A educação financeira é uma preocupação em muitas famílias. De acordo com a pesquisa Finanças Infantis 2021, feita pelo Serasa, 81% dos pais e mães controlam os gastos dos filhos para ensinar a eles a importância de poupar. Mas apenas 60% das crianças de fato guardam parte do dinheiro que recebem de mesada ou presente em datas especiais.
O tema é de fato relevante. Afinal, o bem-estar financeiro tem tudo a ver com as escolhas que fazemos ao longo da vida. E quanto mais cedo pudermos trabalhar a educação financeira dentro de casa, melhor as crianças estarão preparadas para tomar decisões conscientes e que as ajudem em suas conquistas no futuro.
Quer saber como trazer esse assunto de forma leve e interessante para os pequenos? Escute nosso podcast sobre o tema e inspire-se!
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Como ensinar educação financeira desde cedo
Tão importante quanto falar sobre finanças com as crianças, é saber como tratar o assunto de forma apropriada para cada idade, já que cada faixa etária tem suas particularidades. Por isso, separamos algumas orientações para abordar a educação financeira de forma adequada em cada etapa da vida das crianças.
Educação financeira de crianças de 0 a 5 anos
Nesta fase, chamada de primeira infância, a criança tem o período de maior desenvolvimento cerebral e físico. Ela aprende a falar, andar, adquire certa consciência do corpo e começa a se relacionar com familiares e amigos. Esse é o momento perfeito para desenvolver alguns conceitos básicos que ajudam na formação do caráter - e isso pode ser feito de forma divertida!
É o que Patrícia Marinho e Pat Camargo, fundadoras da plataforma Tempojunto, chamam de Parentalidade Brincante: alguns momentos diários podem ser transformados em oportunidades de aprendizagem, de uma forma natural e por meio de brincadeiras.
Mas como inserir o tema no cotidiano das crianças pequenas? A seguir, trazemos algumas dicas para isso.
O valor da espera
A primeira infância é uma etapa muito rica para estabelecer limites e desenvolver o hábito da espera para obter o que deseja. Se todas as demandas da criança forem prontamente atendidas, sem que ela aprenda a aguardar o momento certo para receber o que quer, no futuro, ela pode ter dificuldade em lidar com restrições, como o limite do salário ou do cartão de crédito, por exemplo.
Assim, é fundamental dizer frases como “agora não”, “aguarde sua vez”, “espere o almoço para comer a sobremesa”, “vamos guardar metade do pacote de biscoitos para mais tarde”, entre outras expressões que ajudem a criança a postergar a satisfação imediata.
Outra maneira de ajudá-la a compreender o valor da espera é convidá-la a preparar uma receita de bolo ou de sorvete que demande tempo para ficar pronta. Ela terá que conter o impulso de saborear o prato antes da hora, mas no momento certo, verá que valeu a pena esperar.
Não ao desperdício
Outra lição a ser aprendida nessa fase é o uso racional de recursos como água, energia e alimentos, que fazem parte do dia a dia da criança desde que ela nasce e que custam dinheiro, por isso não devem ser desperdiçados. Como ela ainda não tem consciência do valor do dinheiro, não adianta usar esse argumento. A melhor maneira de trabalhar esse conceito nessa faixa etária é por meio de jogos e brincadeiras como as que ensinamos na matéria Como ensinar crianças a economizar energia elétrica.
Criança e consumo
Embora as crianças nessa idade ainda não tenham muito contato
com dinheiro, a exposição desde cedo à mídia na internet e na TV estimula o
desejo de consumo. Por serem muito fantasiosas, elas realmente acreditam nos
efeitos especiais mostrados nas propagandas de brinquedos e são facilmente
influenciáveis, por isso, quanto menos contato tiverem com esse tipo de apelo
comercial, melhor para não desenvolverem um comportamento consumista.
O Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana traz conteúdos
e alertas importantes sobre os cuidados que devemos ter ao escolher os canais
de comunicação que as crianças devem ter contato. Trocar as idas ao shopping
por passeios em família em ambientes ao ar livre, como parques e praças também
é uma medida importante para evitar que a criança associe o consumo à
convivência com as pessoas que ama.
Educação financeira de crianças de 6 a 9 anos
Nesse período, a criança começa a se alfabetizar, aprende a
fazer cálculos, a ponderar e comparar opções, seu raciocínio avança e ela já
consegue antecipar as consequências de algumas decisões em um futuro próximo.
Segundo a pesquisa da Serasa, é nessa idade que 47% dos pais costumam começar a dar mesada aos filhos, para ensiná-los a lidar com o próprio dinheiro, a economizar e a fazer uma reserva para conquistar algo melhor depois. Dos respondentes, 38% costumam dar entre R$ 20,00 a R$ 60,00 ao mês e 28% têm o hábito de dar um valor acima de R$ 120,00.
Aprender o valor do dinheiro
Entre os 6 e os 9 anos, a criança tem mais contato com o dinheiro e começa a tomar decisões, seja para comprar o lanche na escola, um sorvete ou brinquedo a caminho de casa. É importante deixá-la manusear o dinheiro, pedir que ela acompanhe você até a padaria e que faça compras.
Levá-la com você ao mercado pode ajudá-la a se familiarizar com as transações financeiras e entender quanto vale cada nota e cada moeda. Fazendo isso, ela também aprende a verificar se o troco está correto,
comparar preços, analisar se algo está caro ou barato, entre outras noções de
valor.
Ponderar opções
Uma boa maneira de evitar que a criança fique pedindo para
você comprar tudo que ela vê pela frente é dar um limite de valor ou de
unidades a serem compradas. Por exemplo, ao chegar no mercado, diga a ela que
poderá escolher até duas guloseimas.
Caso ela escolha um terceiro produto enquanto estiverem
passeando pelas gôndolas, peça para que ela escolha um dos itens para devolver.
Assim, ela saberá que o dinheiro é limitado e que não se pode ter tudo, é
preciso abrir mão de uma opção para ter outra.
Definir objetivos
Outra boa lição nessa fase é incentivar a criança a criar
metas para estimular o hábito de poupar. Digamos que ela gaste R$ 2,00 todos os
dias para comprar um chiclete. Que tal convidá-la a multiplicar o valor desse
chiclete por 30 dias, para que ela entenda quanto pode economizar em um mês?
O cofrinho e a semanada são ótimos recursos para ajudar a
criança a compreender o resultado de seu esforço e gerenciar o dinheiro que
recebe, mas é fundamental que ela realmente conquiste o que deseja.
Não adianta dar um cofrinho e um valor semanal para a criança
e continuar comprando tudo que ela pede, enquanto ela guarda o dinheiro dela. A
criança precisa sentir a frustração de deixar o chiclete de lado para juntar o valor
suficiente para seu objetivo. Só assim, terá a satisfação da conquista.
Educação financeira de crianças de 10 a 14 anos
Na fase seguinte, a criança caminha para a adolescência e deseja autonomia, quer ser responsável por suas decisões. Embora ainda sob supervisão dos adultos, ela já pode assumir novas responsabilidades.
Tarefas remuneradas
Não se deve pagar a uma criança para realizar tarefas que são
sua obrigação, como arrumar a cama, cuidar de bichos de estimação que ela pediu e fazer o dever de casa. É
muito importante que a criança compreenda que vive em uma comunidade e que
todos os que dividem o mesmo ambiente devem colaborar com a limpeza, a
organização e a rotina doméstica.
Entretanto, é possível incentivar a criança a pensar em
formas de ganhar algum dinheiro e engordar sua poupança, como vender brinquedos
usados, passear com o cachorro do vizinho, lavar o carro, ajudar na pintura da
casa, entre outros.
Conta corrente bancária
Como ela já está familiarizada com os números, uma dica é abrir uma conta corrente, se possível remunerada, uma conta mesada ou poupança
para que ela guarde seu dinheiro e veja concretamente o rendimento de suas
aplicações.
Atualmente, várias instituições financeiras oferecem a
possibilidade de abrir conta para menores de idade. Para isso, basta ter RG e
CPF dos menores e de um responsável, que deve ser o pai ou a mãe. Alguns bancos
também vinculam ações de educação financeira e atividades gamificadas para incentivar
a criança a receber recompensas por tarefas ou missões.
Para ensiná-la a usar bem o dinheiro, o ideal é definir uma
data certa para os depósitos e deixá-la administrar o valor ao longo do
período, sem fazer depósitos extras caso ela gaste o dinheiro. Assim, ela
aprenderá que o dinheiro acaba se não for gerenciado com eficiência.
Cartão de crédito
A decisão de dar um cartão de crédito vai depender muito de como a criança e o adolescente se comportaram até aqui com os demais desafios. Se souberem administrar o dinheiro do cofrinho, da mesada e da conta corrente, pode ser que estejam prontos para exercitar o uso do cartão.
Mas lembre-se que duas características muito marcantes dos
jovens são a impulsividade e o desejo de pertencer ao grupo. Na companhia dos
amigos, eles podem ser facilmente fisgados pelas tentações de consumo.
Portanto, vale tomar cuidado, observar muito bem o comportamento e ensiná-los a
ler a fatura do cartão, a entender o significado de limite de crédito e a
conhecer as consequências do descontrole no uso desse instrumento.
Educação financeira de jovens a partir dos 15 anos
O jovem que recebeu as orientações acima durante a infância estará muito mais preparado para lidar com os desafios que virão com a escolha profissional – morar com os amigos, administrar o primeiro salário, comprar roupas, viajar e realizar seus próprios planos.
Aprender com os erros
Mesmo que tenha experimentado a
educação financeira desde pequeno, o jovem agora terá que tomar suas decisões e
assumir a responsabilidade por elas. O melhor a fazer nesse momento é deixá-lo
errar e consertar seus erros sozinho.
Pode ser duro ver um filho entrando
em dívidas, gastando mais do que deve, ficando com o nome sujo, mas é
importante dar espaço para suas experiências financeiras enquanto ainda tem
pouco a perder.
Quando os pais socorrem os filhos
constantemente, estão dizendo a eles que não têm capacidade para lidar com seus
próprios desafios. Se quiser criar um filho com autonomia, deixe-o errar e
aprender com os erros.
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Matéria publicada em 08 de outubro de 2021 e atualizada em 11 de outubro de 2022




