Em maio de 2026, a chamada "taxa das blusinhas" deixou de ser cobrada nas compras feitas em sites de empresas certificadas pelo Programa Remessa Conforme (PRC), criado pela Receita Federal para agilizar a liberação de compras internacionais por meio do pagamento antecipado de tributos.
Na prática, compras de até US$ 50 realizadas em sites como Alibaba, Shopee, Shein, Temu e Amazon, entre outros, deixaram de pagar o imposto de importação federal. Anteriormente, estavam sujeitas à alíquota de 20% de imposto de importação, além do ICMS, tributo estadual incidente sobre a circulação de mercadorias. Agora, permanece apenas o ICMS, cuja alíquota varia entre 17% e 20%, conforme o estado de destino da encomenda.
Com isso, uma compra de R$ 100 feita em um site certificado pelo PRC, por exemplo, passou a ter o imposto de importação zerado. Contudo, se você mora em um estado cuja alíquota de ICMS é de 17%, o valor de ICMS cobrado no ato da compra será de R$ 20,48. Clique aqui para conferir a taxa cobrada em sua região.
Imposto de importação para compras acima de 50 dólares
Para compras acima de US$50 e de até US$3 mil, continua em vigor o imposto de importação de 60% sobre o preço do valor aduaneiro (produto + frete + seguro). Nos sites certificados pelo PRC, contudo, há um desconto fixo de US$30 sobre o valor a ser pago dentro dessa faixa. Para os não certificados, não há desconto: a alíquota de 60% incide integralmente sobre qualquer valor de compra, mesmo abaixo de US$ 50. Além disso, há a incidência do ICMS (entre 17% e 20%). A Receita Federal disponibiliza uma calculadora que permite simular o valor a ser pago em sites certificados e não certificados. Confira, também, a lista completa das empresas certificadas pelo Remessa Conforme.
Além do preço do produto: outros cuidados antes de fechar a compra
O valor exibido no site nem sempre corresponde ao que o consumidor vai pagar no fim da compra. Dependendo da plataforma, do tipo de envio e da forma de pagamento, outros custos podem aumentar o preço final da encomenda. Antes de finalizar o pedido, vale conferir os seguintes pontos:
Impostos
O imposto de importação, quando houver, e o ICMS não são calculados apenas sobre o preço do produto. Segundo a Receita Federal, a base de cálculo considera o chamado valor aduaneiro, que inclui o preço do item, o frete internacional e o seguro, quando contratado. Por isso, um frete mais caro também pode aumentar o valor dos tributos.
Frete internacional
O custo do frete varia conforme o peso, as dimensões da encomenda, o país de origem e a modalidade de entrega escolhida. Em alguns casos, um produto barato pode deixar de compensar justamente por causa do valor cobrado pelo transporte.
Seguro da encomenda
Nem todas as compras incluem seguro, mas, quando ele é contratado, esse valor também entra na base de cálculo dos impostos. Vale conferir se o serviço é realmente necessário, principalmente em compras de menor valor.
Taxas cobradas pela plataforma
Alguns marketplaces adicionam tarifas de serviço, processamento ou intermediação no momento do pagamento. Essas cobranças variam de uma plataforma para outra e nem sempre aparecem junto ao preço anunciado. Antes de concluir a compra, confira o valor final no carrinho.
Prazo de entrega
Compras feitas em empresas participantes do Programa Remessa Conforme (PRC) costumam ser liberadas mais rapidamente pela alfândega, já que os tributos são pagos antecipadamente. Já encomendas enviadas por empresas fora do programa podem ficar retidas até que os impostos sejam calculados e quitados pelo consumidor.
A Receita Federal divulga a lista das empresas certificadas no Programa Remessa Conforme em seu portal oficial. Além disso, nas plataformas participantes, os impostos normalmente aparecem discriminados antes da finalização da compra e são pagos no próprio checkout. Se houver dúvida, vale conferir as informações da oferta ou consultar a lista atualizada da Receita Federal.
Forma de pagamento e IOF
O imposto de importação, quando houver, e o ICMS não são calculados apenas sobre o preço do produto. Segundo a Receita Federal, a base de cálculo considera o chamado valor aduaneiro, que inclui o preço do item, o frete internacional e o seguro, quando contratado. Por isso, um frete mais caro também pode aumentar o valor dos tributos.
Câmbio
Mesmo quando o pagamento não depende do fechamento da fatura do cartão, a cotação do dólar influencia diretamente o preço da compra. Pequenas oscilações podem fazer diferença, especialmente em produtos de maior valor.
Antes de finalizar a compra, some todos esses custos ao preço anunciado. Assim, fica mais fácil comparar o valor final da importação com o de um produto semelhante vendido no Brasil e decidir se a economia realmente vale a pena.
Os principais cuidados para não se endividar com as compras em sites internacionais
Ao entrar em sites ou aplicativos de vendas atrativos em preços e na oferta de uma infinidade de itens, a dica é ir direto ao item que você precisa, evitando as compras por impulso, que podem comprometer o orçamento. Veja algumas dicas para se blindar e resistir à tentação de gastar mais do que você pode ou deseja, evitando enroscos financeiros depois. Confira, também, alguns cuidados para não cair em golpes relacionados às compras online.
1. Faça uma lista e tenha clareza sobre o que você quer conquistar
Uma das melhores maneiras de se proteger das tentações de consumo é fazer uma lista de necessidades antes de entrar no site de compras e ficar firme nessa lista. Você precisa de uma roupa nova? É isso o que deve buscar, mesmo que pipoquem na tela as promoções de utensílios de cozinha, calçados ou acessórios, entre outros.
Outro jeito de evitar o consumo excessivo é ter objetivos e metas a serem conquistados. Quando alguém está focado em conseguir o dinheiro para realizar um sonho como viajar, fazer uma faculdade ou reformar a casa, fica menos vulnerável a cair em tentação e gastar demais em promoções ou lojas com preços atrativos. Então, defina bem seus objetivos de curto, médio e longo prazos e separe um valor todos os meses para guardar para essas finalidades.
2. Retire os dados do cartão do seu computador
Sabe aquela facilidade de deixar gravados os dados do cartão de crédito nos sites de compra e no seu navegador para “comprar com 1 clique?”. É tão fácil que acaba incentivando você a comprar no “automático”, sem pensar. O truque é desativar essa função do seu computador ou celular e se obrigar a buscar o cartão e digitar todos os dados cadastrais.
Além de contribuir para sua segurança nas compras online, no caminho entre a tela e a carteira, você ganha um tempinho para refletir se realmente precisa do que está no carrinho e talvez decida desistir ou adiar a escolha. O tempo para pensar é crucial para tomar decisões mais conscientes, por isso crie pequenas barreiras antes de concluir a compra e reduza as chances de agir por impulso.
3. Durma uma noite antes de efetivar a compra
Ainda com a intenção de ganhar tempo para pensar, que tal colocar os itens que deseja no carrinho e sair do site por 24 horas? Muitas decisões de compra são tomadas sob efeito de gatilhos como promoções relâmpago, contagens regressivas e notificações, que criam uma sensação de urgência artificial. Ao dar um intervalo antes de finalizar a compra, você consegue avaliar melhor se o item realmente atende a uma necessidade ou se foi apenas um desejo do momento.
Durante essa pausa, vale se perguntar: você já tem algo parecido em casa? Esse gasto cabe no que você havia planejado para o mês? Se, no dia seguinte, a vontade de comprar continuar a mesma e a resposta para essas perguntas for positiva, aí sim é hora de efetivar a compra.
4. Procure maneiras saudáveis e econômicas de liberar o estresse
As emoções têm uma influência significativa sobre nossas decisões do dia a dia, e com as compras online isso não é diferente. Quando estamos tristes, frustrados ou ansiosos, temos a tendência de comprar por impulso, pois o consumo acaba servindo como uma forma de aliviar aquele sentimento negativo.
Mas existem outras maneiras saudáveis e gratuitas de se livrar do estresse, como dar uma caminhada, ouvir uma música, meditar, escrever, conversar com alguém, passear com o cachorro, fazer uma sessão de alongamento, entre muitas outras. Encontre aquela atividade que ajude você a lidar com a raiva, a ansiedade e a frustração e passe longe dos sites de compra online nos momentos em que estiver com as emoções à flor da pele.
5. Programe agora uma aplicação automática
Se você quer escapar das tentações de consumo, a melhor maneira é “tirar da frente” o dinheiro que você poderia gastar. Não deixe dinheiro parado na conta. Faça um investimento programado em seu banco, assim, ele irá transferir todos os meses um determinado valor de sua conta para o investimento. Dessa forma, você poupa para seus objetivos e ainda evita gastar com itens supérfluos.
Importar para revender: o que muda quando o objetivo é o negócio
Quem compra produtos no exterior para uso próprio segue regras diferentes de quem faz importação para revenda. A isenção do imposto de importação para compras de até US$50, por exemplo, vale apenas para as remessas para pessoas físicas. Segundo a Receita Federal, para importar, a empresa precisa estar regularizada e habilitada no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), ferramenta oficial do governo brasileiro para registro, acompanhamento e controle das importações e exportações feitas no país
Conheça alguns passos importantes:
5 dicas antes de importar para revender
Cumprir as exigências legais é apenas uma parte do processo. Para que a importação seja financeiramente viável, também é importante planejar a compra, calcular todos os custos envolvidos e avaliar se o negócio faz sentido para a sua realidade.
1. Comece pela demanda, não pelo produto
Antes de escolher o que importar, pesquise se existe procura pelo produto. Ferramentas como Google Trends, buscas em marketplaces e redes sociais podem ajudar a identificar tendências de consumo e avaliar se há espaço para aquele item no mercado. Para reduzir riscos, uma boa estratégia é começar com poucas unidades e aumentar os pedidos conforme a demanda cresce. Conheça mais dicas para validar seu negócio antes de investir na nossa matéria sobre o assunto.
2. Calcule todos os custos antes de definir o preço
O valor pago ao fornecedor é apenas uma parte da conta. Para saber se a revenda será realmente lucrativa, inclua na precificação despesas como frete internacional, seguro (quando houver), impostos, armazenagem, despacho aduaneiro e outras taxas da operação.
3. Escolha fornecedores confiáveis
Antes de fechar negócio, pesquise a reputação do fornecedor, leia avaliações de outros compradores e, se possível, faça um pequeno pedido para avaliar a qualidade dos produtos. Também vale desconfiar de preços muito abaixo da média, além de verificar a procedência da mercadoria e evitar produtos falsificados ou réplicas comercializadas sem autorização das marcas, prática que pode resultar em apreensão da mercadoria e outras penalidades.
4. Verifique se o produto exige autorização para ser vendido
Algumas categorias de produtos exigem o cumprimento de regras específicas antes de serem comercializadas no Brasil. Cosméticos, suplementos alimentares, brinquedos e equipamentos eletrônicos, por exemplo, podem depender de autorizações ou certificações de órgãos como Anvisa, Inmetro ou Anatel. Verificar essas exigências antes da importação ajuda a evitar prejuízos e problemas com a fiscalização.
5. Avalie se importar é a melhor opção
Nem sempre importar diretamente será o caminho mais vantajoso. Dependendo do volume da compra e dos custos envolvidos, adquirir produtos de distribuidores ou importadores já estabelecidos no Brasil pode representar uma economia de tempo e dinheiro, além de reduzir riscos relacionados à tributação, ao transporte e ao desembaraço aduaneiro. Outra alternativa é negociar com fabricantes locais.
Antes de investir, faça as contas, pesquise fornecedores e confirme quais regras se aplicam ao produto escolhido. Esse planejamento ajuda a evitar prejuízos e aumenta as chances de transformar a importação em um negócio sustentável.
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Matéria originalmente publicada em 14/09/2023 e atualizada em 11/08/2026.



