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Como ajudar um amigo endividado

Saiba como oferecer apoio sem colocar a mão no bolso nem comprometer a amizade

 

Você vai encontrar um amigo que não vê há algum tempo. Conversa vai, conversa vem, ele abre o jogo e conta que está endividado e precisa de dinheiro emprestado. Se ainda não passou por essa situação, saiba que a chance de que ela ocorra é grande. Segundo o Serasa, há hoje no Brasil 61,8 milhões de pessoas inadimplentes (dados de julho/2018).

Essa realidade é bastante desafiadora e, quando se trata de relações mais próximas, o primeiro instinto é fazer de tudo para ajudar. Mas emprestar dinheiro ou o cartão de crédito é a melhor maneira de dar apoio a um amigo endividado? Ao fazer isso, nem sempre você estará contribuindo para que a questão seja resolvida. E ainda pode estar criando um problemão para você.

Veja alguns caminhos alternativos para estender a mão a pessoas que estão em dificuldades, sem comprometer a saúde do seu bolso e de suas relações. 

 

1) Organizar os sentimentos

Quando passam por situações de endividamento, as pessoas costumam ficar sensíveis e mais frágeis emocionalmente, não conseguem dormir à noite e começam a se sentir culpadas, tentando entender “onde foi que eu errei?”. Se esse é o caso do seu amigo, busque acalmá-lo, mostrando que são fases pelas quais todos nós passamos em algum momento. Ajude-o a colocar a cabeça no lugar e a tomar medidas práticas para organizar a vida financeira.

 

2) Entender a causa do desequilíbrio

O próximo passo é encontrar a causa do endividamento. Prontifique-se a ajudar seu amigo nessa compreensão. Pergunte sobre seus hábitos de consumo, se aconteceu algum imprevisto para o qual precisou desembolsar certa quantia ou se há possíveis maus hábitos no uso do dinheiro.

Muitas vezes, as pessoas tentam levar um padrão de vida que não condiz com sua renda. “Na nossa cultura materialista, muita gente busca uma falsa segurança, aumentando sua autoestima e tentando afirmar sua identidade comprando o que não pode, sem se perguntar que buraco emocional está querendo tapar”, alerta a psicóloga Claudia Maciel.

 

3) Anotar receitas e despesas

A primeira atitude para ficar com a vida financeira em dia é registrar as entradas e saídas de dinheiro. Isso ajuda a entender onde pode estar o desequilíbrio e a buscar as soluções mais adequadas para a situação. Se o seu amigo é daqueles que acham uma perda de tempo fazer essas anotações, explique a importância do controle financeiro.

Ele pode ser feito em uma planilha, num caderno ou pelo celular, de um jeito muito fácil, com o aplicativo Jimbo. É só baixar no celular e começar a usar. Há outros recursos, veja a matéria O controle de suas finanças na palma da mão para conhecer. Criar um orçamento mensal ajuda a ter a noção exata dos principais gastos e daqueles que podem ser cortados ou ajustados. 

 

4) Pequenos gastos, grandes vilões

Muitas vezes, pagamos uma série de serviços que não usamos e que, por terem valor baixo, nem sempre damos atenção. Mas é essencial analisar faturas e extratos de cartão de crédito, celular, TV à cabo e pacote de serviços bancários, por exemplo, para entender se o padrão de consumo está coerente com os gastos. Pequenos valores podem representar um impacto enorme no orçamento. Saiba mais na matéria Faça uma caça aos gastos invisíveis e economize.

 

5) Como buscar ajuda para renegociar dívidas

Se o seu amigo se enrolou em empréstimos que não está conseguindo pagar, você pode ajudá-lo a descobrir como renegociar dívidas ou trocar produtos de crédito mais caros por outros com taxas de juros mais baratas. Se a principal causa da desorganização financeira for o cartão de crédito ou o cheque especial, que têm taxas mais elevadas, é possível buscar outros créditos com juros menores, como empréstimo consignado.

Na hora de conversar com o gerente do banco, veja as dicas que listamos na matéria 12 perguntas e respostas sobre quitação de dívidas. Quem está superendividado também conta com os serviços prestados por várias instituições de defesa do consumidor, que dão orientação e assessoria jurídica. Saiba quais são essas instituições na matéria Onde buscar apoio para sair das dívidas.

 

6) Apoio na busca de trabalho e emprego

Se o seu amigo perdeu o emprego e precisa se recolocar no mercado de trabalho, você pode ajudá-lo a montar um currículo eficiente para ser distribuído. Os sites de várias consultorias de recursos humanos trazem dicas de como organizar as informações, a exemplo da Catho, Vagas ou Infojobs.

Vale a pena olhar também os sites Gerador de Currículos, Curriculum Profissional e CV Maker. Outra iniciativa importante é fazer um cadastro no Linkedin, rede social especializada em contatos profissionais e recolocação. O passo seguinte é criar uma lista de empresas nas quais seu amigo tem interesse e relacionar os contatos de pessoas conhecidas que trabalham nessas empresas.

Com o mercado de trabalho em transformação, vale a pena olhar também as oportunidades para atuar em determinados projetos, mesmo que temporariamente. Saiba mais na matéria Você está buscando trabalho ou emprego?

 

7) Buscar fontes extra de renda

Uma das maneiras mais eficientes de equilibrar as contas é aumentar a renda, usando as habilidades pessoais para prestar algum serviço nas horas vagas. Alguns exemplos: promover reparos em residências – veja a matéria Conserta tudo – ou fazer doces para vender (leia Como aproveitar a Páscoa para fazer mais dinheiro entrar no seu bolso).

Outra possibilidade é fazer uma limpa em itens que estão parados em casa, em bom estado de conservação e que possam ser vendidos em bazares de roupas, sapatos, móveis, utensílios domésticos ou em sites especializados. Outra oportunidade de renda extra é revender produtos de pequenos empreendedores conhecidos, combinando uma porcentagem de comissão.

 

8) Montar um negócio

Se o seu amigo tem uma veia empreendedora, você pode ajudá-lo a se planejar para começar um pequeno negócio. O primeiro passo é identificar talentos e interesses pessoais para mapear que tipo de negócio e quais produtos e serviços poderão ser oferecidos. Veja outras dicas na matéria Quer começar um negócio e não sabe qual?

Feita essa opção, é hora de desenvolver um plano estratégico simplificado, montar a  estrutura básica do negócio, listando todos os recursos que serão necessários, e como será feita a comunicação para conseguir clientes. O Canal do Empreendedor pode ser uma mão na roda nesse desafio. Ele coloca à disposição aplicativos, vídeos e orientação para alavancar novos negócios

 

9) Invista em conhecimento ou contrate serviços

Se você tem dinheiro disponível e quer realmente apoiar financeiramente seu amigo ou amiga, escolha uma maneira saudável de fazer isso. Você pode, por exemplo, pagar algum curso que o ajude a voltar ao mercado de trabalho ou desenvolver alguma habilidade empreendedora que ele não possui. A dica é combinar que o recurso será devolvido assim que a situação melhorar.

Você também pode contratar seu amigo ou amiga para um trabalho extra quando você precisar recorrer a um profissional para fazer as compras da casa, entregar quentinhas quando você não puder cozinhar, levar as crianças na escola em alguns dias da semana ou abrigar seu bicho de estimação durante suas férias. O ideal é optar por ações que não impliquem em custos adicionais para você.

 

10) Posso e quero emprestar

Diante do pedido do seu amigo e depois de ter analisado todos os caminhos alternativos sugeridos acima, você pode chegar à conclusão que a melhor maneira de ajudar seu amigo é, sim, emprestar o dinheiro. Nesse caso, a recomendação é que você procure sentir confiança e busque perceber se esta é uma situação pontual ou recorrente. É importante que este dinheiro venha de alguma reserva financeira que você possua e não comprometa seu próprio orçamento.




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