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Atualizado em: 18 mai 2020 às 10h e 42m

Está com o nome sujo?

8 razões e dicas para superar as dívidas e tirar seu nome dos cadastros de proteção ao crédito


Quatro em cada dez brasileiros adultos possuem contas em atraso, segundo dados da Serasa Experian. Essa triste realidade se tornou ainda mais grave no contexto do período de distanciamento social gerado pela pandemia do COVID-19. Sem renda ou emprego, muitas pessoas que planejavam pagar suas dívidas este ano, tiveram que adiar seus planos e, além disso, terão que passar por essa crise sem crédito na praça para fazer compras essenciais.

Essa situação é um exemplo claro do risco de deixar a vida financeira no piloto automático. É nos momentos de crise que ter o nome limpo e um histórico de bom pagador mostram seu maior valor, pois facilitam negociar, recombinar pagamentos e acessar linhas de crédito mais baratas. Quem está inadimplente precisa redobrar os esforços para reconquistar a confiança do mercado.

Por isso, a dica é se organizar e priorizar a quitação de dívidas e pendências financeiras assim que as coisas melhorarem. Conheça alguns bons motivos e dicas para você fazer isso.


1. Manter a saúde do corpo e das relações

Ignorar as dívidas, fingindo que não existem, gera uma tensão que se manifesta de várias maneiras, sobretudo na saúde, provocando preocupação, estresse e falta de concentração. A vida em família e as relações afetivas também são afetadas diante da falta de dinheiro e da desorganização financeira, o que agrava ainda mais a situação financeira dos envolvidos. Por isso, não adianta fugir. Abrir o jogo com a família, encarar a situação de frente e dar pequenos passos, dia após dia, são medidas importantes para organizar outras áreas da vida, mantendo o equilíbrio e a imunidade em dia.


2. Ter acesso ao crédito e manter o poder de compra

Empurrar as dívidas com a barriga esperando que elas caduquem tem suas consequências. Quando alguém deixa de pagar uma conta, tem seu nome enviado pelo credor às agências de proteção ao crédito, como Serasa e SPC. Essas empresas entram em contato, informam que o CPF está negativado e dão um prazo para regularizar.

Caso isso não seja feito, o nome do devedor entra para a lista de inadimplentes. Essa informação é pública, portanto, pode ser acessada por qualquer instituição.  O entendimento do mercado é que essa pessoa não consegue honrar seus compromissos. A consequência é que ela deixa de ter acesso ao crédito, dificultando, por exemplo, alugar um imóvel ou parcelar uma compra.


3. Ganhar pontos com o mercado

Empresas, comércios, prestadores de serviços e instituições financeiras usam uma pontuação, o score de crédito, para saber o quanto podem confiar em alguém. Se você é bom pagador, sua pontuação será mais alta e, portanto, você terá mais acesso ao crédito. Pessoas com dívidas em atraso têm um score mais baixo.  Ao limpar o nome, sua pontuação, aos poucos, volta a aumentar. Conseguir um score alto pode demorar meses ou até anos, dependendo do comportamento de pagamento do consumidor.


4. Assumir o controle vida e entender suas escolhas

Quem sofre com o descontrole financeiro precisa fazer o básico para colocar a vida nos eixos: criar um orçamento pessoal ou familiar, que nada mais é que um registro detalhado e organizado das entradas e saídas de dinheiro. Essa ferramenta permite enxergar como para onde os recursos estão indo. Assim, conseguirá ter clareza das “torneiras que precisa fechar” para sair do ciclo do endividamento.

Se você tem pavor só de pensar em olhar um extrato do banco, montar um caderno de controle, baixar um aplicativo ou abrir uma planilha, convidamos você a refletir lendo as matérias Fazer um orçamento nunca foi tão importante e O controle das finanças na palma das mãos. Envolver a família nesse processo pode ser a oportunidade perfeita para criar um senso de união e responsabilidade sobre as contas da casa. Sem contar que muitas cabeças pensam melhor do que uma. Leia: Falar sobre dinheiro é o melhor remédio.


5. Mapear custos e ter consciência do seu padrão de vida

Depois que montar seu orçamento, chega o momento entender o que pode ser cortado para pagar as dívidas e sair da lista de inadimplentes. É importante colocar uma lupa naqueles gastos desnecessários que, muitas vezes, não enxergarmos, como pacotes de TV por assinatura com canais que ninguém assiste ou planos de celular que podem ser renegociados por um preço menor.

Existem outras economias trazidas por hábitos simples, como apagar a luz de cômodos vazios ou usar a medida certa dos produtos de limpeza. Saiba mais na matéria 7 despesas que você pode enxugar hoje e não vai nem perceber. Até uma mudança de estilo de vida pode trazer alívio para o bolso. Para estimular essa reflexão, recomendamos ler: Seu padrão de vida cabe no seu bolso? e Um novo jeito de viver e pensar suas escolhas.


6. Aprender a montar estratégias de negociação

Vamos supor que você consiga visualizar o seu orçamento, enxugar gastos desnecessários ou faça algum trabalho extra e consiga uma sobra de R$ 150 por mês. Com esse excedente, é hora de pensar em uma estratégia para saldar a dívida, organizar uma proposta que caiba no seu bolso e que será apresentada ao credor. Veja dois exemplos de simulações de planos de pagamentos.

Situação A: você tem uma única dívida com um único credor. Deve a ele R$ 1.800. Com trabalhos extras e corte de custos, você consegue levantar R$ 150 por mês. Então, fará uma proposta que considere um parcelamento em 12 meses.

Situação B: Você tem duas dívidas, cada uma com um credor diferente. A primeira dívida, com o CREDOR A, é de R$ 500. A segunda, com o credor B, é de R$ 300. Para o CREDOR A, você pode propor para pagar em 5 parcelas mensais de R$ 100. Para o CREDOR B, pode propor um pagamento de 6 parcelas mensais de R$ 50.

Imagine que o credor da situação A topou sua oferta, mas queira cobrar 8% de juros sobre o valor da parcela (R$ 12). Sendo assim, ela iria para R$ 162, mas você só tem R$ 150 disponíveis no mês. Nesse caso, você pode pedir mais prazo para pagar a dívida e manter a parcela dentro de sua capacidade. Considere que, com as taxas de juros em queda, vale a pena negociar também descontos nos juros cobrados pelo atraso.

Nos dois exemplos acima, a negociação financeira é adequada ao prazo e valor mensal que consegue pagar (R$ 150 ao mês). Eles trazem os elementos que você deve pensar ao montar a sua estratégia: valor disponível por mês, descontos, prazos e juros. Assinado o contrato de renegociação, assim que pagar a primeira parcela, o credor tem até 5 dias úteis para excluir seu nome da lista de inadimplentes.


7. Pedir ajuda para sair dos impasses

Chegou, então, o momento de negociar com os credores. Veja os caminhos e dicas para a renegociação de dívidas com os bancos. É importante que você não sinta vergonha nem medo e saiba que não está sozinho. Se a conversa ficar inviável e você não conseguir chegar a um acordo, pode recorrer a iniciativas e instituições que atuam como facilitadoras na resolução de conflitos entre consumidores e empresas, como o serviço www.consumidor.gov.br.


8. Voltar a sonhar e ficar de olho em comportamentos nocivos

Sair das dívidas e deixar de ter o nome negativado são essenciais para conseguir realizar sonhos e projetos de vida, como fazer um curso de idiomas, montar um negócio próprio ou proporcionar conforto e bem-estar para a família. Depois de sair das dívidas, a dica é manter-se alerta para não entrar nesse enrosco novamente. Às vezes, o simples esquecimento de uma data de pagamento pode ser o gatilho para empurrar compromissos. Com o tempo, as dívidas se acumulam e fica difícil colocar tudo nos eixos novamente.




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