Entenda o novo salário mínimo

Saiba tudo sobre o piso salarial nacional e como ele influencia os pisos adotados em diferentes estados.

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/ 10 Fev 2026 / 5 min. leitura
Novo salário mínimo 2026 no Brasil

Em 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo passou a R$1.621,00 contra os R$1.518,00 vigentes no ano passado. O reajuste de 6,8% representa um acréscimo de R$103,00 no bolso do trabalhador. A mudança afeta diretamente a renda de 61,9 milhões de brasileiros que têm seus ganhos referenciados no piso nacional, seja como assalariados ou como beneficiários do INSS.

Mas, afinal, o que é o salário mínimo e de que forma o reajuste influencia, na prática, o poder de compra da população? É isso que você confere a seguir.

O que é o salário mínimo e como ele é definido

O salário mínimo é o valor mensal básico que um trabalhador pode receber no país pelo exercício de uma atividade remunerada. Ele é definido pelo governo federal, por meio do Ministério do Trabalho, e reajustado anualmente com base na inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Criado em 1936 e regulamentado em 1940, durante o governo de Getúlio Vargas, o salário mínimo surgiu com o objetivo de assegurar uma remuneração capaz de cobrir as necessidades básicas do trabalhador. 

Além de servir como referência para os salários pagos no país, o salário mínimo é utilizado como base para o cálculo e o pagamento de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas concedidos pelo governo federal.

Como o salário mínimo evoluiu no Brasil nos últimos 25 anos

Desde sua criação, o valor do salário mínimo tem sido reajustado anualmente. Em 2003, foi implementada, ainda, uma política nacional de valorização do salário mínimo, que fez com que os reajustes passassem a considerar a inflação. Veja sua evolução nos últimos 25 anos, de 2002 a 2026.

Período (ano)Salário Mínimo (R$)
2002200
2003240
2004260
2005300
2006350
2007380
2008415
2009465
2010510
2011545
2012622
2013678
2014724
2015788
2016880
2017937
2018954
2019998
20201.045
20211.100
20221.212
20231.302
20241.412
20251.518
20261.621

Pisos salariais estaduais

Alguns estados brasileiros também adotam um piso salarial diferente do nacional, que deve ser obrigatoriamente maior do que o do salário mínimo. O teto estadual é uma medida que busca ajustar o salário ao custo de vida mais elevado em algumas regiões do país.

No estado de São Paulo, o piso salarial em 2025 foi de  R$1.804,00. No Paraná, por sua vez, o valor foi dividido em faixas, que variaram de R$1.984,16 a R$2.275,36. O mesmo aconteceu em Santa Catarina, cuja faixa ficou entre R$1.730,00 e R$1.978,00.

O que muda com o novo salário mínimo?

o impacto do novo salário mínimo na vida das pessoas

Pelas regras atuais, o reajuste do salário mínimo deve garantir um ganho real acima da inflação. Ou seja, ele deve de fato aumentar o poder de compra da população que o recebe. Uma forma de perceber se isso de fato acontece, é avaliar a quantidade de cestas básicas que podem ser compradas com um salário mínimo.

Esse levantamento costuma ser feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e foi apresentado na nota técnica da instituição que avaliou o impacto do aumento do salário mínimo em 2026 no poder de compra da população. Atualmente, o valor do salário mínimo permite que uma pessoa compre 1,93 cestas básicas por mês na cidade de São Paulo. É o maior número desde 2020. Veja a evolução.

quantidades de cestas  básicas adquiridas com um salário mínimo

Fonte: DIEESE

Apesar do poder aquisitivo aumentar, o salário mínimo ainda está abaixo do ideal. Segundo a DIEESE, o valor necessário para manter a qualidade de vida de uma família de quatro pessoas, formada por dois adultos e duas crianças, seria de R$7.067,18 (dado de novembro de 2025). O cálculo considera gastos básicos como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.

Para além do salário mínimo: outros valores que mudam com o reajuste

O valor do salário mínimo serve como referência para diversos benefícios, como aposentadoria, seguro-desemprego, abono salarial PIS/Pasep, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros. Ele também influencia programas sociais abrangidos pelo CadÚnico e as contribuições de microempreendedores individuais (MEIs).

  • Aposentadoria: aposentados do INSS que recebem o salário mínimo tiveram seus benefícios reajustados de acordo com o novo valor (R$1.621). O teto dos benefícios passou a ser de R$8.475,55.
  • BPC: pago a idosos a partir de 65 anos ou a pessoas com deficiência cuja renda por pessoa seja de até ¼ do salário mínimo, o BPC também passa a ser de R$1.621.
  • Abono do PIS/Pasep: o valor do abono é calculado com base no número de meses trabalhados no ano-base, multiplicado por 1/12 do salário mínimo. Com o reajuste, o abono pode variar de R$135,08 a R$1.621,00. 
  • Seguro desemprego: o benefício considera a média dos três últimos salários antes da demissão e é dividido em faixas. A faixa mais baixa corresponde ao valor do salário mínimo, que será atualizado com o reajuste.
  • Contribuição do MEI: o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) pago mensalmente pelo MEI é calculado sobre o salário mínimo e, portanto, terá aumento em 2026. Os valores variam de R$81,05 (comércio e indústria) a R$194,52 (caminhoneiros).
  • CadÚnico: a renda mínima para cadastro no CadÚnico, que permite acesso a diversos programas sociais, considera famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Com o reajuste, esse limite também aumenta.

Desconto do INSS na folha de quem ganha o salário mínimo

A Previdência divulgou a tabela de contribuição do INSS, válida desde 1º de janeiro, para trabalhadores com carteira assinada, empregados domésticos e trabalhadores avulsos. Os novos valores serão descontados diretamente na folha de pagamentos a partir de fevereiro.

As alíquotas de contribuição variam de 7,5% a 14% e são progressivas, ou seja, quanto maior o salário, maior a porcentagem. Para quem tem carteira assinada e recebe um salário mínimo, o valor da contribuição ao INSS será de R$ 121,58. Veja a nova tabela:

Salário (R$)Alíquota (%) do desconto
Até 1.621,007,50
De 1.621,01 até 2.902,849
De 2.902,85 até 4.354,2712
De 4.354,28 até 8.475,5514