atrasadas no papel, juntar recibos e se preparar para negociar com os credores. É possível conseguir descontos no valor e prazos mais longos de pagamento. Além dos feirões de negociação, você também pode negociar com bancos e outras empresas por meio do portal www.consumidor.gov.br.

No caso de investimentos, as questões mais comuns são o medo de perder dinheiro,  não conseguir resgatar antes do vencimento e não entender o funcionamento da aplicação. Para superar esses receios, comece fazendo um ou dois investimentos de baixo valor, em aplicações de baixo risco e que oferecem liquidez, ou seja, podem ser resgatadas a qualquer momento. Veja algumas opções de investimentos para formar sua reserva de emergência. Leia também: O que são fundos de investimento e como escolher.




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