Tem um bebê a caminho ou sonha ser mãe? Saiba como se preparar financeiramente

Conheça as principais despesas da gestação à fase adulta dos filhos e veja dicas de como se planejar para uma maternidade tranquila

Organizar as finanças

/ 06 Mai 2025 / 9 min. leitura
como se preparar financeiramente para a maternidade

Para muitas mulheres, ser mãe é a realização de um grande sonho. Não importa se a filha ou o filho é biológico, adotivo, fruto de métodos de reprodução assistida, aguardado com expectativas ou uma surpresa inesperada. A chegada de um bebê é sempre uma fase importante e significativa na história de qualquer família. Com ela, chegam, também, novas responsabilidades e, principalmente, novas despesas.

Por isso, a dica é se planejar para esse momento. Para ajudar você nessa jornada, preparamos um roteiro com orientações sobre como se organizar para viver cada fase da chegada da criança com tranquilidade. Mapeamos as principais despesas desde a gestação até o parto e, em seguida, do nascimento até a fase adulta dos filhos. Os gastos podem variar muito de acordo com a renda, mas é bom lembrar que não é o tamanho do bolso que conta, mas sim o tamanho do coração.

1. Da gestação ao parto: preparativos essenciais para a chegada do bebê

A recomendação é, se possível, começar a poupar com pelo menos dois anos de antecedência. Mas, mesmo que a gestão seja inesperada, é possível se preparar para os gastos que virão, fazendo adaptações no orçamento. 

Consultas e exames pré-natal

A partir da descoberta da gravidez, as preocupações financeiras se voltam para o período da gestação, quando começam a entrar no orçamento os gastos com exames, consultas pré-natal e o próprio parto. O pré-natal envolve a realização de consultas mensais com o obstetra e de diversos exames para garantir o desenvolvimento saudável da gestação e a redução de riscos no parto para a mulher e o bebê.

Os planos de saúde cobrem 100% dos cuidados anteriores ao parto, mas é necessário que a futura mamãe já tenha o plano antes de engravidar para não ficar sem atendimento devido ao período de carência, que pode ser de até seis meses para consultas e exames.

Já o Sistema Único de Saúde (SUS) cobre os gastos de quem não tem plano de saúde nem condições de pagar por um tratamento particular. Para acessar o serviço, a gestante deve procurar a unidade de atenção básica de saúde (UBS) mais próxima de sua residência para avaliação e planejamento das consultas e exames pré-natais, até o momento do parto.

Caso a mulher não tenha plano de saúde e não queira utilizar a rede pública do SUS, é importante considerar quais serão os custos desde o início e ter o pré-natal como prioridade. Em clínicas populares, em abril de 2025, as consultas com um obstetra custam em torno de R$137 cada uma. Nessas mesmas clínicas, a ultrassonografia obstétrica pode variar de R$170 a R$285, dependendo do tipo de exame e da fase gestacional.

Há ainda alguns exames de sangue, que variam dependendo da condição da mulher e das semanas de gestação, além de análises mais específicas, como o ecocardiograma fetal, que avalia a anatomia e o funcionamento do coração do bebê e pode variar de R$270 a R$600, em laboratórios especializados.  

Roupas e cuidados da gestante

como economizar em roupas para gestantes

Ao longo da gestação, as roupas que a mulher usa no dia a dia começam a ficar apertadas e desconfortáveis, sendo necessário incluir trajes mais soltos e confortáveis no armário. Os modelos para gestante, contudo, costumam ser mais caros que as roupas comuns. Por isso, invista em algumas peças de qualidade e aposte nos brechós e doações de amigas para economizar. 

Alguns modelos de roupas, como calças com elásticos na cintura e batas, por exemplo, costumam durar da metade ao fim do período de gestação. Sabe aquela calça que ficou apertada no início da gravidez? Colocar um elástico no lugar do botão para fechá-la pode ser um bom truque para garantir maior vida útil à peça durante esse período. 

Muitas vezes, a gestante também precisa completar sua dieta com suplementos e vitaminas, que costumam ter um custo elevado. Considere isso na hora de planejar seus gastos.

Decoração do quarto e enxoval

As futuras mamães adoram ver o quarto arrumado e decorado para a chegada do bebê. Do berço às roupinhas, os custos iniciais variam muito de bolso para bolso. Um cômodo com móveis planejados, por exemplo, pode chegar a R$20 mil em lojas especializadas em mobiliário infantil (abril/25). Kits de higiene, papel de parede, tapetes, quadros e outros itens de decoração personalizados podem encarecer ainda mais o enxoval.

Vale lembrar que essa fase passa rápido e que, conforme o bebê cresce, tudo será trocado e outras tantas despesas irão surgir. Por isso, a dica é buscar alternativas mais em conta. As redes sociais estão recheadas de anúncios com móveis novos e seminovos. Garimpar berço, cômoda e poltrona de amamentação em grupos de trocas ou com amigos e familiares pode representar uma boa economia. Um berço novo pode custar R$1.500, enquanto o mesmo modelo, usado, sai por R$600.

Do nascimento aos três meses de idade, os bebês costumam perder roupas ainda novas, já que crescem e ganham peso rapidamente. De olho na economia circular, muitos empreendedores aderiram ao mercado de segunda mão. No caso dos bebês e crianças, há lojas especializadas em roupas e acessórios seminovos. 

Faça uma busca na internet para achar uma que atenda a sua região e aproveite para comprar itens que podem custar até 90% menos do que os novos. Aposte em peças básicas e invista na quantidade de itens, já que os bebês costumam fazer diversas trocas de roupas durante o dia nessa fase.

Pensou em promover um chá de bebê? Aproveite para fazer uma lista, completar os itens que faltam no enxoval e garantir um bom estoque de fraldas descartáveis de diferentes tamanhos. Existem, ainda, alternativas mais sustentáveis de fraldas feitas de pano e laváveis. Fabricantes estimam que as fraldas de pano tenham um uso equivalente a 400 fraldas descartáveis.

Enxoval da maternidade

Cada maternidade costuma sugerir uma lista básica de enxoval para a mamãe e o bebê. Em geral, ela inclui:

# Para a mala da mamãe: duas ou mais camisolas ou pijamas com botões frontais, um roupão, roupa íntima confortável e soutiens para amamentação, chinelo, protetor para o seio, cinta pós-parto (de acordo com a recomendação médica) e kit de higiene pessoal (algumas maternidades oferecem absorventes íntimos, mas é sempre melhor levar aquele que você já tem o costume de usar, para garantir). Vale a pena incluir na lista uma pomada específica para os seios no início da amamentação. Ela ajuda a aliviar o desconforto inicial dessa fase. 

# Para a mochila do bebê: seis macacões e a mesma quantidade de bodys e calças; seis pares de meias; fraldas de boca; xales ou cobertores; kit higiene com escova de cabelo macia e lixa para as unhas. Há maternidades que não fornecem fraldas descartáveis, então informe-se sobre a necessidade de levá-las ou não. Lembre-se de separar os kits de roupas escolhidas para cada dia em saquinhos identificados com o nome da criança, pois isso facilita o trabalho da equipe de enfermagem.

Para o enxoval da maternidade você também pode considerar um enfeite de porta com o nome da criança e eventuais lembrancinhas que serão entregues às visitas durante os dias de internação. Há também os serviços de foto e filmagem de parto que, na rede particular, podem ser contratados no momento da internação. 

Para os partos em hospitais particulares, ainda é preciso prever os custos com as vacinas que o bebê tem que tomar ao nascer, como a BCG (contra tuberculose) e a vacina contra a hepatite B. Outras despesas incluem versões ampliadas de testes gratuitos feitos pelo SUS, como o do pezinho, a triagem auditiva e o teste do olhinho.

Vale lembrar que para sair da maternidade com o recém-nascido é obrigatório o uso do bebê conforto.

Custo do parto

O parto, em geral, é coberto pelo plano de saúde e está disponível gratuitamente na rede pública. Na rede particular, dependendo do tipo de parto, do hospital e das acomodações escolhidas, ele pode variar de R$15 mil a R$45 mil (valores de abril/25), o que inclui as despesas com obstetra e anestesista, mas nem sempre cobrem eventuais emergências. Confira se há a possibilidade de parcelar o pagamento ou fale com seu obstetra e peça orientação sobre hospitais públicos na sua cidade.

2. Explorando opções e custos de reprodução assistida

Muitos casais tentam engravidar naturalmente por anos, sem sucesso. Do início das tentativas até a identificação de um possível problema, há muitos caminhos a serem trilhados. Nos homens, a varicocele, uma dilatação das veias do escroto, reduz a qualidade do sêmen e afeta a fertilidade. Já as mulheres podem apresentar problemas de ovulação.

Ambos os casos necessitam de intervenção médica, que pode ser feita gratuitamente pelo SUS (mediante indicação de especialista) ou por meios particulares, com intervenção cirúrgica, no caso dos homens, e aplicação de injeções de hormônios, para as mulheres.

A reprodução assistida utiliza diferentes técnicas, que vão da inseminação artificial à fertilização in vitro. Os tratamentos variam de R$15 mil a R$30 mil (valores de abril/25), em clínicas particulares, e incluem o laboratório, as medicações e a consulta, para cada tentativa.

Esses recursos não estão restritos somente àqueles que podem pagar. Desde 2012, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece serviços de referência de Alta Complexidade para Reprodução Humana Assistida. Além de acompanhamento integral para o planejamento familiar, o SUS oferta tratamentos em Centros de Reprodução Humana Assistida instalados em diferentes instituições de saúde de várias capitais. 

Em alguns deles, como o Hospital Pérola Byington e o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, na capital paulista, e o Hospital Materno Infantil de Brasília, no Distrito Federal, o tratamento é completamente gratuito. Em outros, o paciente precisa arcar com os medicamentos, que podem variar de acordo com a paciente e com a técnica e custam de R$3.500 e R$9.000 (valores de abril/25). 

Dependendo do Estado, os hospitais e clínicas credenciadas pelo governo federal para este tratamento têm fila de espera. Além disso, existem regras para obter o benefício, como idade mínima, renda familiar, histórico de doenças crônicas e outros critérios médicos que determinam a prioridade no tratamento. 

3. Adoção: uma jornada afetiva e legal

Adoção pode ser feita por qualquer pessoa adulta 

No Brasil, a adoção é regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O processo não envolve custos, mas é bastante burocrático e demorado. Há, inclusive, um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, o PL 2.959/2023, para reduzir o tempo entre o início do estágio de convivência e a adoção legal.

Podem ser adotadas crianças e adolescentes com pais biológicos desconhecidos, falecidos ou destituídos, judicialmente, do poder familiar, nos casos em que foram esgotadas as alternativas de permanência na família de origem. 

A pessoa interessada em adotar deve procurar a Vara de Infância e Juventude do município ou da região em que mora. Para entender como funciona o passo a passo da adoção, documentos necessários, entender o sistema nacional de acolhimento e adoção e acessar outras informações, visite a página do Projeto Adotar, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

4. Custos: do nascimento à maioridade

Como planejar o futuro financeiro do seu filho

A chegada de um filho, além de imensa felicidade, traz inúmeras responsabilidades aos pais, principalmente no que diz respeito às finanças. Desde a concepção até a independência financeira de um filho, as despesas incluem educação, saúde, alimentação, lazer e, ainda, devem prever suporte financeiro durante a transição para a vida adulta.

Dados de um estudo feito pelo Insper a pedido do Estadão, em 2023, mostram que as famílias têm um gasto médio mensal de 30% da renda com os filhos. O levantamento, conduzido pela professora e coordenadora do curso de Economia do Insper, Juliana Inhasz, baseia-se nas informações sobre classe e renda do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considera os custos com alimentação, roupas, lazer, educação, saúde e parte de despesas como aluguel, por exemplo. Nas grandes cidades brasileiras, onde os custos de vida são mais elevados, o gasto médio mensal pode subir até 50% em relação aos demais municípios.

Quanto custa criar um filho no Brasil

De acordo com a estimativa feita em 2023 pela professora Juliana Inhasz, do Insper, para o Estadão, os custos para criar um filho até a idade adulta são os seguintes: 

  • Famílias de classe C (com renda familiar mensal de R$5.281 até R$13,2 mil): os gastos variam entre R$480 mil e R$1,2 milhão.
  • Famílias de classe B (com renda familiar mensal de R$13.201 até R$26,4 mil): os gastos variam de R$1,2 milhão até R$2,4 milhões.
  • Famílias de classe A (renda familiar mensal acima de R$28 mil): os gastos são superiores a R$ 3,6 milhões.

Outro estudo, feito pelo planejador financeiro Guilherme Baía para o InvesNews traz os gastos de forma mais detalhada, por faixa etária, para as diferentes classes sociais:

RENDA FAMILIARCLASSE ACLASSE BCLASSE CCLASSE D
IDADECusto médio mensal de R$ 3.998Custo médio mensal de R$ 2.546Custo médio mensal de R$ 1.307Custo médio mensal de R$ 392
0 - 2R$ 81 milR$ 46 milR$ 18 milR$ 7 mil
3 - 6R$ 146 milR$ 81 milR$ 36 milR$ 15 mil
7 - 11R$ 168 milR$ 110 milR$ 59 milR$ 17 mil
12 - 15R$ 196 milR$ 134 milR$ 77 milR$ 20 mil
16 - 18R$ 178 mil R$ 126 milR$ 65 milR$ 17 mil
19 - 23R$ 178 milR$ 204 milR$ 103 milR$ 29 mil

Fonte: Guilherme Baía, planejador financeiro (InvestNews)

Produtos de investimentos para o futuro dos filhos

O Tesouro Educa+ foi criado pelo Tesouro Direto para apoiar as famílias no planejamento do futuro educacional das crianças. Com investimentos a partir de apenas R$ 30 por mês, o título é flexível, tem baixo risco e seu rendimento acompanha a inflação, tornando-se uma opção para lidar com os desafios financeiros que as famílias enfrentam ao longo dos anos.

Veja outras dicas de onde aplicar o dinheiro das crianças para proteger o poder de compra do valor poupado ao longo do tempo.

5. Dicas para manter seu bolso em dia após a chegada dos filhos

Agora que você já conhece alguns dos gastos gerais, conheça boas práticas para garantir a sua saúde financeira enquanto navega pelas alegrias e desafios da maternidade.

Tenha uma reserva financeira

Comece a planejar os gastos dois anos antes de cada fase da criança e vá criando uma poupança que possa aliviar as preocupações que podem surgir, construindo um futuro mais seguro e tranquilo para toda a família. Uma boa dica, para isso, é fazer um investimento programado. Assim, o valor que você definir sairá de sua conta para a aplicação da criança na data que você desejar, garantindo a periodicidade no aporte e evitando esquecimentos.

Crie o hábito de controlar os gastos

A chegada de um filho pode aumentar o impulso por compras como brinquedos, roupinhas, móveis e outros objetos que custam caro, duram pouco e não agregam muito valor à qualidade de vida da família. O controle do orçamento ajuda a evitar despesas desnecessárias e investir no que realmente importa. Para ajudar você nessa tarefa, use uma de nossas 8 planilhas gratuitas. Veja, também, nosso Guia do Planejamento Financeiro Familiar.

Educação e saúde em primeiro lugar

Crianças que se alimentam mal e ficam o dia inteiro grudadas nos eletrônicos apresentam doenças típicas do mundo adulto, como depressão, diabetes e colesterol alto, entre outras. Quer ver seu filho saudável e preparado para lidar com os desafios do mundo? Então, invista em uma boa alimentação, prevenção de doenças, prática de esportes e educação de qualidade. Veja como ter equilíbrio na alimentação e no bolso e como garantir a educação dos filhos.

Contrate uma proteção

A chegada de um dependente aumenta a responsabilidade e o seguro é uma maneira de garantir o sustento do filho na ausência ou perda de renda dos responsáveis. Há diversas modalidades de seguros disponíveis no mercado, como o de vida, prestamista, educacional, proteção e renda e outros. Fale com um corretor ou com seu banco. Veja, também, alguns mitos e verdades sobre seguros e descubra se esse produto financeiro é adequado para você.

Pequenas saídas, grandes gastos

Uma pequena ida ao shopping com as crianças pode virar uma grande dor de cabeça para os pais. Para fugir das armadilhas de consumo, dê preferência a passeios ao ar livre e escolha programas gratuitos ou mais em conta oferecidos por unidades do SESC, prefeituras e organizações sociais, entre outros. Parques e ambientes abertos são uma ótima opção para o bolso e para a saúde das crianças.

Mães unidas jamais serão vencidas

Na idade escolar, uniformes, material escolar e livros pensam no orçamento. A lista de gastos é grande, mas é possível economizar. Além de reaproveitar o que for possível, converse com outros pais da escola e crie um grupo de WhatsApp para facilitar trocas de itens que não servem mais. Outra alternativa é organizar compras coletivas de mochilas, estojos e lancheiras, listas de materiais escolares, entre outros. Vale, ainda, buscar livros didáticos e paradidáticos seminovos a preços acessíveis na internet.

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Matéria publicada em 11/10/2022 e atualizada em 06/05/2025