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7 mentiras sobre dinheiro que podem atrapalhar sua prosperidade

Crenças que podem impedir você de conquistar uma vida financeira tranquila

  

Desde a infância até a vida adulta, ouvimos e aprendemos uma série de crenças sobre dinheiro. Mas será que elas atrapalham ou ajudam? Afinal, quem nunca ouviu que o cartão de crédito é o maior vilão das finanças, por exemplo? Já parou para pensar se isso é mesmo verdade? Quando essas opiniões são internalizadas, sem parar refletir se elas fazem mesmo sentido, a realização de sonhos e a conquista da almejada tranquilidade financeira podem ficar ainda mais distantes. A seguir, desmistificamos algumas dessas crenças limitantes.

 

1. Quem ganha abaixo de dois salários mínimos só consegue realizar sonhos se comprar parcelado.

A concretização de sonhos não tem, necessariamente, relação com o quanto você ganha, mas sim com a sua disciplina e com a maneira como você cuida do dinheiro. Na matéria Não basta trabalhar, é preciso cuidar do que você ganha, explicamos como isso acontece. Com planejamento e foco, é possível realizar projetos no curto, médio ou longo prazo, sem parcelar.

Vamos imaginar que sua família queira trocar a televisão de casa, por exemplo. Faça uma pesquisa de preços para descobrir quanto precisaria ser poupado para adquirir o aparelho em um determinado período. Se esse prazo for de seis meses, seria necessário poupar R$ 200 para fazer a compra à vista. Envolva todos no desafio de poupar para realizar esse projeto. E, com dinheiro na mão, você ainda pode pechinchar e conseguir um bom desconto. Leia a matéria Pechinchar não é pecado para aprender alguns truques infalíveis na hora de negociar o preço.

 

2. Só quem ganha muito consegue poupar.

Poupar é, acima de tudo, uma questão de hábito que está relacionado à consciência sobre a tranquilidade que uma reserva financeira pode trazer para você e sua família. Poupar nada mais é do que guardar uma fatia do bolo antes de encontrar desculpas para comê-lo inteiro, sem deixar nada para amanhã.

Por isso, a dica é incluir um valor para poupar na sua lista de despesas mensais. Mesmo que seja pouco, o segredo é pagar a si mesmo assim que a renda entrar, transferindo a quantia para uma aplicação. Se você investir R$ 30 ao mês na poupança durante três anos, ao final desse período terá R$ 1.157,55, considerando a rentabilidade. Se poupar R$ 200 mensais, terá R$ 7.716,98. Há outras aplicações que podem ajudar o dinheiro crescer mais que a poupança. Saiba mais na matéria Prepare-se para tirar seus planos do papel.

A doutora Dra. Vera Rita de Mello Ferreira, que é especialista em psicologia econômica, sugere fazer um investimento programado no banco. Assim, na data que você determinar, o dinheiro é transferido automaticamente de sua conta para a aplicação. Neste vídeo, a especialista dá outras dicas para poupar. Leia também: Você tem dificuldade para poupar? Freud explica.

 

3. O cartão de crédito é o vilão das finanças pessoais. Se quiser organizar as suas contas, acabe com ele.

Qualquer produto financeiro, incluindo o cartão de crédito, pode ser favorável ou não à sua prosperidade, dependendo da forma como você lida com ele. O cartão de crédito, se bem gerido, pode ser uma boa ferramenta de organização financeira, pois permite concentrar os pagamentos em determinado dia do mês. Porém, deve ser usado com cautela, para que você consiga pagar o valor total da fatura na data de vencimento.

As principais dificuldades relacionadas ao cartão acontecem quando você decide pagar o mínimo ou parcelar a fatura, pois as taxas de juros estão entre as mais elevadas do mercado. Mas você não precisa se livrar do cartão para evitar entrar em dívidas. Basta definir um limite para gastos e, quando suas compras atingirem este valor, deixe o cartão em casa.

 

4. Quem já sujou o nome, nunca mais consegue voltar a ter uma vida financeira tranquila.

Quem passa por um momento de endividamento pode, com vontade e paciência, sair desta situação e organizar as finanças. O primeiro passo é compartilhar suas dificuldades com os integrantes de sua família para, juntos, pensarem num plano para saldar as despesas. A matéria Falar sobre dinheiro é o melhor remédio pode ajudar você a planejar essa conversa.

Em seguida, é importante negociar as dívidas com os credores, buscando descontos, revisão de taxas e parcelamento com prazos maiores. Quando o acordo não for possível, você pode buscar ajuda para a negociação. Na matéria Onde buscar apoio para sair das dívidas enumeramos algumas entidades que auxiliam nessas situações. Feita a negociação, é importante fazer os pagamentos na data combinada. Um caminho pode ser buscar um trabalho extra para aumentar a renda e quitar as dívidas.

 

5. A poupança e os imóveis são investimentos à prova de riscos.

O primeiro aprendizado sobre investimentos é que todos eles, sem exceção, têm algum risco, e isso não é diferente com a poupança. Embora seja uma das aplicações mais conservadoras do mercado (e que tem a vantagem da isenção no imposto de renda), você pode perder dinheiro em duas situações:

- Nos períodos em que a taxa de juros básica da economia (Selic) estiver abaixo dos 8,5%, pois nesse caso, por lei, o rendimento da poupança será 70% deste total. Com a taxa Selic em 6,5%, por exemplo, a poupança rende apenas 4,55% ao ano.

- Quando a inflação aumenta e o rendimento da poupança não acompanha esta variação. Em 2015, por exemplo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, chegou a 10,67%. Neste mesmo período, a poupança rendeu 8,15%, resultando em um rendimento real negativo de 2,28%. Só para ter uma ideia, quem aplicou R$ 100,00 no início do ano, teria ao final do ano R$ 108,15; porém, com esse valor, seria possível comprar o equivalente a R$ 97,72.

A inflação corrói o poder de compra das pessoas e desvaloriza o dinheiro no decorrer do tempo. Como alternativa, a matéria Tesouro direto e poupança: onde é mais seguro investir hoje? mostra que investir em títulos públicos pode render mais e ter tanta segurança quanto a poupança.

Já o investimento em imóveis também tem lá os seus riscos. Historicamente, eles são vistos como excelentes oportunidades, mas, na verdade sempre estarão vulneráveis às oscilações do mercado. Se você compra um imóvel por R$ 500 mil e, passados alguns anos, precisa vendê-lo por R$ 350 mil durante uma crise econômica, irá perder R$ 150 mil, sem contar o que teria recebido de juros em uma aplicação financeira. Se a finalidade for a locação, você pode ficar meses sem um inquilino, tendo que pagar o condomínio e outros custos, como fundos de obra.

A perda também pode ocorrer quando o bairro se desvaloriza ou quando, diante de alguma dificuldade pessoal (desemprego, doença da família), você precisa vender com urgência por um valor inferior ao que pagou. É, também, um investimento de baixa liquidez: para o dinheiro chegar à sua mão, você precisa encontrar um interessado e fazer toda a transação de compra e venda, o que pode demorar. O ideal é procurar diversificar seus investimentos, buscando outras aplicações que tragam segurança.

 

6. Você pode comprar porque, afinal de contas, você merece.

Se você anda se sentindo muito cansado, “eu mereço um presente”. Se o chefe anda exigente demais, “eu mereço uma roupa nova”. A pergunta é: será que o prazer imediato da compra vai mesmo solucionar seus problemas ou criar mais um? É ilusão acreditar que os desafios que a vida nos coloca podem ser resolvidos com esse tipo de compensação.  

Este comportamento também é resultado dos estímulos que recebemos para consumir excessivamente, quando podemos caminhar para Um novo jeito de viver e pensar nossas escolhas. Tomar decisões inteligentes, como cultivar uma horta, ler ou caminhar no parque podem trazer mais satisfação pessoal do que gastar o dinheiro que você trabalhou tanto para ganhar em produtos que você não precisa.

 

7. Gasto meu dinheiro agora, pois posso não estar mais vivo amanhã.

É inegável que cada um de nós está sujeito a uma fatalidade. Porém, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a média de expectativa de vida do brasileiro é 75,8 anos e tende a aumentar. Olhando para esta realidade, será que quem gasta todo o seu dinheiro no dia a dia, sem se preocupar com reservas financeiras, poderá viver tranquilamente aos 50, 60 e 70 anos?

A dica é equilibrar o momento presente e o futuro, investindo na organização das finanças, na saúde e mantendo-se ativo para ter qualidade de vida quando chegar a hora de se aposentar. Saiba mais: Você está se preparando para parar de trabalhar?





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