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12 perguntas e respostas sobre quitação de dívidas


Tudo o que você precisa saber para pôr sua vida financeira em ordem

 

Ao financiar a casa própria ou um automóvel que usa para trabalhar ou, ainda, ao contratar um empréstimo para fazer uma reforma no quintal, você estará assumindo uma dívida. Mas isso, definitivamente, não é um problema. As pessoas, em geral, recorrem ao crédito para conseguir realizar projetos ou construir um patrimônio. E isso é bom para os indivíduos e para a sociedade, pois gera riquezas.

A questão é saber usar essa possibilidade com inteligência e a favor da prosperidade. Antes de contratar qualquer dívida, é preciso saber se as parcelas cabem no bolso. Sempre considerando que podem ocorrer imprevistos, como a perda do emprego, doença ou morte de um familiar que contribui com a renda. Quando isso não é levado em conta, qualquer situação inesperada pode ser um gatilho para a perda de controle das finanças.

Por isso, é bom ficar atento a alguns sinais de alerta. Se num determinado mês falta dinheiro para pagar uma prestação e você entra no cheque especial ou precisa parcelar a fatura do cartão de crédito, fique de olho. Essa situação deve ser resolvida rapidamente, caso contrário, os juros acabam elevando a dívida rapidamente. Além de ter uma folga para imprevistos, o ideal é que a soma de todas as parcelas dos empréstimos e financiamentos não ultrapasse 30% da renda líquida mensal. Acima desse percentual, o risco de superendividamento começa a aumentar.

 

O superenvidamento é aquela situação em que as dívidas de uma pessoa a impedem de suprir suas necessidades básicas individuais e familiares, como alimentação, moradia, transporte, saúde e pagamento das contas de consumo (gás, água e energia).

Para ser considerado superendividado, o indivíduo não precisa, necessariamente, estar com o nome negativado. Muitas pessoas fazem malabarismos, como o rodízio no pagamento de determinadas contas para evitar o corte de serviços ou a inclusão do nome na lista de inadimplentes. Um mês quita a conta de luz, no outro, a de água. E por aí vai. Mas acabam ficando com a vida cada vez mais enrolada. Outros precisam recorrer com frequência à ajuda de familiares para pagar contas. Veja como sair dessa situação: Prepare-se para viver sem dívidas.

 

Essa pode ser uma alternativa, de fato, se você está usando o rotativo do cartão ou o cheque especial por algum tempo. Como os juros desses produtos são bastante elevados, contratar um empréstimo mais em conta para quitar um mais caro pode ser vantajoso, principalmente, se você tiver acesso ao crédito consignado ou conseguir negociar taxas mais atrativas no empréstimo pessoal. Converse com seu gerente. Veja algumas perguntas que você pode fazer a ele lendo a matéria Perguntar não ofende.

 

Em julho de 2018, os juros médios do rotativo do cartão estavam na casa dos 291,9% ao ano (dados do Banco Central). Por outro lado, o rendimento das aplicações financeiras mais comuns, como a poupança, o CDB (Certificado de Depósito Bancário) e os fundos de investimentos, são infinitamente mais baixos. O rendimento da poupança, por exemplo, foi de 0,3715% em julho somando uma rentabilidade de 4,55% em um ano. Em várias outras modalidades de aplicações, o rendimento não fica acima dos 6% ao ano, atualmente.

Portanto, a dica é aproveitar a entrada de dinheiro extra para quitar logo a dívida no cartão, evitando comprometer parte do orçamento com o pagamento de juros. Livrando-se da dívida mais pesada, comece a planejar uma aplicação mensal, mesmo que o valor seja pequeno. Neste vídeo, a Dra. Vera Rita de Mello Ferreira dá dicas valiosas para fazer um pé de meia.

 

Essa pode ser, sim, uma alternativa para sair das dívidas. Se você tem um carro, por exemplo, vendê-lo para quitar um empréstimo, incluindo aí o rotativo do cartão e o cheque especial, pode ser duplamente vantajoso.

Você pode conseguir um desconto para liquidar o que deve, interrompendo o pagamento de juros e o crescimento do saldo negativo. E ainda fazer uma boa economia com combustível, estacionamento, seguro, IPVA e a depreciação do automóvel. Essas despesas, juntas, podem chegar a um terço do valor do carro a cada ano. Se você tem um carro de R$ 30 mil, poderá deixar de gastar cerca de R$ 9 mil por ano com ele.

 

É a possibilidade de efetuar o pagamento parcial ou total de um empréstimo ou financiamento antes do prazo e ter um desconto nos juros que incidem sobre o valor total do contrato. Se você contratou um crédito em dez parcelas e em três meses consegue o recurso para quitar, terá direito à redução proporcional de juros sobre as parcelas que antecipar. Esse direito é assegurado pelo Código de Defesa do Consumidor.

 

O cálculo do desconto funciona assim: o saldo devedor é trazido a valor presente, ou seja, são descontados os juros que iriam incidir no futuro se você continuasse pagando as parcelas. Como você está antecipando o pagamento, a instituição não pode cobrar juros futuros por essa dívida.

As empresas devem informar, sempre que você pedir, o saldo devedor e os cálculos dos descontos, de maneira simples e clara, para que você possa fazer a conferência. Você também pode efetuar suas contas usando a calculadora de quitação antecipada de empréstimos e financiamentos disponibilizada pelo Ministério Público de Santa Catarina. Clique aqui para acessar.

 

O Banco Central proíbe a cobrança de tarifa de liquidação antecipada quando o empréstimo ou financiamento tiver sido contratado por pessoas físicas, microempreendedores individuais ou empresas de pequeno porte. Para empresas de médio e grande porte, a cobrança é permitida, desde que esteja prevista no contrato.

 

Geralmente, as instituições financeiras têm áreas especializadas em negociação de dívidas e oferecem propostas de parcelamentos com juros mais baixos a seus consumidores. O importante é procurar ajuda na instituição o quanto antes, sem deixar que a dívida cresça exorbitantemente por conta dos juros. Caso a instituição se recuse a negociar, o cliente pode pedir ajuda ao Procon ou demais órgãos de defesa do consumidor para chegar a um acordo.

 

O Código Civil estabelece um prazo máximo de dez anos para a cobrança de dívidas. Após este período, o credor não poderá mais entrar com um processo na justiça para exigir o pagamento. A maioria das contas, como boletos, água, luz e telefone, prescrevem em cinco anos. Para alugueis, o prazo é de três anos.

Após a prescrição, o nome do consumidor deve ser retirado dos cadastros de inadimplentes, como Serasa e SPC. O fato da dívida prescrever, contudo, não significa que ela não deva ser paga. A dívida continuará em aberto com o credor; deixará apenas de estar visível para outras empresas.

Se precisar tomar um novo crédito na mesma instituição, por exemplo, ela terá seu histórico e, muito provavelmente, recusará o empréstimo até que o saldo seja regularizado. Além disso, ficar com o nome negativado por cinco anos pode causar muitos transtornos para a pessoa e a família.

 

Há, em todo o Brasil, uma série de instituições que prestam orientação, dão treinamentos, intermediam acordos com os credores, prestam assessoria jurídica e, em alguns casos, dão apoio psicológico aos consumidores superenvididados. Tudo de graça. Conheça as principais delas e veja como acessá-las: Onde buscar apoio para sair das dívidas.

 

Antes de partir para a negociação, coloque seus gastos e entradas de dinheiro no papel e converse com a família para descobrir despesas que podem ser enxugadas por um determinado período, para sobrar dinheiro para pagar a dívida.

Conhecendo o valor que poderá dispor, defina um limite para negociar e não assuma compromissos com os quais não possa arcar. Se for o caso, negocie um desconto nos juros ou um prazo maior para pagar. Feita a negociação, quite as parcelas sempre em dia, pois uma nova renegociação poderá ser bem mais complicada.




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