Viagem de férias com as crianças sem pressão no bolso

Descubra como planejar as férias com as crianças de maneira a evitar frustrações financeiras e familiares.

Organizar as finanças

/ 02 Jul 2025 / 5 min. leitura
Como aproveitar as férias escolares de julho de forma econômica

O período de férias escolares traz uma importante quebra na rotina das crianças e dos pais: flexibilidade no horário de dormir e acordar, ter os filhos por perto, reorganizar o dia a dia de cuidados quando os pais precisam trabalhar — e, também, fazer programas diferentes. É aí que, muitas vezes, surge uma pressão silenciosa por proporcionar experiências marcantes e inesquecíveis para os pequenos, que podem incluir viagens, passeios e presentes.

Essa pressão pode vir das próprias crianças, do desejo dos pais de agradá-las a qualquer custo, de outros familiares e, também, das vitrines exuberantes de férias compartilhadas pelos amigos da família nas redes sociais. O desejo das férias perfeitas pode levar a decisões impulsivas e gastos além do previsto, que podem resultar em endividamento e muita frustração para a família.

Um levantamento feito em 2024 pela Serasa e Opinion Box revelou que 59% das famílias brasileiras planejavam viajar nas férias de julho e estimavam que iriam gastar até R$3 mil em duas semanas de férias, enquanto 16% esperavam gastar mais de R$5 mil no mesmo período. Dentre os que iriam viajar, 70% afirmaram ter se programado financeiramente para isso; 25% pretendiam parcelar os gastos e 12% consideravam a possibilidade de financiar a viagem.

Ainda que muito bem-vindas, as férias não devem se traduzir em dívidas ou desequilíbrio financeiro. Com um pouco de criatividade e organização, esse período pode — e deve — ser uma oportunidade de descanso, conexão em família e novos aprendizados para os pequenos. Sem deixar de cuidar das finanças. Veja algumas dicas para isso.

Com planejamento, fica fácil entender o que é possivel

como planejar a viagem de férias para não se endividar

Quem tem criança já sabe: qualquer saída, por mais rápida que seja, pode se tornar um caminho sem volta para o consumo desenfreado. Um lanchinho ali, uma voltinha num brinquedo acolá; a parada para um doce ou a busca por uma lembrancinha, e pronto, lá se foi o equilíbrio financeiro do mês. 

Os principais vilões do orçamento nas férias são silenciosos e, muitas vezes, passam despercebidos até que a fatura do cartão ou o saldo da conta bancária revele o estrago. Somados, os gastos “invisíveis” com ingressos, estacionamento, guloseimas podem se tornar uma surpresa bastante desagradável na fatura do cartão no fim do mês.

Além disso, a busca pelas férias perfeitas e a empolgação também  podem levar à compra de passagens aéreas com preços inflacionados, reservas de última hora em hotéis mais caros e gastos inesperados com transporte e alimentação no destino. 

Um levantamento feito pela agência digital de viagens corporativas Voll, por exemplo, mostrou que o último mês antes da data do voo registra o maior aumento de preços. Quando comprada mais cedo, cerca de um mês antes do voo, a passagem pode custar até quatro vezes menos do que aquela adquirida a apenas uma semana da viagem. Elaborado com base em 300 mil passagens emitidas pela empresa no ano de 2023, o estudo mostrou que o período ideal para a compra seria com, ao menos, 30 dias de antecedência. Quanto antes, melhor.

Mas a falta de planejamento não afeta só aqueles que optam por viajar em cima da hora. Mesmo para quem fica em casa, o gasto com entretenimento cotidiano – cinema, restaurantes, delivery, brinquedos – também pode sair do controle. Nessa época, a rotina fora de ordem e a sensação de “merecimento” pelas férias muitas vezes justificam despesas que não estavam no plano.

Nessas horas, o importante é não ceder a todos os caprichos das crianças. É natural que elas queiram aproveitar as férias ao máximo, mas é papel dos adultos estabelecer limites claros. Ceder sempre pode parecer uma forma de agradar, mas na prática cria uma relação pouco saudável com o dinheiro.

Converse com os pequenos, explique por que alguns gastos não serão possíveis e proponha alternativas. As férias são também uma ótima oportunidade de ensinar sobre escolhas, responsabilidade e organização. O diálogo e os limites ajudam a evitar frustrações e fortalecem os laços familiares com mais consciência e parceria.

Reserva financeira e controle de gastos: férias boas são aquelas que cabem no bolso

Incluir as crianças no planejamento das férias faz toda a diferença.

É importante lembrar que férias tranquilas não precisam, e nem devem, significar gastos altos ou sacrifícios financeiros. Pelo contrário: o descanso em família pode ser ainda mais leve quando se afasta da cobrança de oferecer experiências incríveis a qualquer custo.

A pesquisa “Férias Escolares: para onde vai o dinheiro dos pais”, feita pela Serasa, mostrou que 60% dos pais não conseguem férias no mesmo período do recesso escolar. Ainda assim, muitos planejam atividades aos fins de semana, que incluem passeios em parques, cinemas ou até mesmo em casa. Entre os que conseguem conciliar o período com os filhos, 61% pretendem viajar em família, de preferência para destinos nacionais.

Entre aqueles que optam por não viajar, 71% planejam não ultrapassar os R$2 mil em despesas com atividades programadas dentro da própria cidade. Para estes, a principal justificativa para não fazer deslocamentos mais longos é priorizar a saúde financeira da família. E esse é um ponto essencial: saber dizer “não” a pressões externas e criar uma programação que respeite a realidade da família.

Se viajar faz parte dos sonhos da turma, organizar as contas ao longo do ano e reservar uma quantia mensal, mesmo que pequena, exclusivamente para a viagem de férias, é o primeiro passo para garantir tranquilidade. Criar uma “reserva de lazer” permite que o viajante chegue ao período de descanso com recursos disponíveis para arcar com os custos sem comprometer outras obrigações financeiras. Esse hábito simples pode fazer toda a diferença, e quanto mais cedo começar, mais fácil será montar um valor significativo sem pesar no bolso mês a mês. 

Além da reserva antecipada, é fundamental manter o controle dos gastos durante a viagem. Muitos deslizes no orçamento acontecem justamente por falta de acompanhamento. Para evitar isso, vale utilizar uma planilha simples ou aplicativos de controle financeiro que ajudam a registrar despesas em tempo real — desde a passagem aérea até aquele café despretensioso. O controle diário permite ajustar o ritmo de gastos ao longo dos dias e evita surpresas desagradáveis no retorno.

Sonhos baseados em orçamentos reais

Curtir os encantos da Disney, ver a neve pela primeira vez ou mergulhar na cultura europeia entre castelos e museus são sonhos lindos e possíveis. Mas não precisam (nem devem) acontecer a qualquer custo. Esses objetivos exigem tempo, planejamento e, acima de tudo, uma análise da realidade financeira da família.

Se a viagem dos sonhos ainda não cabe no orçamento, não há problema. Isso não significa abrir mão dela para sempre, e sim reconhecer que ela precisa ser construída com calma. E esse pode ser um ensinamento valioso para todos em casa - inclusive para as crianças.

Quando as férias chegam e o planejamento ideal não aconteceu, o mais importante é definir um valor máximo que a família pode gastar, sempre considerando a realidade financeira atual. Isso significa estabelecer um teto de despesas que não leve a endividamentos e, de preferência, que permita curtir com tranquilidade, sem dores de cabeça futuras.

Com isso em mente, é possível, sim, organizar uma viagem com crianças sem comprometer o equilíbrio financeiro. O primeiro passo é escolher destinos que caibam no orçamento. Alguns podem ser divertidos e educativos, desde que a experiência seja bem vivida. Uma boa estratégia é viajar fora da alta temporada, quando possível, pois isso reduz consideravelmente os custos com passagens e hospedagem.

Comparar preços com antecedência, utilizar programas de pontos ou cashback e elaborar um roteiro com gastos estimados por categoria — como transporte, alimentação, passeios e extras — também são medidas fundamentais. Vale ainda reservar um fundo para imprevistos, já que situações inesperadas sempre podem surgir. E atenção aos parcelamentos: eles podem parecer vantajosos no momento, mas comprometem o orçamento nos meses seguintes.

Envolver toda a família nas decisões, inclusive as crianças, é outro ponto bastante importante. Combinar expectativas com antecedência ajuda a evitar frustrações e permite que todos participem das escolhas — desde os passeios mais simples  até as viagens mais especiais. Se a Disney não rolar em 2025, vale a pena começar já a planejar para o futuro. 

Essa conversa pode ser uma oportunidade educativa, ensinando desde cedo sobre responsabilidade financeira e escolhas conscientes. Uma boa conversa com os filhos - sejam crianças ou adolescentes - pode auxiliar no planejamento financeiro de uma viagem maior, com discussões e acordos que ajudem a criar e incrementar a reserva financeira para essa finalidade.

Férias econômicas e divertidas

Diversão não pode ser sinônimo de gastos elevados e endividamento.

Para quem busca férias econômicas e divertidas, existem diversas opções acessíveis e criativas. Atividades gratuitas ou de baixo custo, como visitas a parques, museus com entrada franca, oficinas culturais e piqueniques ao ar livre, podem garantir momentos agradáveis sem pesar no bolso. 

Explorar a própria cidade ou região pode revelar atrações surpreendentes — e sem gastos com hospedagem. Que tal aproveitar o final de semana e colocar a criançada para andar de ônibus e metrô até o centro da cidade? A visita a prédios históricos, igrejas, centros culturais e até mesmo um simples passeio pelas ruas da cidade em dias fora da rotina comercial já garantem muita diversão e aprendizado. 

Planejar um revezamento com outras famílias para dias de brincadeiras também pode ser uma boa opção para os pais que não conseguem dias de folga nesse período. Há condomínios em que os moradores dividem o valor de empresas especializadas para um período de recreação com as crianças. Essa também pode ser uma boa dica a um valor acessível para todos.

Há diversos canais de entretenimento que oferecem uma lista de passeios especialmente para as crianças. O site São Paulo para Crianças, por exemplo, oferece dicas de lazer e cultura para todos os gostos e idades. Há ainda um canal de troca de mensagens via WhatsApp onde os internautas podem trocar impressões e dicas sobre passeios.

Também vale a pena conferir a programação de férias das diferentes unidades do Sesc espalhadas pelo Estado. Lá, sempre há programações gratuitas ou a preços populares, além de atividades especialmente voltadas para essa época do ano.

E lembre-se: as férias não precisam ser sinônimo de gastos para serem inesquecíveis. Com organização e envolvimento de toda a família, é possível transformar o tempo livre em grandes memórias afetivas. Afinal, o que marca as férias são as experiências vividas - e não o quanto elas custaram.