Prepare-se para fazer o melhor acordo no Mutirão de Negociação

Confira as orientações e um passo a passo para se preparar para negociar dívidas no Mutirão de Negociação e Orientação Financeira, que acontece de 1 a 31 de março de 2026.

Sair das dívidas

/ 03 Mar 2026 / 4 min. leitura
como se planejar para a renegociação de dívidas no Mutirão 2026

Entre os dias 1º e 31 de março de 2026, os consumidores brasileiros terão uma ótima oportunidade de negociar parcelas atrasadas com bancos e financeiras. Nesse período, acontece o Mutirão de Negociação e Orientação Financeira promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e bancos associados em parceria com o Banco Central do Brasil, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a Associação Brasileira de Procons - PRCONSBRASIL e o Colegiado Nacional dos Procons Estaduais.

Durante o Mutirão, as instituições financeiras oferecem condições especiais de renegociação para contratos que não tenham bens dados em garantia e que não estejam prescritos.

Prepare-se para negociar: veja as dicas de como se organizar para fechar um acordo, quitar as parcelas em dia e sair das dívidas de uma vez por todas para voltar a fazer planos.

Prepare-se para a negociação

Veja como se organizar antes de entrar em contato com o credor e pedir um acordo. Com organização, você pode usar a negociação de dívidas como um ponto de partida para retomar seus projetos de vida.

1. Descubra o valor atual de sua dívida

A maneira mais fácil de conhecer o valor atual de uma dívida no cartão ou outro tipo de empréstimo ou financiamento é consultando o aplicativo, site ou entrando em contato com seu banco ou financeira, caso a dívida seja com uma dessas instituições.

Outro canal é o Registrato, um sistema do Banco Central que consolida dados do relacionamento dos consumidores com as instituições financeiras. Ele pode ser acessado por qualquer cidadão, que pode visualizar todas as informações de sua vida financeira, como contas bancárias, empréstimos e financiamentos. Para acessar, é necessário ter uma conta Gov.br ouro ou prata.

Para descobrir se você tem alguma outra pendência que desconhece com instituições financeiras, lojas e outras empresas, além de falar direto com o credor, você também pode consultar seu CPF no site dos birôs de crédito. Serasa, Boa Vista e SPC oferecem esse serviço gratuitamente.

2. Defina um teto para negociar

Depois de entender o valor de suas dívidas, a dica é estipular um valor mensal que caiba no seu bolso para quitá-las. Para isso, é preciso anotar todas as entradas e saídas de dinheiro, incluindo as despesas mensais fixas, como aluguel, prestações, financiamentos, e as variáveis (contas de água, luz, gás, supermercado, transporte e outras). Inclua inclusive gastos com lazer e outras despesas eventuais. 

Listou tudo? Faça as contas: some ganhos e gastos e veja o valor que você pode usar para quitar as dívidas. Para ajudar, você pode usar nossas planilhas. Elas são gratuitas e já vem com as fórmulas prontas. Basta inserir os valores que ela faz os cálculos para você.

Imagine que você ganha um valor líquido de R$ 2.000 ao mês e, juntando todas as despesas, gasta R$ 1.850. Nesse caso, você teria R$ 150 ao mês para pagar as parcelas da negociação. Esse será o seu teto para negociar as parcelas no Mutirão. A dica é não fechar um acordo que não consiga arcar para evitar enroscos maiores depois.

Fez a conta e não sobrou nada? É hora de sentar com a família e ver o que pode ser cortado ou reduzido temporariamente para ter uma sobra mensal até quitar as dívidas. Para começar, vale ler esta matéria que orienta sobre como mapear pequenos desperdícios e gastos escondidos na fatura do cartão.

3. Caso tenha mais de uma dívida, saiba priorizar o que pagar primeiro

Se você tem mais de uma dívida e não sabe o que pagar primeiro, a recomendação é priorizar o pagamento das contas de serviços essenciais, como água, luz, gás. Em seguida vêm os empréstimos com garantia, ou seja, aquele em que você ofereceu um carro ou imóvel em garantia, para conseguir uma taxa de juros menor. Assim, você evita o risco de perder o bem.

Então, entram as outras dívidas. A dica é priorizar as mais caras, quitando o rotativo ou parcelamento do cartão de crédito, e cobrindo o uso do limite da conta (“cheque especial”), por exemplo.

4. Se você está superendividado, não espere as coisas se complicarem ainda mais: busque orientação

No item acima, falamos sobre priorização daquelas dívidas sobre as quais você tem controle. Quando a situação se tornou tão grave que fica impossível quitar as dívidas em atraso e manter o básico para a sobrevivência, como moradia e alimentação, é o que chamamos de superendividamento.

Para esses casos, existe a Lei do Superendividamento, que prevê um tratamento especial às pessoas que se enquadram no perfil de superendividadas. A recomendação é buscar um serviço especializado de apoio a superendividados, que pode ajudar você a se organizar melhor para sair das dívidas.

5. Venda algo que possua para quitar em parcela única

Está fazendo as contas para se organizar para a negociação e possui um dinheiro guardado ou algum bem que possa ser vendido? Leve isso em consideração. Em geral, as condições para quitar os atrasados de uma vez são melhores e você evita a prestação mensal por um prazo mais longo, o que pode facilitar a sua organização financeira. 

Vender um bem - um automóvel, por exemplo -, não é uma decisão simples, depois de tanto esforço para ser conquistado. A dica, contudo, é não encarar isso como uma perda, mas como uma estratégia para colocar a vida em ordem. Quando a situação estiver mais estável, será possível planejar a compra de outro automóvel.

6. Avalie fazer uma renda extra para quitar as parcelas da negociação

Às vezes, fica muito difícil encaixar uma prestação mensal no orçamento. Mas quando o desafio é limpar o nome e sair das dívidas, vale o esforço. E ele pode envolver alguma atividade que você e família possam fazer para conseguir uma renda extra até que as coisas estejam sob controle. 

Isso pode envolver trabalhos pontuais, como freelas, turnos extras, serviços informais, apoio a pequenos comércios da região ou atividades realizadas nos fins de semana. Há muitos exemplos de pessoas que começaram a fazer isso e transformaram a renda extra em negócios bem-sucedidos

7. Faça contrapropostas para o credor

Orientação financeira para negociar com segurança

Agora que você conhece bem suas dívidas, sabe como estão as suas finanças e definiu o valor que irá separar mensalmente para pagá-las, está pronto para a negociação. Aproveite o Mutirão para garantir condições especiais e não tenha medo de fazer contrapostas antes de fechar o acordo.

É possível negociar o valor a ser pago mensalmente ou aumentar o prazo de pagamento, comprometendo-se com um maior número de parcelas. 

As condições oferecidas são definidas por cada instituição. Verifique o custo total do acordo e, se necessário, apresente uma contraproposta compatível com seu planejamento financeiro. Vai pagar em uma única parcela? Não esqueça de perguntar sobre descontos e diminua o valor da sua dívida.

8. Pague as parcelas em dia

Fechado o acordo, mantenha a pontualidade no pagamento das parcelas. Para não esquecer, anote a data de vencimento em local visível ou coloque no débito automático.

Dicas para não voltar a se endividar

Tão importante quanto negociar o pagamento de dívidas é se organizar para manter as contas em dia e não voltar a ter o nome incluído na lista de inadimplentes. Afinal, manter o nome limpo traz benefícios que vão da possibilidade de alugar um imóvel no próprio nome ou financiar bens até ter mais saúde emocional e bem-estar

Por isso, depois de negociar no Mutirão, é importante criar um plano para manter o orçamento equilibrado para quitar as parcelas. Veja algumas medidas que podem ajudar:

#1 ANOTE TODAS AS CONTAS E DATAS DE VENCIMENTO: um bom planejamento financeiro e uma boa dose de organização ajudam a ter uma visão clara de como anda sua saúde financeira, garantindo que as contas fechem no final do mês.

#2 ADEQUE O PADRÃO DE VIDA À SUA REALIDADE ATUAL: às vezes é necessário repensar o estilo de vida, garantindo que ele caiba no bolso. Isso pode envolver uma mudança de bairro ou o corte provisório de alguns gastos.

#3 CRIE UMA RESERVA DE EMERGÊNCIA: guardar um valor mensal, mesmo que pequeno, ajuda a lidar com imprevistos sem recorrer ao crédito com frequência. A dica é colocar o dinheiro em uma aplicação segura e que possa ser resgatada a qualquer momento, caso precise do dinheiro. Saiba como começar sua reserva de emergência do zero.

#4 USE O CARTÃO DE CRÉDITO COM SABEDORIA: é importante pagar o valor total da fatura no vencimento. Se você tende a perder o controle, prefira comprar à vista ou anote tudo o que comprar no cartão de crédito, sem esquecer das parcelinhas que terá de pagar todo mês. Reduzir a quantidade de cartões também pode facilitar a organização.

#5 PLANEJE AS COMPRAS: antes de comprar, avalie o impacto no orçamento dos próximos meses. Um ponto de atenção são as compras por impulso, que podem elevar os gastos no final do mês. Avalie se realmente precisa do item no momento e evite ser fisgado pelas iscas promocionais criadas para fazer você comprar mais.

#6 BUSQUE INFORMAÇÃO: a Plataforma Meu Bolso em Dia e o Blog Meu Bolso em Dia reúnem conteúdos gratuitos de educação financeira que podem apoiar o planejamento após a renegociação. Ali você encontra conteúdos e ferramentas gratuitas para aprender mais sobre finanças pessoais e familiares.



Matéria publicada em 13/03/2024 e atualizada em 03/03/2026.

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