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Atualizado em: 04 fev 2020 às 09h e 04m

Costuma emprestar seu nome ou fazer compras para terceiros?

Conheça os riscos de ceder o cartão de crédito ou contratar empréstimos para amigos e parentes

 

Alguém próximo, um amigo ou um parente, já pediu para você emprestar o cartão de crédito para comprar um eletrodoméstico, móvel ou celular? Ou, em um momento financeiro delicado, implorou para você contrair um empréstimo em seu nome, prometendo pagar direitinho?

Amor, amizade, disposição para ajudar e dificuldade em dizer não são algumas das razões que levam muitas a aceitarem esses pedidos. Mas fique atento. Ceder o nome para contrair crédito pode ser mais complicado do que entregar dinheiro vivo na mão do amigo ou familiar. Ao fazer isso, você não só corre o risco de perder o dinheiro, mas também de ter seu nome negativado, gerando transtornos para sua vida financeira e prejudicando a relação.

Segundo pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, 24% das pessoas inadimplentes, no Brasil, ficaram negativadas porque emprestaram seus nomes a terceiros. Entre as que adotaram essa prática, 32% sequer sabiam o valor que seria usado e 53% tiveram que arcar sozinhas com a dívida. Em 98% dos casos, a amizade ficou abalada em decorrência dessa situação.

Por isso, a dica é pensar duas vezes antes de assumir este risco. Veja, a seguir, algumas orientações para não entrar em fria. Confira, também, algumas sugestões para quem já contratou crédito para outra pessoa e ela não pagou.

 

1. Quem fica com a dívida é você

Do ponto de vista legal, a partir do momento em que você empresta seu nome para contrair crédito ou fazer uma compra parcelada para outra pessoa, a dívida é sua. Só sua. Para os bancos, lojas e demais credores, quem responde pelo compromisso é quem forneceu os dados e assinou o contrato ou passou o cartão. Na hora da cobrança, você pode contar a história mais tocante do mundo sobre seu primo endividado, mas é você quem vai responder na justiça caso o credor resolva reclamar. Sem contar que, quando você está na lista de negativados dos órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, você pode ter dificuldades para abrir uma conta em banco, entrar em um financiamento ou parcelar suas próprias compras.

 

2. Quem pediu vai mesmo conseguir pagar?

Quem faz o pedido, em geral, está com o nome sujo ou não tem capacidade para comprovar renda. Ou seja, já está com a vida financeira enrolada, portanto, há uma boa chance de você ficar no prejuízo. É importante ter essa clareza para argumentar com o solicitante sem ser levado pela piedade ou sedução. Isso não significa virar as costas e bater em retirada, mas ajudar a pessoa a enxergar melhor a situação. Converse com ela sobre a real necessidade do empréstimo e mostre as consequências (peso no orçamento, riscos para a pessoa e para você). Com criatividade, encontre outros caminhos para ajudar a pessoa a se organizar e levantar os recursos que precisa. Veja algumas dicas para isso na matéria Como ajudar um amigo endividado. Também pode ser uma boa ideia, por exemplo, organizar um evento de arrecadação de fundos, a exemplo do que propomos no artigo Arraiá das contas pagas.

 

3. Relação de confiança com o mercado

Quando você empresta o nome, entrega junto a confiança que você conquistou e mantém no mercado. Quem fica inadimplente acaba perdendo o cartão, não pode contrair empréstimo no banco nem abrir crediário em uma loja porque o mercado entende que o solicitante pode não honrar com seus compromissos. O contrário também é verdadeiro. Quem cuida bem de suas finanças e reputação recebe confiança e, consequentemente, tem acesso ao crédito. Existe até uma pontuação que facilita esse entendimento, o chamado Score de crédito. Tudo para lembrar que, quando você empresta o seu nome para um terceiro, está colocando em jogo a credibilidade que você construiu pagando seus boletos em dias.   

 

4. A razão na frente da emoção

A partir do momento que você recebe um pedido para emprestar o nome, a relação corre um risco. Seja pela forma como a pessoa irá reagir à sua decisão e sua resposta, seja pelas consequências que virão se o valor não for pago. Não importa se a pessoa é seu padrinho de casamento ou aquele primo com o qual você viveu os melhores momentos de sua infância. Tente, ao máximo, não agir por impulso ou dizer sim só para se livrar daquele constrangimento. Se você não emprestar o nome, mesmo que num primeiro momento isso possa parecer cruel, com o tempo a pessoa entenderá que essa foi a melhor decisão.

 

5. Se emprestou, formalize e peça garantias

Caso decida atender o pedido, antes de concretizá-lo busque entender como a pessoa costuma se organizar financeiramente e se tem outras dívidas. Essa é a primeira providência para evitar que você “caia no buraco junto com ela”. Entendendo a situação, o passo seguinte é pedir garantias de que o dinheiro será devolvido. Você pode formalizar o acordo num contrato ou, ainda, atrelar a dívida a um bem que a pessoa tenha. Feito o acordo, coloque no papel como o pagamento será pago e em quais datas. É importante que a pessoa sinta que está assumindo um compromisso e deve honrá-lo como se estivesse na mesa do gerente do banco. Nos vencimentos, não tenha vergonha ou medo de cobrar.

 

6. Agora já é tarde: o que fazer?

Você assumiu o risco, mas não está recebendo do seu amigo ou parente o dinheiro combinado. O que fazer? O primeiro passo é chamá-lo para uma conversa e entender o que aconteceu. Por que não conseguiu pagar? O que será feito daqui para frente para que a dívida seja quitada? Quais serão as novas bases do acordo entre vocês?

O passo seguinte é, junto com a pessoa beneficiada pelo empréstimo, falar com os credores. Antes, façam a lição de casa e cheguem com uma proposta de renegociação. Expliquem o que deu errado e o que pretendem fazer para pagar daqui para frente. Veja as dicas na matéria Negociação de dívidas com os bancos.

Ainda que possa gerar muita ansiedade e algumas noites mal dormidas, a responsabilidade é de quem pediu e de quem topou. Portanto, encare de forma pragmática até chegar à melhor solução para manter sua vida financeira em ordem, sua saúde física e mental e, se possível, as suas relações afetivas.




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