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É realmente necessário fazer seguros?

6 mitos, fatos e dicas para ajudar você a decidir se contrata ou não

 

Se você já realizou algumas conquistas na vida, como uma família, um emprego, a casa própria ou um carro, a ideia de fazer seguros já deve ter lhe ocorrido. E junto com ela, a dúvida: vale a pena gastar todo mês com proteção ou é jogar dinheiro fora? A psicóloga Valéria Maria Meirelles, de São Paulo, tem a resposta na ponta da língua: “Eu faço seguro de tudo, porque morro de medo de perder o que tenho. Foi tão difícil conquistar...”.

Esse medo da perda já fez Valéria contratar produtos pouco conhecidos, como o seguro para reforma. “Não dá para prever se a reforma no seu apartamento vai danificar a casa do vizinho ou estourar algum cano do prédio. Como minhas despesas são contadas, não posso me dar ao luxo de ter gastos extras com reparos não planejados”, esclarece, trazendo outra visão para quem pensa que seguro só deve ser feito por gente com dinheiro de sobra.

Esse é o primeiro mito que costuma estar associado à ideia de contratação de seguro. Há vários outros que levam muitas pessoas a questionar ou abandonar a ideia de ter uma proteção para si e seus dependentes. Confira.

 

Mito 1: Seguro só serve para quem tem muito dinheiro 

Fato: Na realidade, o seguro é uma forma de compartilhar riscos coletivamente. Quem tem dinheiro para bancar uma eventualidade é justamente quem menos precisaria fazer seguros. O produto é útil principalmente para quem não tem de onde tirar recursos se acontecer um imprevisto. Cada pessoa paga uma parte do prêmio, e quando houver uma ocorrência, o dinheiro de todos será direcionado para cobrir as despesas do segurado que foi afetado pelo sinistro.

Dica: Compare o valor das prestações do seguro com o prejuízo que teria no caso de uma ocorrência e veja se você tem dinheiro para cobrir sozinho as despesas. Se não tiver, é melhor prevenir.

 

Mito 2: Nada vai acontecer comigo

Fazer seguros não era um hábito de Valéria, até que um fato despertou essa necessidade. “Eu só fazia seguro de automóvel, mas morava perto do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde, de tempos em tempos, aconteciam acidentes horríveis. Mesmo assim, não achava que algo ia ocorrer comigo. Uma vez, o apartamento que ficava dois andares acima do meu pegou fogo. Aquilo acendeu um sinal vermelho, pensei: Se eu perder este imóvel, vou precisar de quantos anos para ter outro? Estava muito vulnerável”. Essa reflexão levou Valéria a buscar proteção.

Fato: Viver é correr riscos e eles estão sempre por perto, mesmo que você não queira olhar para eles. Esperar algo acontecer para tomar uma providência sairá bem mais caro do que prevenir.

Dica: Faça uma lista de tudo o que você já conquistou e, ao lado de cada conquista, enumere os riscos que podem comprometer seu patrimônio. Leia a matéria “Você está preparado para imprevistos?” com dicas para entender como identificar os riscos aos quais você e sua família estão expostos e se proteger deles.

 

Mito 3: Na hora que você precisa usar o seguro, ele nunca funciona

Ronaldo Petinatti, de São Paulo, chegou a bater o carro 13 vezes em um único ano, mas como o veículo estava protegido, recebeu a assistência que precisava. “Meu pai me ensinou que a decisão sobre o modelo de carro a comprar depende de poder arcar com o valor do seguro. Mesmo quem tem dinheiro para adquirir um carro de R$ 100 mil, só deve comprar se puder pagar um seguro correspondente”, declara Ronaldo, que também aproveita os serviços de manutenção preventiva, troca de óleo e outros benefícios automotivos oferecidos pela cobertura.

Ter um seguro de viagem já salvou Valéria Maria Meirelles de perder suas férias. “Depois de finalmente juntar dinheiro para conhecer Paris, tomei um susto. No segundo dia de viagem, uma obturação do meu dente caiu. Acionei o seguro, fui ao dentista local e resolvi o problema. Pude curtir mais vinte dias de férias, sem preocupações”.

Fato: O mercado de seguros é regulamentado e fiscalizado pela SUSEP, a Superintendência de Seguros Privados. Qualquer irregularidade na prestação do serviço deve ser comunicada ao órgão, que tomará as providências necessárias para garantir que o consumidor não seja lesado.

Dica: Antes de contratar qualquer seguro, consulte a lista de empresas autorizadas a operar no mercado, leia atentamente a apólice e guarde uma via com você. Caso haja algum problema com o atendimento, entre em contato com a SUSEP e faça sua denúncia ou reclamação.

 

Mito 4: A única forma de proteger suas conquistas é com seguros

Mesmo sendo adepta de seguros, esta não é a única forma que Valéria encontrou para proteger suas conquistas. “Eu faço contas para decidir quais seguros contratar. Não vejo sentido em fazer seguro de celular ou notebook, porque com o dinheiro que eu tenho guardado eu poderia repor esses bens. Outro produto que preferi não contratar foi o seguro de vida, pois não tenho dependentes. Para me proteger de invalidez temporária, tenho investimentos financeiros e patrimônio. Se eu ficar incapaz de trabalhar permanentemente, poderei contar com a previdência social e com o apoio financeiro de parentes que têm independência financeira. É importante examinar seu contexto, idade e momento de vida antes de tomar sua decisão sobre o que deve ou não ser segurado”, sugere Valéria, que também é especialista em psicologia do dinheiro.

Fato: Existem outras maneiras de bancar as despesas que podem resultar de ocorrências inesperadas. Reservas financeiras, venda de algum bem ou apoio de parentes são algumas delas. O problema de contar com essas medidas, é que há sempre o risco de reduzir um patrimônio que poderia ser usado para garantir sua qualidade de vida no futuro.

Dica: Independente de contratar seguros, procure diversificar as maneiras de proteger suas conquistas e prevenir riscos. Calcule o valor do seu patrimônio, pese os riscos e avalie bem aquilo que merece proteção com seguros. Além disso, procure poupar para ter reservas financeiras, faça exames periódicos e cuide bem da sua saúde.

A economista Ângela Nunes, de São Paulo, sabe bem o quanto um seguro pode ajudar quem está doente a prolongar sua qualidade de vida. “Meu pai tinha um seguro de vida com uma cláusula que antecipava o pagamento em caso de incapacidade definitiva. Quando ele adoeceu pelo Mal de Alzheimer, esse produto trouxe grande ajuda. Tivemos que contratar um serviço de acompanhamento, além de alimentação especial e medicação que eram caras e o seguro saúde não cobria, pois ele não estava internado no hospital. Graças a esse seguro, pudemos ter o apoio financeiro para auxiliá-lo nos seus últimos momentos de vida”.

  

Mito 5: Seguro de vida só serve para os herdeiros

Seguro de vida não serve só para momentos de dificuldade, como doença ou perda de entes queridos. Ângela, por exemplo, usa o seguro resgatável para ter outras tranquilidades. “Ele pode proteger meu filho que está em formação, caso eu falte, ou ser usado para gastar comigo. Comecei a pensar em desacelerar meu trabalho, mas sempre tive a preocupação em deixar bens para meu filho e me sentia mal quando pensava em gastar o dinheiro que seria dele um dia. Procurei alternativas e resolvi fazer um seguro resgatável. Assim, enquanto ele precisar de mim terá proteção, mas quando ele for independente, posso resgatar uma parte e aproveitar como quiser”, explica Ângela.

Fato: A cobertura depende das características do produto que será contratado. Existem seguros resgatáveis nas diferentes fases da vida e que podem beneficiar o próprio titular.

Dica: Pesquise as opções, converse com um corretor e procure conhecer bem as cláusulas e coberturas. Ângela, que além de economista também é planejadora financeira pessoal, dá outra dica importante: “sempre informe o seu seguro se ocorrer alguma mudança em sua vida. Se você tiver uma doença, começar a fumar ou sofrer um acidente durante a vigência do seguro de vida, a seguradora precisa saber, pois isso pode afetar a sua cobertura lá na frente, quando precisar resgatar o prêmio”.

  

Mito 6: Seguro patrimonial protege principalmente os bens do segurado

Escolher bem o que será coberto pelo seguro também pode fazer toda a diferença, esclarece Ângela. “No meu seguro de automóvel, o valor segurado contra danos a terceiros é maior do que o valor do casco do carro. Afinal, atropelar uma pessoa e ter que pagar as despesas médicas pode sair bem mais caro do que repor o veículo”.

Fato: O risco mais alto muitas vezes não é ter a perda do seu próprio bem, mas o dano que ele pode causar a outras pessoas.

Dica: Mesmo que seu veículo seja antigo e você ache que não vale a pena pagar um seguro por ele, pense na sua responsabilidade com terceiros e não economize nesta parte. Faça um exercício com seu corretor e multiplique por 10 essa parte do prêmio em sua apólice. Você verá que o aumento da prestação não será muito significativo e isso trará muito mais tranquilidade.




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